Política Crítica à oposição

“Estamos vivendo uma crise política devido ao oportunismo do momento”, expõe Schiavinato

Deputado federal José Carlos Schiavinato (PP): “Os assuntos políticos que vêm à tona estão fora de contexto. Nós não temos que, neste período, desviar as ações do governo para esses assuntos de ministros que querem denegrir a imagem do nosso presidente” (Fotos Cleia Viana/Câmara dos Deputados))

O deputado federal José Carlos Schiavinato (PP) cumpre seu primeiro mandato na Câmara. Mesmo em meio a três crises pelas quais o Brasil atravessa – a de saúde, econômica e política – em consequência da pandemia de coronavírus, seu posicionamento é muito claro em defesa do governo do presidente Jair Bolsonaro. “Eu tenho uma posição bem clara neste momento de apoio ao governo”, declarou, em entrevista ao Jornal O Presente.

Porém, isso não significa que Schiavinato concorde com o fim do isolamento social. Ele, que perdeu um familiar vítima da Covid-19, avalia que o presidente está dando por ora mais atenção à recuperação econômica do que à sobrevida das pessoas. Para o deputado, deveria ser o contrário.

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Na entrevista, o parlamentar ainda falou que o momento tem registrado situações de oportunismo por parte da oposição e avalia como um processo natural a aproximação de Bolsonaro com o grupo político Centrão. Confira.

 

O Presente (OP): Existem duas crises, uma de saúde e uma econômica, ligadas à pandemia do coronavírus. Como o senhor avalia o cenário atual, até diante de uma terceira crise que surge, que é a política?

José Carlos Schiavinato (JCS): Estamos vivendo realmente três dificuldades, sendo uma crise política devido ao oportunismo do momento. Temos que apoiar o nosso presidente Bolsonaro para que ele tenha forças junto ao Ministério da Saúde e da Economia, para que a gente possa concentrar as nossas votações em defesa do governo. Os assuntos políticos que vêm à tona estão fora de contexto. Nós não temos que, neste período, desviar as ações do governo para esses assuntos de ministros que querem denegrir a imagem do nosso presidente. Eu vejo que temos que nos preocupar, primeiro, com a saúde das pessoas e, depois, com a recuperação econômica do país. A grande preocupação do nosso presidente está na recuperação econômica do Brasil. Temos um governante que vem sendo praticamente engolido por essa pandemia e com vontade de fazer as operações necessárias para o nosso Brasil, mas que são prejudicadas agora principalmente em função da questão econômica. Eu tenho uma posição bem clara neste momento de apoio ao governo Bolsonaro. É possível que haja competência e conscientização das pessoas para que possamos unir as forças para dar essa sobrevida ao cidadão brasileiro. Depois dessa sobrevida ao cidadão brasileiro, tenhamos a força do trabalho, principalmente na região Oeste do Paraná, voltada ao agronegócio e que realmente fará a diferença na recuperação da economia. Sobre o coronavírus, estou há 60 dias aqui em Brasília seguindo rigorosamente as determinações. Eu tenho mais de 60 anos e preciso ficar recolhido. Aqui no Distrito Federal o processo de recolhimento da sociedade começou praticamente dez dias antes do que no Brasil. O governador (Ibaneis Rocha) tem sido muito firme nas suas decisões. Cada um fala uma coisa, mas é necessário que cada cidadão trate da sua sobrevida. Não adianta botar a culpa no governo, cada um cuida de si. Depois, se tiver dificuldade, os hospitais repletos de pessoas e que não tiverem respiradores necessários, não coloque a culpa no governo. Temos que nos cuidar.

 

OP: Pelo que dá a entender o senhor defende o isolamento social. No entanto, o Bolsonaro sancionou outras atividades que considera essenciais, como salões de beleza e academias. Como conciliar esse jogo em que vemos de um lado o presidente com um posicionamento e governadores com outro?

JCS: Isso é muito ruim no Brasil. Temos hoje o presidente, que tem um pensamento de que a economia precisa ser preservada mesmo às custas da vida de pessoas. Essa tem sido a posição do presidente. Eu acho que o presidente está dando muita atenção para a economia e deveria dar mais atenção para a sobrevida das pessoas. Eu sinto que ele poderia ter mudado o percurso ao longo das decisões, mas não fez por conta da situação que se apresenta no Rio de Janeiro e São Paulo. É uma questão política. Os governos do Rio e de São Paulo são contrários ao Bolsonaro e apresentam dificuldades de relacionamento. Aí há uma dificuldade de relacionamento com outros governadores, mas tudo isso é ocasionado pela questão envolvendo os governos de São Paulo e Rio. Não é algo que será resolvido durante a pandemia, por isso é importante que cada cidadão tire sua conclusão e possa fazer um trabalho em família para proteger a sua vida. Deixem o presidente com as suas colocações, porque claramente é uma questão política em função desses dois grandes Estados da Federação e que atrapalha a conduta do próprio ministro da Saúde. O presidente adota a possibilidade de reabertura de atividades não essenciais. Não adianta abrir, pois não terão clientes. As pessoas não vão frequentar os locais que tenham a dificuldade da pandemia, diferente de uma cidade do interior onde se apresentam poucos casos ou nenhum. Nos grandes centros não dá para agir dessa maneira, porque realmente o governante tem que ter a responsabilidade de cuidar da saúde.

 

OP: Na primeira resposta o senhor mencionou a respeito de oportunismo. Gostaria que falasse um pouco a respeito disso, por que está havendo oportunismo e de quem?

JCS: Oportunismo da oposição, nas nossas sessões. A fala é sempre a mesma, utilizando esses momentos em que o presidente, na sua maneira de ser, tem afinidade com as pessoas. O presidente não deixou de ser um cidadão comum. E oportunismo na saída de um ministro. Quantos ministros saíram ao longo de um governo? Saiu um ministro e pronto, foi reconduzido outro. Mas aí ficam criando crise política em função da ausência de uma ou de outra pessoa. Quando o ministro da Saúde (Luiz Henrique Mandetta) saiu do governo, no mesmo dia foi criada uma situação de atritos entre o presidente com a Câmara Federal, envolvendo o presidente Rodrigo Maia. A sociedade tem que entender que nós temos que trabalhar em benefício de todos e não dar trela a essas questões partidárias dentro do processo democrático, que tenham intenção de atrapalhar e denegrir, como aconteceu na sessão do último dia 14. Uma sessão com a maioria extrema da situação, 340 votos, mas uma manobra da oposição fez com que a pauta fosse encerrada e um projeto importante não foi aprovado. É democrático e todos têm direito, mas a oposição está aqui para poder, na medida do possível e utilizando todas as coisas possíveis, atrapalhar o Congresso e a administração do presidente Bolsonaro. Nós estamos aqui para fazer o contrário, para fazer com que o Congresso possa votar. Votamos muito a partir do momento que surgiu a pandemia. Nós vamos continuar apoiando nosso presidente e dando condição de governabilidade.

 

Deputado federal José Carlos Schiavinato sobre a aproximação do presidente Bolsonaro com o Centrão: “É um procedimento natural”

 

OP: Recentemente, o ex-juiz federal Sérgio Moro deixou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o que causou e ainda causa repercussão até diante de denúncias de possível tentativa de interferência do presidente na Polícia Federal. Na sua opinião, esse processo desestabiliza o governo?

JCS: Causa uma desestabilização, porque nós precisamos nesse momento de todas as forças na busca de resultados voltados à pandemia e à sobrevida das pessoas. Na saída do ministro Sérgio Moro, ele fez algumas colocações sobre a gravação de uma reunião ministerial. Quem conhece o presidente Bolsonaro imagina o que fala nestas reuniões. Ele fala a linguagem do povo, ele fala coisas como se estivesse em outro ambiente qualquer. É o jeito dele e logicamente isso distorce muito a situação. O presidente gostaria de ter conhecimento de todas as ações do governo. Será que não é justo que o presidente tenha conhecimento de todas as ações do governo? Aquilo que pode ser comentado se comenta; aquilo que não pode ser comentado não se comenta. São muitas coisas que são colocadas nesse meio com sentido de atrapalhar a governabilidade. Tudo isso vai sendo superado ao longo do tempo e nós estamos com atraso, porque a gente deveria falar de tantos assuntos e ficamos ocupando um tempo danado com essa crise. Vamos dar condição para que tudo isso seja resolvido da melhor maneira possível e que o Brasil continue com governabilidade, pois precisamos muito do governo, especialmente as pessoas mais humildes.

 

OP: Como o senhor tem avaliado a aproximação do presidente com o Centrão?

JCS: É um procedimento natural. Eu faço parte de um partido e votei 96% com o presidente Bolsonaro durante o ano de 2019. Eu me coloco como alguém em defesa dos interesses do Brasil. Não sei o índice de toda a votação dos congressistas, mas vejo que a grande maioria está a favor do governo. Os partidos se juntam nesse momento para ter a oportunidade da governabilidade, e isso faz parte do processo político. É um procedimento natural. O presidente pode ter tido uma opinião ou uma posição lá atrás que na prática não se aplica, mas é necessário que haja conversação para que nessa união entre vários partidos se possa dar outra oportunidade de se governar uma nação, bem como implantar as novas políticas do governo. Nós estamos junto com nosso partido, e junto com outros, em favor do governo federal.

 

OP: O senhor teme que essa aproximação com o Centrão acabe fazendo com que o presidente faça o loteamento de cargos e comprometa o governo?

JCS: Eu tenho conversado com deputados de vários partidos. Nunca ouvi de deputado algum que estivesse interessado na busca de cargos dentro do governo federal. O governo federal nomeou ministros e diminuiu o número de ministérios e as ações continuam acontecendo, e de maneira cordial. Nós, deputados, temos acesso ao governo federal e continua havendo a governabilidade sem a necessidade que seja feito loteamento de cargos públicos. Eu não vejo dessa maneira se alguma função tenha recebido indicação de um partido ou de outro. Hoje todas as indicações passam pela inteligência do governo e não se consegue colocar uma pessoa no governo que tenha problema com referência à Justiça. Isso tem sido um trabalho dentro do próprio governo federal e a convivência com os militares que estão ajudando o presidente Bolsonaro. É uma confiança quando você conversa com esses ministros e com essas pessoas que vêm do comando do nosso país, da área militar. A gente tem uma segurança absoluta na fala e pela confiança mútua. O Brasil está caminhando no sentido correto e os ajustes políticos são naturais dentro de uma democracia. Que tudo isso possa agregar a condição da governabilidade das ações.

 

OP: A manutenção da governabilidade passa necessariamente pela aproximação com o Centrão ou hoje o presidente já tem uma situação favorável?

JCS: Se analisar a votação que tivemos no ano passado independe da questão do Centrão ou não. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso perdeu a reforma da Previdência por um voto, há 20 anos. Nós tivemos agora, independente de questão política ou partidária, uma vitória ao presidente e ao Congresso esmagadora, sendo os votos da oposição com os deputados analisando a questão do Brasil futuro e a necessidade de se fazer a reforma previdenciária. Isso aconteceu sem que tivesse alguma negociação política entre o governo.

 

O Presente

 

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