O Presente
Política

Em 21 dias, 30% dos projetos do pacotaço de Ratinho Junior foram aprovados na Assembleia

Entre as medidas aprovadas estão aumento de impostos e a venda parcial da Copel


calendar_month 13 de dezembro de 2022
5 min de leitura

Em 21 dias, os deputados estaduais do Paraná aprovaram 30% dos projetos do chamado “pacotaço” enviado pelo governador Ratinho Junior (PSD) à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

A maioria das propostas, que tratam de mudanças em diversas áreas do estado, tramitou em regime de urgência.

As 30 propostas integram um pacote de projetos enviados pelo governador à Alep em um intervalo de tempo de nove dias.

Desde o início da tramitação, parlamentares de oposição reclamaram que, com o regime de urgência, têm pouco tempo para discutir as matérias nas comissões da Alep e com a população.

Dos projetos apresentados, 9 tiveram tramitação totalmente concluída até esta segunda-feira (12), entre eles, a venda parcial da Companhia Paranaense de Energia (Copel) – que chegou na Casa e foi aprovado em apenas três dias.

Outro projeto aprovado foi o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços (ICMS) para produtos como refrigerantes, e a criação de novas secretarias e cargos comissionados.

Outra medida do pacotaço é uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que faz várias mudanças administrativas simultaneamente, entre elas, separar o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar (PM-PR), e diminuir o poder de fiscalização da Alep na transferência de imóveis entre órgãos do Governo do Paraná.

A PEC foi aprovada em plenário em primeira votação nesta segunda-feira. Parlamentares criticaram o formato da proposta, por tratar assuntos diferentes em um único texto.

O regime de urgência no projeto também foi alvo de críticas. O líder do governo, Marcel Micheletto (PL), defendeu a proposta, mas não deu entrevista sobre o tema.

Além da PEC, outros seis projetos do pacotaço foram aprovados nesta segunda-feira, mas ainda dependem de outras votações até irem à sanção.

Tramitação

Nesta segunda-feira, a deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) disse que, com os projetos, o Governo do Paraná está defendendo o “Estado mínimo”, transferindo responsabilidade de serviços do poder público à iniciativa privada ou privatizando-os.

O deputado Tadeu Veneri (PT) questionou a pressa em debater os projetos, segundo ele, sem participação da população. O parlamentar citou, por exemplo, a medida que terceiriza a gestão de Hospitais Universitários do Paraná, aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Porque o Estado insiste em fazer algo que mexe tanto com a vida das pessoas sem que elas possam discutir? Nós não sabemos[…] Então, que deem um tempo para aqueles que vão ser atingidos fazer o debate, isso é democracia.”

Durante a tramitação dos projetos do pacotaço, o líder do governo Marcel Micheletto (PL) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa diversas vezes para defender as medidas apresentadas pelo governo como benéficas para o Estado.

As propostas

As propostas do pacotaço foram enviadas à Alep de 21 a 30 de novembro. São elas:

26 projetos de lei;

3 projetos de lei complementares;

uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

A única proposta fora do regime de urgência é uma que prevê tributar o agronegócio. O projeto sofre resistência do setor. Poucos dias depois de chegar à Alep, a iniciativa teve a urgência retirada, mas continua tramitando na casa, mesmo que no rito normal.

Veja abaixo quais projetos foram aprovados até esta segunda-feira

Cria o Programa de Conservação de Grandes Felinos no Paraná;

Tributação de marketplaces/e-commerce;

Prorrogação de prazo para doação da região de Caieras, em Guaratuba, para a Cohapar;

Reestruturação de carreira de Auditor Fiscal;

Pedido de crédito especial para o orçamento do Estado;

Venda parcial da Copel;

Aumento do ICMS;

Projeto de reforma do Quadro Próprio do Poder Executivo;

Projeto de auxílio financeiro a hospitais do SUS.

Veja, também, os projetos que continuam tramitando na Alep

Extinção Fundo da Saúde dos PMs;

Subsídio da PM e Bombeiros e progressão de carreira;

Terceirização do Sistema Penitenciário;

Regulamentação para participação de municípios na cota-parte do ICMS por meio da educação;

Cria a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná;

Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Logística do Estado do Paraná e taxação do agro;

“Desburocratização” da gestão administrativa com várias medidas, entre elas, separando Bombeiros e PM;

Criação de novas secretarias, cargos comissionados e extinções de órgãos de Estado;

Aprova crédito especial para o orçamento geral do Estado;

Cria a Fundação de Apoio à Atividade de Segurança Pública do Paraná;

Cria o serviço Viaje Paraná;

Autoriza terceirização de três hospitais regionais: Telêmaco Borba, Ivaiporã e Guarapuava;

Reestruturação Fundação Araucária;

Altera a lei que dispõe sobre o plano plurianual para o quadriênio 2020 a 2023;

Doação de imóvel ao município de Tamarana;

Estadualização de rodovia que liga a PR-364 a Rebouças e a rodovia Jacó Schutz, que liga a PR-218 à BR-376, em Paranavaí;

Cria o Fundo Estadual de Defesa do Consumidor (FECON);

Abono de falta dos estudantes/profissionais da rede estadual convocados para eventos esportivos oficiais;

Terceirização de gestão de Hospitais Universitários Estaduais;

Fixa novo piso salarial no Estado e política de valorização;

Revoga dispositivos de lei de 2014 que autoriza o Executivo a instituir a Fundação Estadual de Atenção em Saúde (FUNEAS).

Com G1

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.