Nome do ex-prefeito de Toledo foi confirmado como pré-candidato à Assembleia Legislativa pelo Progressistas
Ex-prefeito de Toledo, ex-vice-prefeito por dois mandatos e vereador por cinco vezes, sendo que por duas gestões ocupou a presidência do Legislativo. Este é o currículo político de Lúcio de Marchi (PP), que há poucos dias foi escolhido por seu partido para ser o pré-candidato a deputado estadual, ao lado do ex-deputado federal Dilceu Sperafico (PP), que novamente deve tentar uma cadeira à Câmara dos Deputados.
Em visita ao Jornal O Presente, Lúcio enalteceu a maturidade de lideranças do Progressistas que abriram mão da pré-candidatura em prol do seu nome. Ele também avaliou que o desgaste político que sofreu no seu mandato de prefeito está superado hoje. “Todos esses obstáculos que aconteceram nos quatro anos prejudicaram a reeleição. Trabalhamos apenas um ano com segurança, que foi 2019”, relembra.
O pré-candidato reforçou, ainda, a importância do Oeste do Paraná reconquistar a sua representatividade junto à Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Confira.
O Presente (OP): O Partido Progressistas oficializou o seu nome como pré-candidato a deputado estadual e de Dilceu Sperafico como pré-candidato a deputado federal. Houve um consenso dentro do PP em torno desta decisão?
Lúcio de Marchi (LDM): Houve, sim. Tivemos um período em que alguns pré-candidatos colocaram o nome à disposição, como o Luciano Schneider, Michel Becker e César Kruger, empresários bem-sucedidos, mas que terão sua oportunidade lá na frente. A política é assim e já começa a dar visibilidade aos nomes desses líderes de Toledo e que estarão juntos no processo eleitoral. Quanto ao Dilceu, é uma questão muito tranquila. Ele já soma seis mandatos de deputado federal e tem um nome concretizado no Paraná, e não só no Oeste. Ele falou ‘sim, sou pré-candidato a deputado federal’. E então veio a decisão de eu ser o pré-candidato a deputado estadual pelo Progressistas, até porque venho de uma história desde (os ex-prefeitos) Egon Puddel, Duílio Genari, Derli Donin, fui vice-prefeito na gestão do José Carlos Schiavinato (em memória) por dois mandatos, fui prefeito e sempre fui aliado do Sperafico. Então tem também essa junção para viabilizar as duas candidaturas na convenção.
OP: O Sperafico sempre falava do nome do Natan como possível pré-candidato. É algo superado dentro do partido o desejo dele ter seu filho na disputa eleitoral?
LDM: Por ser um líder e ter uma aproximação muito grande com o presidente Jair Bolsonaro (PL), e sendo dito na região que ele foi um grande pai para o Oeste e outros municípios do Estado, o Dilceu foi convencido pelas lideranças de que seria o nome preferido para uma disputa à Câmara Federal. O Natan é um jovem com futuro brilhante pela frente. Nem sempre o bom é o jovem e nem sempre o ruim é o mais idoso. Muitas vezes o que vale são as atitudes. Neste momento o Dilceu, pelo nome que já tem, é o pré-candidato e o Natan fica para uma projeção futura. Ele ainda será um grande político no Paraná.
OP: O senhor foi candidato à reeleição em 2020 para a Prefeitura de Toledo, mas não obteve êxito. Isso fragiliza a sua pré-campanha, especialmente a busca por votos no seu município?
LDM: Aquele foi um momento. Assumi o município (em 2017) em uma situação muito complicada. Os prefeitos que não seguirem a Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi instituída em 2000, ficam com implicações sérias em sua gestão. Infelizmente, peguei isso no início do meu mandato. Quinze dias após eu assumir, recebi um alerta do Tribunal de Contas (TCE) solicitando que fossem tomadas algumas medidas sob pena de responsabilidade. E fizemos isso, como a redução de cargos, quase que eliminamos as funções gratificadas, pagamento de horas extras, sendo que havia 54 mil horas extras acumuladas. Além destas medidas elencadas pelo TCE, adotamos o congelamento do salário do prefeito, vice-prefeito e secretários por quatro anos. Assumimos o município com 53,45% de gasto com pessoal. Quando chega em 49% já vem o alerta do Tribunal de Contas. Quando alcança 51,3% o município é impedido de fazer qualquer tipo de contratação. Toledo cresce muito acima da média nacional, o que exige mais profissionais, e não podíamos contratar. Tivemos muitos problemas, mas tomamos diversas medidas diante da gravidade da situação. Para colocar a casa em ordem foram dois anos, enquanto a população nos cobrava. Mesmo assim, neste período fizemos o maior investimento em saúde pública de Toledo. Realizamos a reabertura do Mini Hospital em 100 dias de governo e promovemos reforma e construção de novas unidades de saúde. Houve um investimento muito acima da média que acontecia ao longo da história do município. E, no último ano de gestão, em 2020, tivemos o problema com a pandemia. Os olhos do Paraná sempre ficaram longe da saúde do Oeste. Não havia leitos suficientes e tivemos que implantar um hospital de campanha. As notícias que vinham eram muito ruins e cheguei a ser orientado a abrir um crematório em Toledo. Foi preciso tomar medidas de restrição para não haver aglomeração. Isso tudo ocasionou um desgaste político naquele momento.
OP: Esse desgaste político está superado hoje?
LDM: Está superado. Em 2020 morreram em Toledo 84 pessoas em decorrência de Covid-19. As pessoas agora observaram que as medidas que tomamos foram seguras e para evitar mais mortes. Perdemos muitos entes queridos, inclusive o deputado federal Schiavinato, que era meu irmão, a esposa dele, a Marlene, e o filho dele, o Rafael, que foi meu secretário de Urbanização. Perdemos o presidente do Sindicato Rural, Nelson Paludo, quatro ex-vereadores, perdemos empresários, pessoas humildes, de todas as classes sociais. Ali começaram a verificar que as medidas que tomamos foram seguras para proteção da vida. Porém, no momento político foi usado de forma distorcida. Na primeira eleição (em 2016) fizemos uma votação muito grande e, sem dúvida, todos esses obstáculos que aconteceram nos quatro anos prejudicaram a reeleição. Trabalhamos apenas um ano com segurança, que foi 2019. E, mesmo com toda essa situação, fui o prefeito que mais investiu em saúde na história de Toledo.
OP: O senhor acha que é possível reconquistar aqueles votos de 2016, agora como pré-candidato a deputado estadual?
LDM: Sem dúvida. Estou muito preparado para ser deputado estadual. Além de partidariamente, tenho uma longa história em Toledo e uma grande amizade com pessoas que não se envolvem em política. E não só em Toledo como na região toda, como em Marechal Cândido Rondon, Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Quatro Pontes, Mercedes, Nova Santa Rosa, Ouro Verde do Oeste, São José das Palmeiras. Estamos em mais de 70 municípios do Paraná com pessoas nos ajudando. Temos intenção de sair de Toledo com uma boa votação e o restante dos votos buscaremos por meio do apoio regional.
OP: Quantos votos o senhor acha que são necessários obter em Toledo para conseguir êxito na eleição?
LDM: Eu creio que 30 mil a 35 mil votos em Toledo, que é o que esperamos fazer lá, para conseguir êxito nesta campanha.
OP: Toledo sinaliza hoje que deve ter em torno de cinco candidatos a deputados estaduais. Isso dificulta em virtude da possível divisão de votos?
LDM: Essa pulverização de partidos faz com que haja um número grande de pré-candidatos. No entanto, acredito que a população é inteligente e vai saber muito bem, nesta eleição, definir a legitimidade de candidatos que podem representar não apenas Toledo, mas toda a região. Eu me sinto preparado. A partir do que aconteceu na última eleição, de candidatos que nunca foram para Toledo e fizeram muitos votos, houve já uma boa conscientização que precisamos ter representatividade. A representatividade depende do cidadão.
OP: O município de Toledo ficou prejudicado pelo fato de que nesta legislatura perdeu representatividade na Câmara Federal e não elegeu ninguém para a Assembleia Legislativa?
LDM: Muito prejudicado. Só eu sei como ex-prefeito. Fiquei dois anos sem representante. Toledo perdeu R$ 20 milhões em convênios no momento em que ficamos sem representação. Nos dois anos que fiquei com representação do deputado Sperafico em Brasília e o Schiavinato em Curitiba, só do Estado conseguimos R$ 100 milhões. Foram quase R$ 50 milhões para resolver o problema da rede de esgoto e reservatórios de água. Foram mais de R$ 10 milhões para recuperação de estradas rurais e implantação de novas estradas asfaltadas. Fora o que foi conquistado na região. Toledo perdeu muito e sentimos na carne a falta de representação.
OP: Por que Toledo tem tanta dificuldade em unir as forças políticas para lançar menos nomes às disputas eleitorais?
LDM: É como expus: com esse pluralismo partidário muita gente se acha na condição de sair candidato. É difícil. O sistema democrático faz isso. Antigamente, aqui em Marechal Rondon, era Werner Wanderer e Gernote Kirinus, depois veio o Elio Rusch e Ademir Bier como deputados. Hoje são muitos os partidos. Toledo tem mais de 40 criados. É pressão de tudo que é jeito para lançar candidatos para somar legenda visando eleger os que estão em grandes centros. Essa é a verdade. Por isso que o povo de Toledo e da nossa região precisa ser muito inteligente e votar naqueles que possuem viabilidade eleitoral e são da região. Estes que vão trabalhar pelas demandas regionais.
OP: Em termos de disputa nacional, Bolsonaro ou Lula?
LDM: Eu votei no Bolsonaro. Tive problema com ele (na pandemia), porque precisei tomar medidas como prefeito, como a restrição, e ele veio com cloroquina lá em Brasília. Meu candidato é o Bolsonaro para presidente.
OP: Preocupa a polarização entre os dois pré-candidatos presidenciais e uma disputa tão acirrada?
LDM: Eu sou uma pessoa muito moderada. Se a pessoa está decidida a votar no Lula, vai votar no Lula. Isso não tem dúvida. É claro que vamos trabalhar com os indecisos, mas é muito claro que quem é Lula não vou criar confusão com esta pessoa para mudar o voto. Jamais vou fazer isso, senão perco o meu também.
Por Maria Cristina Kunzler/O Presente