Engana-se quem pensa que o vice-prefeito de Marechal Cândido Rondon, Ilario Hofstaetter (Ila) (PL), está fragilizado ou com alguma sequela após ter contraído Covid-19.
Quando estava em isolamento, no final de março, notícias se espalharam de que ele teria sido intubado e estava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município à espera de uma vaga em unidade de terapia intensiva (UTI). Tudo não passou de boatos.
“Se eu falar que estou 100% é mentira, mas estou muito bem. O que foi divulgado lá atrás e repercutiu em órgãos de imprensa e redes sociais não procede em nada. Tive mal e mal uma febre. Fiquei na UPA por uma questão de precaução. Não precisei de oxigênio e não fui intubado. Meu estado de saúde estava muito bem e sempre estive bem”, frisou ao Jornal O Presente.
Nesta entrevista, Ila fala sobre a pré-candidatura a deputado estadual do prefeito Marcio Rauber (DEM). Se isso ocorrer, ele assume em definitivo o paço municipal, pois o democrata precisaria renunciar ao mandato.
O vice-prefeito enaltece que está preparado para ser prefeito se a conjuntura política levar Rauber a alçar voos maiores. Entretanto, ele enaltece que as definições passarão por uma série de análises do cenário, que mudou totalmente após o falecimento do deputado federal José Carlos Schiavinato (PP). Confira.
OP: Recentemente, o prefeito Marcio Rauber admitiu que é pré-candidato a deputado estadual. O senhor acha que ele vai mesmo ser candidato?
IH: A decisão não parte só do próprio Marcio, mas a vontade é muito grande da população de Marechal Cândido Rondon em ter novamente um candidato. O Marcio é pré-candidato, mas há um contexto que precisa ser analisado em nível regional. Às vezes a minha vontade pode ser muito maior daquilo que sou, mas preciso avaliar se tenho condição. O Marcio hoje é uma pessoa preparada se for candidato. Ele estaria preparado para assumir um cargo, mas temos que analisar se temos os votos suficientes, quantos que precisam. Tudo precisa ser avaliado, pois não basta só querer. Por mais que queira, hoje o cenário político e o fim das coligações na proporcional podem fazer com que esteja em um partido que talvez precise de muito voto. Volto a frisar que tudo precisa ser analisado.
OP: O município perdeu na eleição de 2018 seus dois deputados estaduais, o Ademir Bier (PSD) e Elio Rusch (DEM). O senhor acredita que o município ainda tem condição de eleger um deputado estadual?
IH: Nós temos em Marechal Rondon dois nomes que não são do município, mas estão fazendo um trabalho aqui: o Marcel Micheletto (PL) e o Hussein Bakri (PSD). Nós temos compromisso com estes deputados. Porém, se dentro do cenário político pedirem para o Marcio ser candidato, não só o Ila como toda nossa equipe vai trabalhar para que as coisas aconteçam. Vai depender do cenário político, e não depende apenas de Marechal Rondon. Perdemos de fato dois deputados estudais, o Ademir e o Elio. O Marcio seria um nome forte? Acho que sim. Tem condição? Sim, eu o conheço muito bem. É uma pessoa que olha para frente e teria condição de desempenhar o papel de deputado estadual com sabedoria e, principalmente, da forma como vem administrando o município, que está sendo um exemplo.
OP: A morte do deputado federal José Carlos Schiavinato muda as discussões em torno da pré-candidatura do prefeito Marcio?
IH: Muda, com certeza. O cenário antes era um e hoje tudo alterou. É lamentável a perda do deputado federal Schiavinato. Ele foi um grande deputado e sempre ajudou nosso município. Aqui fica nosso reconhecimento pelo que fez por Marechal Cândido Rondon e por todo Oeste. Agora outros nomes podem surgir da região. Há pessoas que estão como deputados estaduais e podem alavancar e ir para deputado federal. Aí abre-se uma porta para Marechal Rondon, de repente, colocar o nome do prefeito Marcio a candidato a deputado estadual.
OP: O deputado Micheletto é do seu partido e o nome dele, inclusive, vem sendo cotado como possível candidato a deputado federal. O senhor acha que ele abraça o novo projeto ou disputa a reeleição?
IH: Nas discussões às vezes a vontade é uma, mas tem que ver a questão partidária. Se formos analisar a região, não temos deputado federal daqui. O único que tinha era o Schiavinato. Se o Micheletto colocar o nome à disposição abre uma porta para alguém representar o próprio Micheletto, que fez bastante voto em Marechal Rondon, para deputado estadual. E qual seria o nome mais cogitado? Eu gostaria que fosse do prefeito Marcio Rauber.
“Se formos analisar a região, não temos deputado federal daqui. O único que tinha era o Schiavinato. Se o Micheletto colocar o nome à disposição abre uma porta“
OP: O senhor é do PL e ainda não se sabe qual caminho o Micheletto vai tomar. Se ele for candidato à reeleição e o prefeito Marcio for candidato a deputado estadual, qual deles terá seu apoio?
IH: O prefeito Marcio tem assumido compromisso com o deputado Hussein e com o Micheletto. Precisamos respeitar os deputados que estão trabalhando por Marechal Rondon. E essa decisão não parte só dele. Precisamos ouvir a base. O Micheletto vem a estadual? O Marcio vai a estadual? Provavelmente o cenário muda de novo. Há uma briga dentro da região Oeste. Se o Micheletto for candidato vamos respeitar e apoiar. Apoiaremos o Micheletto e o Hussein. Mas aí também vem aquela questão caso seja uma decisão lá de cima para que o Marcio seja candidato. Então precisaremos avaliar.
OP: O senhor acredita então que o cenário está totalmente aberto em relação a possíveis candidaturas?
IH: Com certeza. Está totalmente aberto. Temos novidade a cada dia vindo e, voltamos a frisar, com a morte do deputado Schiavinato o cenário mudou totalmente.
OP: O senhor acha que o prefeito deve tomar a decisão até quando?
IH: A decisão não parte somente dele. O prefeito está ouvindo os companheiros, a base. Também passa por interferência de cima. De repente colocamos cinco, seis candidatos, e perdemos o que temos. Essa é uma decisão que precisa ser tomada e deve ser madura. Se for lançado candidato aqui, lá, ninguém chega a lugar algum. É preciso ter maturidade para abraçar uma candidatura.
“Se for lançado candidato aqui, lá, ninguém chega a lugar algum. É preciso ter maturidade para abraçar uma candidatura”
OP: Muitas vezes no meio político a vaidade fala mais alto. As lideranças terão essa maturidade?
IH: O Marcio já demonstrou sua qualidade. Digo que na política existe muito ciúme e esse é o pior de todos. A ciumeira das coisas acontecerem e não querer ver o crescimento individual daquela pessoa. O Marcio tem demonstrado que é bem maduro para administrar tudo isso. Tenho certeza que ele está ouvindo muitas pessoas, muitos com conhecimento e bagagem política, para não darmos um passo maior que a perna alcança.
OP: O senhor se sente preparado para ser prefeito, caso o prefeito renuncie ao mandato para disputar a eleição ano que vem?
IH: Eu sempre estive preparado para tudo. Gosto de desafios e politicamente já provei quando estive na Câmara por quatro mandatos como vereador e duas gestões como presidente do Legislativo. Temos no paço municipal um bom time, uma boa equipe. Nisso, acertamos na escolha dos nossos secretários, que nos têm dado amparo e guarida para esse bom trabalho que está acontecendo no município.
OP: Se for prefeito, o senhor muda algo na forma de fazer gestão?
IH: Estamos indo muito bem. Se for preciso mexer, se mexe para melhorar. No entanto, da forma como estamos administrando, e quando falo ‘nós’ me refiro ao prefeito, ao vice-prefeito e toda equipe, tem permitido que as coisas aconteçam, e elas estão acontecendo. Não posso dar uma opinião porque não há nada definido. Eu e o prefeito conversamos muito e as decisões a serem tomadas também vão acontecer. Se o Marcio for candidato preciso respeitar a decisão dele. Montamos uma equipe que está indo muito bem.
OP: O senhor pretende continuar na vida pública?
IH: Sempre dissemos ‘nunca diga não’, mas sendo sincero está perto do fim.

OP: Este é seu último mandato?
IH: Pode ser. Sobre pretensões futuras, serei franco: a minha vontade política, com todo este cenário no Brasil, é encerrar no dia 31 de dezembro de 2024.
OP: O senhor já visualiza algum nome do grupo de situação que poderia disputar a eleição como candidato a prefeito em 2024?
IH: Contamos com vários e bons nomes. Estamos conversando, dialogando, mas a decisão vai partir do grupo político. Não basta só uma pessoa querer. Precisa ver se o grupo vai apoiar aquela pessoa. Tudo isso é uma tratativa que precisa ser bem analisada. Se lá na frente o grupo decidir que determinado nome é o melhor candidato, temos que acatar e assim vamos respeitar. E temos bons nomes.
OP: Qual perfil o senhor acha que deve ter o possível candidato a prefeito do grupo?
IH: É o perfil que a sociedade pede. Tem que ser empresário, dinâmico, trabalhador. O Marcio demonstrou tudo isso. O prefeito não tem preguiça em trabalhar. Como disse, dentro do nosso grupo contamos com bons nomes e todos serão muito bem avaliados. E certamente colocaremos ao crivo da sociedade lá na frente para sabermos se é o candidato ideal.
OP: O senhor acha que o ex-deputado federal Dilceu Sperafico (PP) volta para a vida política?
IH: Estou ouvindo comentários que ele não quer (voltar). Se ele for candidato, é um nome forte. É um nome muito respeitado na nossa região pelo que fez e pelo que trouxe para todo Oeste do Paraná. Outro nome que preciso destacar aqui, que é muito forte, é o deputado federal Fernando Giacobo (PL), que tem contribuído com Marechal Cândido Rondon.
OP: O senhor fez a maior parte da sua vida pública na Câmara dos Vereadores, que na última eleição passou por uma renovação e hoje conta com nomes novos, e de jovens inclusive. Como tem avaliado essa legislatura?
IH: Vejo nomes novos, pessoas novas, mas com mentalidade madura. Essa é a visão que tenho hoje. É uma Câmara diferente, com pessoas que querem o bem de Marechal Rondon e estão trabalhando pelo bem do município. Aquela política do ‘eu’ acabou. Temos que pensar no bem da população como um todo e não apenas no individualismo. É desta forma que vejo: nossa Câmara tem vereadores maduros e com pensamento voltado ao crescimento do município.
Por Maria Cristina Kunzler/O Presente
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