O empresário Joel Malucelli prestou depoimento na segunda-feira (17) ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Curitiba, de acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Ele chegou perto das 14 horas e foi ouvido por cerca de 1h20. Malucelli é um dos 15 investigados pela Operação Rádio Patrulha, que foi deflagrada na última terça-feira (11) e prendeu o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB).
Segundo o MP, ele admitiu ter ouvido proposta para direcionar licitação, mas negou ter feito pagamentos ilícitos.
“O que ele admitiu é que ele esteve sim em uma reunião e que, nessa reunião, foi tratada da repasse de dinheiro, assim como do contrato. Naturalmente, ele negou que tenha participado do procedimento para direcionamento da licitação”, disse o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti.
A defesa de Malucelli disse que ele esclareceu em seu depoimento todos os fatos em que seu nome é mencionado e demonstrou que não participou do esquema criminoso apurado na operação patrulha rural.
Considerado foragido pelo MP-PR, o empresário se apresentou ao Gaeco na sexta-feira (14). Ele estava na Itália. Malucelli foi a última pessoa a ser ouvida.
A suspeita é a de que todos os investigados tenham envolvimento em um esquema de superfaturamento de contratos para manutenção de estradas rurais para o pagamento de propina para agentes públicos. Esses contratos faziam parte do programa Patrulha do Campo.
Catorze investigados foram soltos por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, na sexta.
Apenas o ex-chefe de gabinete de Beto Richa, Deonilson Roldo, continua preso. Ele também tinha um mandado de prisão da 53ª fase da Operação Lava Jato.
“O que fizeram comigo é uma crueldade enorme, não merecia o que aconteceu. Estou de cabeça erguida. Continuo respondendo a todas as acusações”, afirmou Beto Richa ao deixar a prisão.
O ex-governador nega as suspeitas que recaem sobre ele.
A investigação
A investigação do Gaeco é sobre o programa do governo estadual Patrulha do Campo, que faz a manutenção das estradas rurais, batizada de “Rádio Patrulha”.
De acordo com o MP-PR, apura-se o pagamento de propina a agentes públicos, direcionamento de licitações de empresas, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.
Beto Richa é considerado chefe de uma organização criminosa que fraudou uma licitação de mais de R$ 70 milhões para manutenção de estradas rurais, em 2011.
A investigação aponta que o esquema criminoso funcionava a partir do aluguel de máquinas da iniciativa privada.
Os promotores afirmam que o acordo com empresários beneficiados pela licitação previa o pagamento de 8% a agentes públicos, a título de propina, sobre o faturamento bruto.
Fernanda Richa, mulher de Beto, participava da lavagem de dinheiro desviado no esquema, de acordo com o MP-PR.
A lavagem de dinheiro, conforme os promotores, era feita por meio da compra e venda de imóveis.
Fernanda Richa é sócia de diversas empresas do ramo imobiliário que teriam sido usadas para o crime, ainda conforme a investigação.
Com G1 PR