Foram 26 anos atuando como policial militar até entrar para a reserva. Sem envolvimento em política, o ano em que completa dez anos em que aposentou a farda marca também uma reviravolta em sua vida: a cabo Roseli Schmidt, de Marechal Cândido Rondon, decidiu lançar seu nome como candidata a deputada federal pelo Partido Pátria Livre (PPL).
“Nestes 26 anos de Polícia Militar (PM) sempre tentei ser a mais correta possível dentro da minha profissão. Nunca me envolvi com política. Hoje sou sozinha na cidade e não conto com nenhum apoio político. Ninguém veio me oferecer ajuda. Formei dobradinha com o deputado estadual Marcio Pacheco (PPL), de Cascavel, que foi quem me convidou para ser candidata. Eu gostaria muito de conseguir ser eleita. Sei que é difícil, mas gostaria de ser a mudança lá dentro. Não vou prometer nada, só quero ser a mudança lá dentro e mostrar para as pessoas que tem jeito de haver mudança”, frisou, em entrevista ao Jornal O Presente.
A decisão em se aventurar nesse meio até então desconhecido não surgiu tão por acaso assim, revela a candidata. “Não é só Marechal Rondon ou só o Paraná que estão sofrendo com falta de saúde, principalmente. Veja o desespero das pessoas quando é preciso aguardar dias para conseguir um encaminhamento para outros lugares para passar por procedimento cirúrgico. E foi vendo essas pessoas, e muitas delas carentes, no desespero por cirurgias que me tornei candidata. Eu acredito que posso ter uma chance de ajudar essas pessoas, como faço hoje dentro daquilo que posso. Quando começou a campanha pela reabertura do Hospital Fumagali, fui eu que tive a ideia e corri atrás. Outras cinco pessoas me ajudaram, além dos voluntários que pegaram as folhas para o abaixo-assinado, que coletou quase dez mil assinaturas. O Hospital Fumagali está quase reaberto. Foi vendo a dificuldade destas pessoas que eu resolvi lutar de outra maneira. Quero trazer verbas para o município e cobrar onde esse dinheiro será investido”, enaltece.
Pilares
Em sua campanha, a cabo Roseli defende principalmente investimento em três áreas: educação, saúde e segurança pública. “Mas o mais importante destes três é a educação, pois sem ela não há o restante”, complementa. “Em primeiro lugar, é preciso maior valorização dos professores, que são os responsáveis por ensinar os futuros profissionais. No Brasil, hoje as crianças não têm mais respeito pelo professor e tem aluno que chega a agredir. Precisamos valorizar esse profissional da educação”, declara.
Como policial da reserva, a candidata também deseja um olhar especial sobre a segurança pública. “Moramos em uma região de fronteira e beira lago. Contamos com o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) e a Companhia da Polícia Militar. Por que duas polícias diferenciadas se os dois ganham o mesmo salário? Por que não unir essas polícias? Precisamos intensificar a fiscalização para não entrar armas, drogas e cigarros via Lago do Itaipu. Por que não se unir com a Polícia Federal para fazer esse tipo de trabalho? Por que separar duas polícias e ter uma da cidade e outra da fronteira? Precisamos valorizar a segurança pública”, salienta.
No entendimento da rondonense, se houver investimento nestes três pilares é possível melhorar em muito o Brasil. “Tem tanta coisa que os parlamentares poderiam fazer em prol do país, mas os próprios deputados não estão preocupados. Não se preocupam com o bem-estar do cidadão, mas só com os acordos”, critica.
PPL
Questionada por que da escolha pelo PPL, cabo Roseli afirma que considera a sigla formada por pessoas com ficha limpa. “O PPL é formado por pessoas honestas e corretas. No PPL ninguém andou de camburão e de todos que analisei foi o partido que mais me identifiquei pela honestidade. É um partido que vale a pena lutar por ele e, como o próprio nome já diz, defende uma pátria livre”, enfatiza.
A sigla avalia que para eleger um deputado federal serão necessários de 35 a 40 mil sufrágios. Para alcançar essa votação, a candidata expõe que está buscando votos em toda a região, de Cascavel a Foz do Iguaçu, e até mesmo cidades mais distantes, como Siqueira Campos e Curitiba. “Eu não tenho ido a esses lugares, pois o PPL não tem dinheiro. Faço uso de recursos próprios, mas não tenho condições de visitar cidades mais distantes. Então a minha alternativa tem sido enviar meu material de campanha para amigos, que estão voluntariamente fazendo a distribuição. Nas cidades mais próximas eu tenho percorrido e tenho sido muito bem recebida”, declara.
Quem é
Nascida em Marechal Cândido Rondon, a cabo Roseli Schmidt entrou para a Polícia Militar em 1984, atuando inicialmente em Cascavel. Em 1988 se mudou para sua cidade natal com as duas filhas. Permaneceu por dez anos na Polícia Militar no município rondonense, e mais dois anos na Polícia Rodoviária Estadual. Em 1º de julho completou dez anos que está na reserva da PM.
O Presente