Professor universitário e ex-secretário municipal, Lair Bersch (PDT) viveu durante muitos anos nos bastidores da política de Marechal Cândido Rondon. Em 2020, porém, decidiu se lançar candidato a prefeito ao lado do jovem Jean Michel, candidato a vice-prefeito.
Em visita ao Jornal O Presente, o pedetista fez uma breve avaliação da campanha e comentou sobre algumas propostas que pretende implantar, caso eleito. Confira.
O Presente (OP): Nesta reta final, qual avaliação o senhor faz da campanha?
Lair Bersch (LB): Muito feliz e satisfeito pela recepção do nosso plano de gestão “Marechal Rondon do futuro” e pelos elogios. Estamos fazendo reuniões pequenas e médias, estamos indo em empresas, e onde chegamos as pessoas elogiam muitos pontos do plano. Estamos muito felizes, sabendo que este é o caminho da Marechal Rondon do futuro.
OP: O PDT definiu como candidato a vice-prefeito Jean Michel, um nome jovem e que possivelmente não seja tão conhecido pela comunidade rondonense. Por que desta escolha?
LB: Essa escolha partiu dentro do próprio partido. Começamos a fazer os debates com outros partidos também sobre uma possível força progressista para a eleição, mas percebemos que havia muitos ‘senões’. Quando decidimos ir com a própria força do partido, já tínhamos conversado preliminarmente quem seriam os candidatos a vereador e o Jean tinha acenado com a possibilidade de ser o coordenador do nosso plano de governo. Com isso, ele acabou sendo naturalmente escolhido. Foi uma escolha dentro do partido. Eu também fui conhecê-lo melhor, da sua formação em Ciências Sociais Políticas, continua estudando, é um jovem que consegue colocar no papel com muita facilidade o que busca e aprende. Está vivendo experiências fantásticas e será um grande político no futuro.
OP: Casou bem essa dupla de um político mais experiente com um jovem?
LB: Com certeza. Houve uma união perfeita. A nossa experiência com a juventude dele e dos nossos candidatos a vereador, que disputam pela primeira vez a eleição, nos deu uma energia e força muito interessante. Vejo o PDT como o partido do futuro em Marechal Rondon.
OP: A eleição para a Câmara de Vereadores é sempre acirrada. O PDT tem expectativa de eleger algum vereador?
LB: Nossa meta é fazer 2,2 mil votos com os cinco candidatos, mas sabemos que podemos não chegar lá pela grande gama de candidatos que acabaram se oficializando. Nossa perspectiva era ter 70 a 75 candidatos, mas acabaram tendo 90. Isso pulveriza muito os votos. Eu, particularmente, acredito que dificilmente os vereadores mais votados farão mais do que 1,5 mil a 1,7 mil votos. Teremos possivelmente candidatos sendo eleitos com 700, 800 votos, dependendo da sobra, por essa característica de não ter coligação na proporcional. Isto é muito salutar e achamos que se chegarmos próximos a 2,2 mil conseguimos eleger um vereador na sobra.
OP: Se eleito, qual deve ser o norte do seu governo?
LB: Temos muito claro que queremos fazer um governo com a sociedade. Contamos com uma comunidade muito organizada em Marechal Rondon. Se olhar para a agricultura, há forças vivas muito fortes. Se olharmos para o lado da indústria e comércio, existem forças vivas muito fortes. Na educação então nem se fala, e assim por diante em todos os setores. Essa representatividade tem que ser chamada junto ao setor público para fazer a gestão. Não podemos mais ficar só nesse modelo da política através dos partidos e, no caso específico de um município, dos vereadores. Os vereadores são os representantes desta população, mas para prioritariamente fiscalizar e legislar, sendo chamados para os debates dos projetos mais específicos, mais segmentados. Por isso, queremos implantar o modelo de gestão em que vamos nomear secretários ouvindo os setores representativos, modelo de gestão em que as mulheres estejam presentes, e fazer um governo com participação dos vereadores nestas decisões. Eles serão conclamados. E aí já me perguntaram se não quiserem participar de reuniões mensais. Neste caso é responsabilidade individual de cada vereador.
OP: Eventualmente se eleito e até diante da projeção que o PDT faz na disputa pela Câmara, o seu governo teria a minoria no Legislativo. Isso é algo que preocupa?
LB: Nem um pouco. Acho que o diálogo é o caminho, tanto que uso um pouco desta questão como conceitual. Devemos fazer o governo do diálogo, em que o diálogo começa com ouvir, ouvir, ouvir e aí dialogar. Saber ouvir, perceber o que a sociedade quer e, a partir daí, começar o diálogo. Fazer um governo mais inclusivo, mais participativo, mais humano. Percebe-se que há muita crítica com a falta de humanismo deste governo. Queremos fazer o oposto e corrigir isso.
OP: Pela sua experiência política, é possível governar sem trazer outros partidos para perto, tendo em vista que o PDT lançou candidatura própria?
LB: Precisamos ir devagar neste aspecto, porque há uma eleição em 2022 e acredito que haverá reforma política. O Congresso percebe que se não vier uma reforma pagarão um preço alto nas próximas eleições. A reforma preconiza um enxugamento de tudo, desde as despesas e quantidade de partidos. Chegou a hora. Acredito que este é um lado positivo do atual governo, o qual está enfrentando alguns temas que eram tabus. O Congresso precisa sentar e falar: ‘não vamos mais ter eleição à majoritária com coligação, como está acontecendo na proporcional’. Seria fantástico. Talvez o início da solução.
OP: Se for eleito, há algum projeto que considere essencial para ser implantado logo no início do governo?
LB: No primeiro dia vamos convocar uma equipe, sem nomear secretários, que represente a inteligência da sociedade. Setores representativos farão duas a três indicações cada para discutir temas como pandemia, como vamos agir se não existir vacina, como vamos nos comportar com educação, saúde, setor produtivo. Imediatamente, vamos preparar o projeto do ensino integral, que será implantado gradativamente. O terceiro ponto, que será imediato também, vamos esperar as nomeações e enviaremos um projeto de lei à Câmara para enxugar as secretarias e o número de cargos comissionados, bem como retirar o 13º salário do prefeito.
O Presente