O clima político em Mercedes já esquenta um ano antes da eleição. Recentemente, o vice-prefeito Edson Schug (MDB) anunciou que estava migrando para o grupo de oposição, onde foi anunciado como pré-candidato a prefeito.
Agora, ao Jornal O Presente, a prefeita Cleci Loffi (MDB) diz lamentar a decisão de Schug, com o qual manteve amizade por mais de 30 anos. Ela criticou ainda que o vice-prefeito não teria sido honesto sobre sua saída do grupo de situação. “O mínimo que a gente esperava dele é que chegasse aqui na nossa frente e dissesse: ‘Não faço mais parte deste grupo. Eu estou partindo para o grupo oposição’. Aí eu acho que ele estaria sendo honesto conosco. Mas não, a gente ficou sabendo isso por corredores”, desabafou, em entrevista. Confira.
O Presente (OP): Estamos há um ano da eleição e, recentemente, o vice-prefeito Edson Schug (MDB) anunciou que estava deixando o grupo de situação para ser o pré-candidato a prefeito pelo grupo de oposição. Como a senhora avalia essa decisão dele?
Cleci Loffi (CL): Já esperávamos essa atitude, porque vínhamos ouvindo comentários há muito tempo em relação a essa possível mudança dele de lado partidário. Hoje estamos nos organizando de uma forma muito diferente, porque ele sendo vice-prefeito e permanecendo no grupo era pré-candidato até então da situação. Hoje, totalmente descartada essa hipótese, estamos trabalhando com outros nomes muito fortes também para entrar na campanha e ganhar a eleição em outubro de 2020. Já estamos totalmente adaptados à ideia, pois são caminhos que vão para direções diferentes. O Edson está fazendo a pré-campanha já como pré-candidato, usando os argumentos que ele acha possível usar para que o nome dele tenha uma aceitação, principalmente começando dentro do grupo da oposição, pois todo mundo sabe que ele não teve essa aprovação tão grande lá. E também, por outro lado, correr atrás das pessoas que são situação, pois hoje é visto dentro do grupo de situação como uma pessoa que traiu. Ele não traiu somente a prefeita Cleci, os secretários, mas os mais de dois mil eleitores que votaram na dobradinha Cleci e Edson Schug na última eleição. Portanto, hoje estamos trabalhando sem receios nenhum e nós não vemos que isso vai impactar tanto na nossa campanha, porque, como eu disse, estamos nos articulando para realmente ter nomes fortes e que, diferente de quem seja o lado da oposição, que façamos a nossa campanha, levando propostas para a população, as quais vão demonstrar a seriedade do grupo, como foi esse governo de 2005 até hoje. É um governo que não deixou manchas, que fez muito pelo município e é isso que a gente vai propor para a população: justamente continuar nesse crescimento, fazer com que Mercedes continue nessa evolução e que não haja essa ruptura. O que nos preocupa mesmo é o bom andamento do município.
OP: A senhora se sente ou se sentiu decepcionada com a decisão tomada pelo vice-prefeito?
CL: Com certeza, porque não somente como vice-prefeito, eu e ele tínhamos uma relação de amizade de 30 anos e essa amizade se abalou com tudo isso. Trinta anos não é pouco, e, de repente, uma atitude destas. Já estávamos ouvindo comentários dos outros fazia um tempo, mas pelo respeito, pela amizade de tantos anos e pelos votos que ele conseguiu dentro do nosso grupo, pela oportunidade que teve sendo secretário de Saúde e hoje estar como vice-prefeito e é remunerado para o cargo, o mínimo que a gente esperava dele é que chegasse aqui na nossa frente e dissesse: ‘Não faço mais parte deste grupo. Eu estou partindo para o grupo de oposição’. Aí eu acho que ele estaria sendo honesto conosco. Mas não, a gente ficou sabendo isso por corredores, pela população e quando eu o questionei sobre isso o Edson, até naquele momento, me disse que ainda não tinha certeza se seria ou não (pré-candidato pela oposição). Porém, todos já tinham certeza que sim. É esse fator que influencia muito. Eu fiquei decepcionada um pouco pela atitude, mas principalmente pela traição. A traição pela confiança, pela amizade, por ele me conhecer, ele sabe quem eu sou, ele conhece o meu perfil, ele sabe do meu trabalho, ele sabe da minha honestidade, sabe tudo o que a gente planejou juntos para esse município. E, de repente, ele mudar todo esse discurso, se abraçar com o outro grupo que tem pessoas que ele ouviu o que eleitores pensavam de alguns líderes da oposição. Ele falou desses líderes nas casas em que fomos visitar e agora vai sair abraçado com eles. É uma situação até difícil de explicar, não somente para mim, mas para toda a população do nosso município.
OP: O vice-prefeito já saiu do MDB?
CL: Que eu sei, não. Acredito que deve estar protocolando e tem o período legal até o começo do ano que vem para fazer isso. O MDB hoje já está convicto de que ele não deve permanecer mesmo, até porque o partido é a base do governo, a prefeita é do MDB, o maior número de vereadores que nós temos hoje na Câmara é do MDB. Então eu não tenho dúvida da postura do MDB dentro do município.
OP: O MDB encabeça a chapa majoritária já faz quatro eleições. Em 2020 a tendência é que isso continue?
CL: Estamos conversando e fazendo reuniões com todos os partidos. Hoje nós estamos com seis partidos na nossa base e esse diálogo tem que acontecer. Estamos buscando alternativas, até porque com a reforma política precisamos pensar muito, tanto na majoritária quanto na proporcional, e devemos atender grande parte desses partidos. Nós temos vários diálogos e felizmente há um ótimo entendimento entre todos. Contamos com mais um ou dois meses justamente para bater o martelo de como vamos fazer esse trabalho. Se o grupo inteiro imaginar que o MDB é para continuar na cabeça de chapa, vai estar. Hoje, as conversas estão partindo para um rumo um pouco diferente deste, mas ainda não definimos todo esse processo. O importante é fortalecermos todos os nossos partidos. A eleição é daqui a um ano, mas a discussão que vai tendo agora é muito importante, porque ela já quase define o quadro. Precisamos ter muita maturidade, discutir bastante com todos os partidos, ouvir esses partidos e tomar uma decisão em que todos eles estejam praticamente pensando na mesma direção. O MDB hoje é o partido mais forte do município e claro que vai ter a sua representatividade, só estamos definindo de que forma vai ficar distribuído na próxima eleição.
OP: Mas pode ter alguma surpresa em termos de formação da chapa majoritária e da participação do MDB?
CL: O MDB é governo, isso é fato, mas eu não vou dizer nem que seria uma surpresa, mas estamos justamente discutindo para que dois partidos melhores possam compor a majoritária e vamos tentar direcionar para um, no máximo dois, as filiações para a formação de até duas chapas à proporcional. Até porque não tem nem condição mais com essa reforma política de ter mais do que dois partidos hoje na proporcional. O MDB certamente estará dentro desse cenário, só não definimos ainda exatamente em qual função.
OP: Desde a eleição passada o seu nome já vem sendo cogitado para se filiar ao PSD. A senhora já decidiu, afinal de contas, se vai mudar de partido ou se continua no MDB?
CL: Eu fico com o meu coração partido, porque o MDB faz parte da minha história e faz parte da minha vida. Eu me fiz politicamente dentro do MDB e eu não gosto dessa palavra traição. Eu vejo que eu estaria traindo o MDB se eu saísse hoje, tanto que minha ficha de filiação ao PSD está abonada, inclusive pelo governador Ratinho Junior (PSD) há quase dois anos, e eu não autorizei que fosse enviada ao cartório justamente por essa ligação que eu tenho com o meu partido. Hoje eu sou MDB e quero permanecer nele. Depois que eu sair da política municipal aí pode ser que eu rediscuta, que eu reveja algumas coisas, até porque tem que haver novos cenários. Porém, de momento, até o final da gestão eu pretendo sim ficar no MDB.
OP: Assim como em outros municípios, em Mercedes de certa forma há uma disputa pelo PSD. Há poucos dias a senhora esteve em Curitiba. Houve algum contato com os dirigentes político-partidários para saber se já há uma definição de quem fica com o partido local?
CL: Hoje o PSD no Estado é um dos partidos que teve uma ascensão muito grande. Eu sei que tem a nossa provisória protocolada em Curitiba e a oposição também tem uma. Estamos debatendo este assunto em Curitiba, até porque há pouco tempo para essa discussão. Em vários municípios já está decretada (a provisória), mas nos municípios em que houve duplicidade há uma discussão um pouco diferente. Estou tratando disso e estive com o governador Ratinho. Ele afirmou que o PSD no município de Mercedes fica com o governo, que fica conosco mesmo. Hoje o Ratinho é o presidente estadual do PSD e até por ser o governador a opinião dele é extremamente importante nesses quesitos. Em relação a isso, portanto, eu estou tranquila. A gente sabe que não pode bobear nessa situação, mas eu conheço o governador e ele é um homem de palavra e garantiu que o PSD fica conosco.
OP: Se for confirmada a comissão provisória protocolada pelo grupo de oposição, o partido deve ser presidido por quem em Mercedes?
CL: Hoje estamos com o Edelberto Bruch (Samiro), que está como presidente. Quando montamos essa provisória pensamos em nomes políticos, mas também da sociedade civil do município, que são pessoas que defendem o nosso grupo político e têm perspectivas políticas futuras. Criamos uma provisória dividindo entre político e a sociedade civil justamente para fortalecer de uma forma um pouco diferente o partido, que teve uma ótima aceitação em Curitiba.
O Presente