Pré-candidato a deputado estadual, santa-helenense Alexandre Guerino diz que vai aguardar até o próximo mês para definir por qual partido disputará a eleição
Embora seja jovem, o santa-helenense Alexandre Guerino (Suco) (PSD) é um nome conhecido na política regional, pois circula neste meio há 20 anos. Filho do ex-vereador e ex-secretário municipal Aldemir Guerino, ele trabalhou na Prefeitura de Santa Helena e há 16 anos reside em Cascavel.
Suco já foi assessor do ex-deputado federaal Eduardo Sciarra e do deputado federal Evandro Rogério Roman. Atualmente, é assessor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em Cascavel.
Agora, ele entende que chegou a sua vez de encarar a eleição de frente e assumiu a pré-candidatura a deputado estadual. Em visita ao Jornal O Presente, Suco disse que ainda avalia o cenário para decidir se disputará o pleito pelo PSD ou em outro partido aliado do governador Ratinho Junior (PSD). Confira.
O Presente (OP): O senhor sempre teve envolvimento com a política, seja em Santa Helena ou regionalmente. Por que decidiu agora lançar seu nome como pré-candidato a deputado estadual?
Alexandre Guerino (AG): Tenho experiência de 20 anos. Comecei na Prefeitura de Santa Helena e em seguida fui convidado para ser assessor do então deputado Sciarra, depois trabalhei com o Roman por um mandato. Isso me possibilitou conhecer muita coisa em Brasília e Curitiba. Claro que temos muito a aprender, mas posso dizer que se chegar à Assembleia Legislativa já sabemos os caminhos para atender aos municípios lindeiros, os quais conheço bastante e frequento.
OP: O senhor foi um dos fundadores do PSD de Santa Helena. Diante das conversas nacionais e da possibilidade da formação de federação, a pretensão é se manter no partido?
AG: Estou no PSD, mas avaliando a possibilidade de mudar. Já recebi convite de outros partidos, mas vou aguardar até os últimos dias (do prazo). Se eu sair do PSD, com certeza estarei alinhado a um partido que esteja com o governador Ratinho Junior. Vivemos um momento de instabilidade no nosso país politicamente e precisamos aguardar. Sou um dos fundadores do PSD não só de Santa Helena, mas da região Oeste, e realmente tenho que pensar o que é melhor para mim, para meu grupo e para a região. Vou aguardar para tomar essa decisão mais lá na frente, mas estará alinhada ao governador.
OP: O que será decisivo para permanecer ou não no PSD?
AG: Temos que trabalhar com todas as hipóteses. O PSD é o partido do governador e como mudou o formato das eleições, há muitos partidos que teriam candidatos, mas eles estão saindo destas siglas menores e indo para partidos maiores. No caso do Paraná, o PSD é hoje o maior partido, mas nem todos vão conseguir montar chapa (na proporcional). Isso faz com que muitas pessoas que se elegeram no partido B ou C saiam por não conseguir formar chapa e se filiem ao PSD. Vou analisar com muita calma e cautela, conversando sempre com as pessoas que me apoiam, para tomar essa decisão no momento certo.
OP: Com o fim das coligações na proporcional e a tendência de muitas filiações ao PSD, até por ser o partido do governador, acha que será uma eleição difícil para os candidatos a deputado estadual da sigla?
AG: Hoje é uma eleição difícil, porque além de ter vários deputados, tem vários outros que estão saindo de suas siglas para ir ao PSD. Pelo que sabemos o PSD tem 80 pré-candidatos para 55 vagas. Portanto, tenho que analisar com muita calma e cautela para saber o rumo que vamos tomar. Pensando na questão da legenda, em outro partido com menor número de votos podemos conseguir a cadeira. Contudo, essa decisão vou tomar mais para frente.
OP: Não sendo o PSD, em qual partido o senhor teria afinidade?
AG: Recebi convite do Republicanos, que é um partido alinhado com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o governador Ratinho Junior. Estou estudando a possibilidade, junto com as pessoas que me ajudam, para no momento certo tomar essa decisão.
OP: Em qual base eleitoral o senhor pretende buscar esses votos?
AG: Eu tenho uma história muito bonita em Santa Helena, desde quando eu tinha nove meses de idade e cheguei com minha família no município, vindo do Rio Grande do Sul. Faz 16 anos que moro em Cascavel, mas quero ser o representante da região lindeira do Oeste do Paraná. Eu conheço essa região e conheço a realidade de cada uma dessas cidades. Quero fazer ao menos uma parte do que já fizeram pela Costa Oeste os deputados Elio Rusch (DEM) e Ademir Bier (PSD).
OP: Já houve alguma conversa com o prefeito de Santa Helena, Evandro Grade (Zado)?
AG: Já tive duas conversas com o prefeito Zado. Ele é meu amigo de longa data e estamos no mesmo partido. Estivemos juntos em todas as eleições. Sei que ele tem compromisso com outros pré-candidatos, o que é normal, como o deputado estadual Marcel Micheletto (PL) e o deputado federal Sandro Alex (PSD). Pode ter certeza que estaremos juntos. Sou da cidade e ele sabe disso. Fui criado em Santa Helena e tenho toda uma história lá. Se eleito vou cuidar de Santa Helena com muito carinho.
OP: Avaliando o cenário hoje, acredita que o governador Ratinho Junior permanece no PSD?
AG: Analisando algumas informações que recebemos de Brasília, pois há toda essa questão da federação, se o PSD não formar essa aliança com o PT nacionalmente acho que o Ratinho tem grande chance de permanecer no partido. O PSD é forte, consistente e é o maior partido do Estado hoje. Também entendemos que daqui a pouco pode mudar, porque na política tudo pode acontecer. Ele tem até 31 de março para tomar essa decisão, mas acredito que vai permanecer no PSD.
OP: A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em adiar o prazo para formalizar as federações partidárias trouxe uma incerteza para o cenário político e, em especial, para aqueles que desejam se candidatar?
AG: Com certeza trouxe. Estamos a oito meses da eleição e já deveríamos ter esse quadro, este cenário, a regra definida no final do ano passado. Não é possível entrar no ano da eleição não sabendo como vai coligar, como vai agir, como será o processo eleitoral. Nosso país vive uma instabilidade muito grande neste sentido, deixando os próprios candidatos perdidos sobre como fazer. É um erro muito grave do Supremo, porque é difícil para quem é pré-candidato tomar uma decisão, principalmente no momento político que vivemos no país, em que existem dois extremos, além da terceira e a quarta via.
OP: O senhor avalia que esses extremos, envolvendo Lula (PT) e Bolsonaro, devem tornar a eleição uma das mais acirradas?
AG: Tenho percorrido o Oeste do Paraná e um pouco do Sudoeste e acredito que será uma eleição difícil, complicada, em que os dois extremos estão à flor da pele. Tenho medo que muita coisa possa acontecer, dependendo de quem ganhar a eleição. Vamos torcer para que o bem vença o mal, que os conceitos de família prevaleçam na eleição e que a sociedade civil organizada tenha consciência do que vai fazer. Não podemos retroagir. Precisamos andar para frente.
Por Maria Cristina Kunzler/O Presente