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Política

“Estou de cabeça erguida e consciência limpa”, diz Copatti

calendar_month 12 de junho de 2018
6 min de leitura

Com o mandato de prefeito cassado pelos vereadores por seis votos a três, o ex-prefeito de Santa Helena, Airton Copatti (MDB), afirma que está de “cabeça erguida e com a consciência limpa” porque sempre fez tudo de forma correta. “Todos os meus atos no período em que estive no Executivo foram respaldados por pareceres jurídicos e com base na lei, por isso não há fundamentação jurídica para esta decisão. Sabíamos que há um grupo interessado em chegar ao poder a qualquer custo e que a decisão deste processo se daria por uma questão puramente política”, diz.

Em entrevista ao Jornal O Presente, Copatti resume que os últimos dias têm sido tensos e de muita apreensão. “Sabíamos que existia um plano traçado para um grupo político assumir o poder, existiam pessoas arquitetando isso e apesar da nossa defesa ser bem fundamentada e de o Ministério Público já ter arquivado esse mesmo processo por não ter visto irregularidades, sabíamos que o processo seria decidido por uma questão política”, reforça.

Copatti entende a cassação de seu mandato como uma injustiça e uma traição, porque além de ter se baseado na lei para tomar suas decisões enquanto prefeito, ele diz que buscou dialogar e explicar aos vereadores os impactos da cassação de seu mandato. “Isso leva a um grande prejuízo ao município. Um mandato jurídico quebra todo o clima de paz e harmonia que o município estava e agora vemos que as pessoas estão bastante revoltadas e indignadas, porque entendem que foi tirada a vontade do cidadão, aquilo que nos confiaram nas urnas”, pontua.

 

Jogo político

Em fevereiro, o secretário do Observatório Social de Santa Helena, Rafael Rodrigo de Lima, protocolou denúncia no Poder Legislativo contra Copatti com a alegação de que o então chefe do Poder Executivo havia cometido duas irregularidades: uma envolvendo a concessão de gratificação a servidores e outra com nomeações que se enquadrariam em casos de nepotismo.

Copatti observa que, assim como apontado por sua defesa, não há fundamentação jurídica para as acusações que levaram à cassação de seu mandato. “Todas essas decisões foram tomadas dentro da legalidade, sempre com parecer jurídico e isso foi comprovado pela nossa defesa. Entretanto, sabemos que existe um jogo político”, diz.

Ao falar sobre “jogo político”, o ex-gestor santa-helenense refere-se ao maior número de vereadores que fazem oposição à sua gestão, fazendo com que a base de governo esteja em menor número, com apenas três legisladores. “Sabíamos que para que não houvesse a cassação eram necessários pelo menos quatro votos posicionando-se pelo arquivamento do processo, e, tendo apenas três vereadores na base, passamos a ter várias conversas com todos os partidos e com os próprios vereadores, para que eles entendessem que este era um processo sem fundamentação e que traria grande prejuízo à população de Santa Helena”, expõe.

Até mesmo em seu pronunciamento no dia do julgamento do caso, Copatti argumentou neste sentido e enfatiza que houve o entendimento pelo vereador Valdonir Weizenmann (Titi) (PSL), que, apesar de fazer parte do grupo de oposição, posicionou-se pelo arquivamento do pedido de impeachment. “Parabenizo o Titi por sua postura e por ter entendido que dar andamento a este processo traria prejuízos à população, inclusive foi esse um dos argumentos colocados por ele como justificativa. Além disso, ele pontuou que, na denúncia por nepotismo, outros vereadores presentes na sessão em outras ocasiões estiveram na mesma situação, então se naquela época isso não foi um problema, por que agora é? É necessário ter coerência e isso foi uma colocação muito bem feita”, argumenta Copatti. Édson Wamms e Julio Morandi, ambos do MDB, também votaram contra a cassação de Copatti.

 

Reviravolta

O ex-prefeito comenta que, apesar do posicionamento favorável de Titi, não houve a mesma ação por parte de um dos vereadores da base. Juliana Ladeia Costa (PDT), que faz parte do grupo de Copatti, votou pela cassação de seu mandato. “Não existe justificativa para tal ato. Em sua fala, ela tentou pontuar algumas questões pessoais sem muito fundamento, porque tanto os vereadores da base quanto os da oposição sempre tratei de forma muito respeitosa, então não se justifica este tipo de atitude. É inaceitável”, avalia.

Ele diz que o voto a seu favor por parte da vereadora era esperado tendo em vista que ela faz parte de seu grupo político. “É realmente algo difícil de entender”, avalia.

Por outro lado, Copatti salienta que, nos últimos 20 dias, Juliana havia se isolado e eles não haviam tido contato. Além disso, a vereadora não assinou a moção de apoio feita pelo partido, onde, de acordo com ele, a maioria da executiva assinou a moção e se posicionou contra a cassação de seu mandato. “Além de Juliana, a outra pessoa do PDT que não assinou a moção foi o então vice-prefeito, Evandro Grade (Zado), que também não manteve uma postura em defesa da administração”, pontua.

Copatti ressalta que há muito tempo vinha pedindo uma postura de defesa da administração municipal por parte de Zado, o que, segundo ele, não ocorreu. “Isso me deixou muito chateado, porque não é uma postura de quem foi eleito lado a lado, de quem seria meu braço direito independente de erros de ambas as partes ou divergências”, diz.

 

 

Mudança na decisão

O ex-prefeito de Santa Helena reforça que buscará reverter a decisão dos vereadores na Justiça. “Fui eleito pela população e tive o direito cassado por seis vereadores que, apesar de também representarem a população, não levaram em consideração o desejo dos eleitores. Entendo que a vontade popular, de que eu administrasse o município por quatro anos, não está sendo respeitada. É muito injusto que o direito da população seja tirado por seus próprios representantes”, frisa.

A expectativa dele é de que seja feita Justiça. “Vamos buscar isso de forma legal e tranquila, pois sou contra qualquer tipo de violência. Queremos reverter este processo para dar continuidade ao trabalho que a população nos escolheu para fazer por quatro anos”, reforça.

 

Arrependimento

Apesar de ter participado ativamente da política apenas como prefeito neste mandato e menos de dois anos após sua eleição já ter sofrido impeachment, Copatti garante que não se arrepende de ter entrado neste meio e que não se irá se desfiliar do partido. “Apesar de tudo, estou de cabeça erguida e continuarei lutando para que o direito da população, para que o meu direito, seja respeitado”, garante.

 

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