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Política

Ex-prefeito de Entre Rios do Oeste, Lauro Rohde não descarta candidatura no futuro

calendar_month 27 de agosto de 2019
12 min de leitura

“Só se atira pedra em árvore que dá fruto”. Essa é a frase que fez Lauro Rohde, segundo prefeito de Entre Rios do Oeste, tornar-se conhecido tanto no município quanto na microrregião. Líder do movimento pró-emancipação, Rohde é natural de Candelária, no Rio Grande do Sul e chegou à região em 1968, para trabalhar no setor de contabilidade de uma grande empresa de Toledo.

Amigo de João Natálio Stein (in memoriam), primeiro prefeito de Entre Rios, foi ele quem convenceu Rohde a mudar-se para o então distrito rondonense em 1970, onde abriu o primeiro escritório de contabilidade no local, que por anos foi o único.

Apenas dois anos depois de chegar a Entre Rios do Oeste candidatou-se ao cargo de vereador em Marechal Cândido Rondon, obtendo êxito nas eleições de 1972 e depois em 1988.

Pela experiência como liderança política e por acompanhar o primeiro ano de mandato de Stein, na segunda eleição municipal, em 1992, tornou-se o segundo prefeito do recém-emancipado município. “Cheguei à prefeitura preparado por ter acompanhado de perto o trabalho do Stein, sendo chefe de Gabinete na gestão dele e já tendo sido vereador. Mas criar um município foi muito difícil. Até que vieram as primeiras verbas, primeiras máquinas, o primeiro veículo. Nós enfrentamos uma batalha muito grande para criar e desenvolver Entre Rios do Oeste”. Confira a entrevista.

 

O Presente (OP): O senhor é uma liderança bastante conhecida e respeitada em Entre Rios do Oeste e na microrregião. Logo que chegou a Entre Rios, quando ainda distrito de Marechal Rondon, ganhou destaque especialmente pela sua atividade profissional, ao fundar o primeiro escritório de contabilidade local. Pouco tempo depois engajou-se na questão política, liderando inclusive a comissão pró-emancipação de Entre Rios. Quais os desafios do início da sua trajetória política?

Lauro Rohde (LR): O João Stein (in memoriam) foi o principal contato para eu vir para Entre Rios do Oeste. Quando cheguei, em 1970, as lideranças políticas ainda eram poucas, a movimentação era pouca e o distrito era pequeno e bastante afastado de Marechal Rondon. Foi o próprio Stein que disse “nós temos que fazer um movimento político aqui”. E começamos por meio da transferência dos títulos de eleitor, já que muitas pessoas vindas do Rio Grande do Sul ainda não haviam transferido. Com a autorização do cartório de Marechal Rondon, preenchíamos os formulários e devolvíamos para o cartório para a transferência. Fizemos uma campanha bastante significativa neste sentido.

 

OP: Em 1972, na quarta eleição municipal de Marechal Rondon, o senhor foi eleito como vereador com 1.241 votos, representando o distrito de Entre Rios na Câmara rondonense. Como foi esta entrada, de fato, na política local?

LR: Meu mandato foi até 1977, a primeira vez que fui eleito vereador, e naquela primeira gestão, vereador não tinha salário. Era um trabalho de doação. Como Entre Rios era o último, o distrito mais longe de Rondon, havia grande dificuldade em conquistar investimentos e máquinas, até mesmo Rondon tinha dificuldade pelo município estar recém começando.

Em 1988 fui novamente eleito como vereador em Rondon permanecendo na Câmara nos quatro últimos anos antes de Entre Rios ser emancipado.

Naquele período iniciamos uma campanha para a emancipação de Entre Rios, montando uma comissão pró-emancipação, da qual eu fui presidente e João Stein presidente de honra. Era um grupo de aproximadamente 30 pessoas, suprapartidário, que contava com líderes políticos, professores, empresários e várias pessoas da comunidade. Este também foi um trabalho voluntário, em que cada um doou seu tempo, saiu nas ruas e pelo interior para falar que gostaríamos de criar um município. Houve inclusive uma campanha para que São Clemente passasse a pertencer a Entre Rios, que foi uma ideia aceita pela comunidade de lá, porém a Câmara de Santa Helena não concordou, então criamos o município sozinhos.

No plebiscito de 1991 vimos o resultado: 98% da população concordava com a emancipação de Entre Rios. Haviam algumas pessoas que divergiam dessa ideia, gostariam que Entre Rios se mantivesse pertencendo a Rondon ou até Pato Bragado, mas como a maioria quis, foi emancipado.

 

OP: João Stein, primeiro prefeito de Entre Rios do Oeste, foi quem motivou o senhor a vir para a localidade. Como foi trabalhar junto dele?

LR: Ele foi uma liderança incontestável. Para mim, o maior líder que existiu aqui na região. Na gestão dele como prefeito, a primeira quando da emancipação, ocupei o cargo de chefe de Gabinete e pude acompanhar o trabalho dele de perto.

O Stein ajudava muito as pessoas mais necessitadas. Quando foi instalado o sistema de água no município, me lembro dele falando “não vamos cobrar uma taxa muito cara de água, vamos cobrar bem baratinho porque aqui temos royalties e outras formas de arrecadar”. Ele sempre tinha esse olhar, essa intenção de tornar os serviços mais acessíveis e ajudar as pessoas menos favorecidas. Ele era um cara muito humano.

O Stein era muito calmo e tranquilo e eu já era meio “atravessado”, então ter ele como primeiro prefeito foi uma acertada muito grande, porque acompanhei o trabalho dele de perto e consegui ter apoio para dar sequência à construção do município.

 

OP: Em 1996 o senhor foi eleito prefeito de Entre Rios do Oeste, na segunda eleição. Como foi liderar o Executivo?

LR: Eu estava preparado. Mas considerando a emancipação, dentre outros aspectos, as primeiras gestões tiveram dificuldades. Quando criamos o município, o Ademir Bier era prefeito de Rondon e tivemos que ir conversar com ele, pedir patrola, pedir máquinas e ele nos auxiliou. Antes disso, na emancipação, Dieter Seyboth era prefeito e nos ajudou muito. O Elio Rusch também foi uma pessoa bastante muito importante. Rondon era o município mãe e nós éramos o filho.

Até que começaram a chegar as verbas, foi bastante penoso. Os móveis para montar a prefeitura, por exemplo, pegamos emprestados do Banco do Brasil de Rondon e algumas coisas também da Itaipu.

 

OP: Com toda essa caminhada e experiências, como o senhor analisa a política de Entre Rios do Oeste hoje? Há uma grande divisão entre situação e oposição como vemos em um âmbito mais geral?

LR: Em uma cidade pequena como Entre Rios do Oeste existe mais união. Há situação e oposição, pessoas que querem despontar na política, mas não é nada feroz.

Todos os prefeitos que passaram pelo Executivo de Entre Rios fizeram a parte deles, todos deixaram uma marca importante. Hoje o Jones Heiden está indo muito bem, já no seu segundo mandato, tendo oportunidade de desenvolver o município, as quais eu não tive. Ele conseguiu uma união de deputados federais e estaduais em prol do crescimento local que direcionou muita verba para cá e ele soube aplicar.

 

OP: Entre Rios do Oeste é um município bastante jovem, são apenas 27 anos desde a emancipação. Neste aspecto, como o senhor observa a questão de desenvolvimento, tanto em termos político, quanto econômico e social?

LR: Pela proximidade que um município tem do outro aqui na região, acredito que Entre Rios do Oeste não vá crescer de forma significativa. Temos algumas indústrias que são grandes geradoras de emprego e renda, mas quando olhamos os municípios do entorno, muitas vezes eles acabam tendo atrativos a mais para a instalação de empresas de grande porte. Por outro lado, temos um potencial enorme na agropecuária, especialmente na criação de suínos. Entre Rios é o maior criador de suínos da região Oeste em proporção ao tamanho do município e população, então acredito que se continuarmos fomentando este setor, o município crescerá conforme as demandas e necessidades locais.

Estamos progredindo dentro do limite do município. A própria Copagril instalou uma grande fábrica de rações aqui, que atende toda a região, temos alguns empresários fortes que estão se desenvolvendo muito bem, a prefeitura tem auxiliado com os incentivos necessários, porém, acredito que não haverá um progresso monstruoso, por exemplo, em número de habitantes.

Morar aqui é muito bom. Temos pessoas que vêm de outros Estados para morar aqui, algumas pessoas saindo do interior do município para se instalar na cidade, então esse desenvolvimento avalio que está muito bom. Ninguém passa fome, tem trabalho para todo mundo. Um município pequeno como o nosso, que tem suas potencialidades, é muito bom para se viver, oferendo ótima qualidade de vida.

 

OP: O senhor ainda continua engajado na política? Está filiado a algum partido?

LR: Sim, sou filiado ao Democratas.

 

OP: Pensa em voltar a se candidatar a algum cargo no futuro, ou prefere atuar mais na articulação e auxílio ao seu grupo político?

LR: Articular eu sempre ajudei. Hoje, apesar de o Democratas estar um pouco em baixa, na região especialmente pelo Elio Rusch não ter sido eleito, eu jamais vou trocar de partido. Eu sou Democratas.

Quanto a me candidatar, eu não sei se vai ser na próxima eleição. Isso depende dos candidatos que vão surgir, de reuniões do partido e de fazer uma pesquisa para saber quem está dentro e quem não está.

 

OP: Como o senhor avalia a perda de representatividade política da região Oeste, especialmente pela não reeleição do Elio Rusch e do Ademir Bier como deputados estaduais?

LR: Quando o Stein foi prefeito, o Elio Rusch era nossa referência. Em Curitiba nós tínhamos deputado. Se não tivéssemos ele, não sei como nós iríamos chegar em uma Secretaria Estadual e conseguir recursos. O fato de a nossa região não ter nem o Elio nem o Ademir Bier é um fracasso. Acho muito errado e um resultado que não dá para entender. Nossos políticos, que tanto lutaram por Rondon, pelo crescimento dos municípios que se emanciparam, não estão mais lá por nós, e isso realmente é um fracasso para a nossa região.

Nas eleições de 2018 havia uma onda de mudança. As pessoas queriam gente nova, partidos novos, e isso aconteceu em todo o Brasil.

 

OP: No âmbito local, a política de Entre Rios do Oeste saiu fortalecida com o resultado da última eleição municipal?

LR: Talvez sim, se fortaleceu com os nomes eleitos. Apesar de termos alguns vereadores que fazem oposição ao governo municipal, não chega a existir uma divisão que atrapalhe o andamento dos trabalhos. Os projetos são aprovados sem muita confusão em prol do bem do município.

Há poucos dias ouvi um rapaz dizer que foi o maior fracasso Entre Rios criar o município e eu argumentei que ele não fazia ideia do que estava falando, não tinha o menor conhecimento de como a emancipação foi boa para a nossa cidade.

Essa fala se dá porque muitos acham que os vereadores estão lá só para receber salário, sem fazer nada e o prefeito enche a prefeitura de funcionários e não desenvolve o município. Essas pessoas não fazem ideia do que falam. É só olhar para a infraestrutura que Entre Rios do Oeste tem.

A criação do município foi o fato mais importante que aconteceu em Entre Rios, se não fosse isso nós estaríamos na lona. O distrito mais longe de Rondon iria ficar a ver navios em termos de investimento, crescimento e desenvolvimento.

 

OP: Ano que vem ocorrem as eleições municipais. O senhor disse que, a princípio, não pretenderia disputar nenhum cargo e é até cedo para falar, mas o Democratas tentaria ir com o prefeito? Ou há alguma intenção de ocorrer uma união, um consenso?

LR: É falado nos bastidores neste sentido de ficarmos juntos na próxima eleição, até a ponto de uma candidatura única. O Democratas não está muito bem de candidatos, então os outros partidos acho que estão com uma vantagem sobre nós. Mas ainda é preciso esperar para ver. Não adianta trocarmos de partido, se não, quem vai ficar? Temos que aguardar mais para ver. Talvez fazer uma pesquisa para ver quem está melhor, quem pode entrar.

 

OP: E como o senhor vê o Estado do Paraná? O governo estadual está indo bem? Há projetos bons acontecendo?

LR: Eu acho que nós estamos muito bem com os governadores. O Beto Richa, por exemplo, foi muito bom para Entre Rios do Oeste; depois vieram os noticiários. O Ratinho também acredito que está indo bem.

 

OP: Em nível de Brasil, qual a sua opinião sobre o governo federal?

LR: Todo mundo apostou no Bolsonaro, né? Foi uma aposta, todo mundo arriscou. Então agora tenho fé. Ele está se desgastando bastante com diversas situações que ocorrem no país, agora, por exemplo, essa questão do bloqueio do Fundo Amazônia pela Noruega e Alemanha, que eram os dois maiores doadores.

O Bolsonaro é duro na queda, tem um jeito áspero, mas ele é empenhado. Quando quer defender a ideia dele, bate de frente.

 

OP: O senhor acredita que o Jair Bolsonaro vai conseguir fazer uma boa gestão?

LR: O Bolsonaro tem algumas coisas positivas, algumas medidas que ele está tomando, como no caso da reforma da Previdência, que dizem ser essencial. No Congresso até os que não gostam do Bolsonaro estão votado a favor, então ele tem aspectos positivos. Por outro lado, ele não é sensível, ele quer ser linha dura. Acredita que como o Donald Trump lá nos Estados Unidos, que fala muitos absurdos, ele também pode falar, tomar decisões mais radicais.

Se ele fosse um pouco mais sensível, seria muito melhor como presidente. Ele é bastante duro, mas é difícil a gente julgar. Vamos continuar apostando nele e ver no que vai dar.

 

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Ex-prefeito de Entre Rios do Oeste, Lauro Rohde: “É falado nos bastidores de ficarmos juntos na próxima eleição, até a ponto de uma candidatura única. Mas ainda é preciso esperar para ver. Temos que aguardar” (Foto: Joni Lang/OP)

 

 
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