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Política Eleições 2022

Das telinhas para o meio político

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Pré-candidato a deputado estadual pelo Cidadania de Cascavel, jornalista Alan Medeiros: “Não posso dizer que estou traindo o partido, porque o Cidadania está nesta federação (com o PSDB)” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

Jornalista Alan Medeiros deixou a televisão, após dez anos, para se colocar como pré-candidato a deputado estadual pelo Cidadania

Com passagem pela Tarobá e RPC, o jornalista cascavelense Alan Medeiros resolveu deixar a profissão de lado, ao menos por um tempo, para se dedicar à vida política. Ele lançou o nome como pré-candidato a deputado estadual pelo Cidadania.

Em visita ao Jornal O Presente, o profissional explicou por que decidiu abraçar logo um projeto maior, como é uma disputa à Assembleia Legislativa, em vez de iniciar neste meio, por exemplo, como candidato a vereador.

Medeiros também disse os motivos que o levaram a trabalhar por uma eventual candidatura e enalteceu sua posição política no âmbito estadual e nacional. Confira.

O Presente (OP): O senhor é jornalista e agora pré-candidato a deputado estadual. Por que tomou essa decisão?
Alan Medeiros (AM):
Comecei a trabalhar com jornalismo em 2008, quando ainda era estudante. São quase 14 anos de jornalismo e dez de televisão, onde passei pela Tarobá e pela RPC. Coloco três pilares para estar nesta disputa. Primeiro a necessidade de renovação, que é algo que precisamos diante do atual cenário. Políticos que estão aí hoje, na minha avaliação, deixaram a desejar em pautas como a situação do pedágio para a nossa região, por exemplo, além de outras questões que envolvem educação e saúde pública. O segundo ponto é que trabalhei cobrindo a Assembleia Legislativa entre 2014 e 2016 e sei como aquilo tudo acontece, como são feitas as amarras para aprovar um projeto de lei, como é feito todo jogo da política para trazer um recurso. E o terceiro pilar é a carreira que tenho enquanto jornalista. Como disse, trabalho com comunicação há 14 anos e fui repórter de jornal impresso, passei por televisão e os últimos cinco anos estava na RPC, que possui grande abrangência. Enquanto jornalista, temos esse viés com a população. Escutamos os problemas, damos voz para a comunidade e cobramos as soluções, desde as mais simples até as mais complexas. Hoje acontece muito dos políticos estarem presentes nas cidades só em períodos eleitorais, seja a cada dois anos ou quando é a eleição deles de fato, a cada quatro anos. A ideia é fazer um mandato ao vivo, traduzir aquele ‘politiquês’ que as pessoas não sabem, para que comecem a acompanhar as votações. Transparência, fazer o mandato participativo, ouvindo as pessoas, para que também participem das decisões.

OP: E quem entra na Assembleia Legislativa consegue ter uma atuação diferente ou acaba aderindo ao sistema?
AM:
Consegue. Muita gente aborda que enquanto está fora é uma coisa e quando entra é outra. Enquanto repórter, muitas pessoas diziam que já tinha sido feita a cobrança ao Poder Público e não surtiu efeito, não tinha solução. Mas quando o jornalista faz uma matéria e há resultado, ficamos felizes. É chegar lá com boas ideias e levar para a opinião pública o que acontece na Assembleia. Fazer essa transparência. Se eu não tiver apoio por ter posições firmes diante de alguns assuntos, vou jogar para a opinião pública e dar nome às pessoas. Quero chegar lá com as mãos limpas e sem estar com amarração. É ter articulação, jogo político, convencimento, como jornalista vou atrás dos fatos e números para analisar os pontos. Eu posso ser base ou oposição ao governo, mas vou votar de acordo com aquilo que for melhor para os paranaenses.

OP: Por que decidiu se colocar como pré-candidato a deputado estadual, que é um projeto maior, e não iniciar na vida política disputando uma eleição como candidato a vereador, por exemplo?
AM:
A televisão gera essa projeção além do local. Eu tive acompanhamento do público, todos os dias e ao vivo, não só de Cascavel como a abrangência do Oeste. E, mais do que isso, na região Noroeste, onde trabalhei, como em Umuarama, Cianorte e Paranavaí. Então estas duas regiões vão ser minhas principais áreas de atuação. Não que um deputado não vai atuar em outras cidades, mas onde é seu berço tende a ter essa atuação mais presente. Vou estar mais presente aqui do que em Londrina, Maringá, Campo Mourão, por exemplo. Precisamos fazer uma construção coletiva e um mandato de representatividade para isso. Poderia começar como candidato a vereador na eleição de 2014, mas o momento e a oportunidade surgiram agora. Deixei a televisão depois de cinco anos na RPC para me colocar à disposição e as pessoas lembrarem que aquele era o repórter que acompanhava a gente, desde o buraco na rua até a denúncia no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Ele entende o nosso cotidiano e a nossa realidade, não só de Cascavel como da região como um todo. Por isso do mandato de deputado estadual.

OP: O Cidadania formou federação com o PSDB. No Estado, no entanto, o seu partido é aliado do governador Ratinho Junior (PSD). Quem o senhor pretende apoiar na campanha?
AM:
Eu estou com o César Silvestri Filho (PSDB) e não tenho problema algum em dizer isso. Não concordo com alguns pontos feitos pelo Governo do Estado, ou deixados de serem feitos nos últimos anos, principalmente na nossa região. Falando de Cascavel e região, há obras que não foram realizadas. A execução do Trevo Cataratas é o principal gargalo do Oeste, mas está sendo feita com recursos do acordo de leniência. Faltou um pouco de respaldo nessa questão por parte do Governo do Estado, assim como em outras obras. O Oeste foi penalizado, inclusive com obras atrasadas. Não concordo com algumas questões como na educação, com ensino técnico a distância. Acho isso temeroso. A segurança pública ficou devendo também na parte de investimentos. Por vários questionamentos que faço olhando para a região não fecho hoje com o Ratinho Junior.

OP: O Cidadania está aberto nesta questão de o senhor apoiar outro pré-candidato?
AM:
O Cidadania é base do governador e tenho que respeitar isso. Entrei no partido porque, ano passado, vi que tinha três deputados: a Cristina Silvestri em Guarapuava, Douglas Fabrício em Campo Mourão e Tercílio Turini em Londrina. Percebi que havia esse vão na região Oeste, Sudoeste e até no Noroeste para que pudesse crescer. Se eu entrasse em outro partido, que fosse de centro também, porque não sou de extrema-direita e muito menos de centro-esquerda, e já tivesse representantes seria mais um na fila do pão. Por isso que escolhi o Cidadania, por ser um partido de centro e por ter essa possibilidade de eu ser o nome na região. De fato, logo que entrei trouxe a proposta e me colocaram como pré-candidato a deputado estadual. Com relação a essa questão de o partido estar no governo, foi uma deliberação feita no ano passado e temos que respeitar. Não estou dizendo que o governo é ruim, apenas que há possibilidades de melhorar e ter maior representatividade para a região. E, ao mesmo tempo, houve uma federação feita entre o Cidadania e o PSDB que tem efeito cascata. Então não posso dizer que estou traindo o partido, porque o Cidadania está nesta federação. São coisas da política.

OP: Em questão de dobradinha o senhor fecha com o deputado federal Rubens Bueno (Cidadania)?
AM:
Sim. O partido tem essa questão de dobrar com quem é do Cidadania e, eventualmente, se tiver dobradas com o PSDB ainda têm que afinar. Tem que ver lá na frente quando o registro da candidatura sair.

OP: No cenário nacional o senhor apoia o nome escolhido pela terceira via para a disputa presidencial, que é da senadora Simone Tebet (MDB-MS)?
AM:
Isso. O Cidadania e o PSDB fecharam com o MDB a possível coligação futura. O nome da Simone Tebet me agrada, primeiro, pelo fato de ser uma senadora atuante, como vimos na CPI da Covid-19. Ela é do Mato Grosso do Sul, tem história e está preparada. O Estado é extremamente agrícola e tende a ter uma votação de direita muito maior. E ela, se colocando como uma pré-candidata de centro em um Estado próximo da gente, vizinho ao Paraná, temos muito a ganhar. Ela é uma mulher preparada para chegar lá e construir algo que seja melhor para o país. A pesquisa mostra hoje que a Simone Tebet ainda está engatinhando nos números, mas sabemos que existe um caminho longo pela frente e isso pode mudar a partir do momento que a campanha começar.

OP: Em uma região em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) domina uma parte dos eleitores não preocupa o fato do senhor apoiar outro nome?
AM:
Digo para a região e para os eleitores do Bolsonaro que eu não voto no Lula (PT). Então não estou com o Bolsonaro, mas também não estou com o Lula. Estou buscando outro caminho, porque não quero que aquilo que era do passado volte, e também não posso concordar com a inflação da maneira como está; não posso concordar com a atuação do governo federal diante da pandemia e quando atrasou a compra de vacinas; não posso admitir que o governo troque a presidência da Petrobras e não olhe para o Conselho de Administração, que é formado a maior parte por membros indicados pelo próprio governo, e não consegue mudar a política de preço do combustível. Isso traz consequências instantâneas na vida de todos. Ao mexer com o preço do combustível afeta diretamente quem tem veículo, mas quem também depende de transporte coletivo. Então não concordo com vários posicionamentos e medidas econômicas do governo federal, assim como levar a religião como se fosse uma bandeira e esquecer aquilo que precisa ser discutido.

Por Maria Cristina Kunzler/O Presente

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