Ele já foi vereador, presidiu a Câmara Municipal e foi vice-prefeito durante oito anos. Há aproximadamente 100 dias, é quem tem a caneta na mão na hora de decidir os rumos do município de Entre Rios do Oeste. Estamos falando de Ari Maldaner (PSD), que nos seus 73 anos ainda encontra disposição para ser prefeito e, não bastasse isso, ser um gestor participativo. “Fico pouco no gabinete. Fico andando na prefeitura e onde me chamam eu vou”, conta.
Em entrevista ao Jornal O Presente, o mandatário falou do início do governo e das expectativas em termos de investimentos. Também enalteceu a negociação que culminou com a compra, pela Lar, da fábrica de ração da Copagril, localizada em Entre Rios. “Foi a melhor coisa que aconteceu”, enalteceu. Confira.
O Presente (OP): O senhor completa aproximadamente 100 dias de gestão. Como avalia este início de mandato?
Ari Maldaner (AM): Apesar da pandemia, quando muitas coisas acabam travando, podemos avaliar como positivo. Conseguimos formar uma equipe que trabalha unida. Os secretários, os comissionados e os servidores públicos estão se dedicando muito, querendo fazer o máximo possível para atender bem o nosso munícipe.
OP: Apenas quatro secretários foram mantidos da gestão anterior (do ex-prefeito Jones Heiden, PSD, quando Ari era vice-prefeito). O senhor buscou novos nomes para compor o primeiro escalão. Está satisfeito com essa equipe?
AM: Foi até uma surpresa pra mim, porque é uma equipe muito boa. Os novos que vieram estão trabalhando, querem mostrar serviço, estão motivados e sempre atentos. Trocamos muitas ideias sobre a condução dos trabalhos. Auxiliamos a todos, pois já temos experiência. Estão realmente bem esforçados e a equipe está em sintonia.
OP: Em razão do senhor ter sido vice-prefeito do ex-prefeito Jones, muitos apontam que o seu governo é uma continuidade da gestão passada. Será de fato uma continuidade ou pretende implantar ações e projetos novos?
AM: Dá para dizer que é continuidade, mas não o trabalho. O trabalho que eu fazia enquanto vice, por exemplo, não tem nem comparação quando se tem a caneta na mão, quando tem que tomar as decisões. O trabalho será focado naquilo que estávamos fazendo de obras, serviços, parcerias com os governos estadual e federal. Queremos levar isso adiante de maneira séria e honesta, focados nos trabalhos e atendendo bem o nosso munícipe.
OP: A pandemia tem prejudicado a gestão?
AM: Não vou dizer que prejudicou, mas diria que a gestão ficou mais truncada. A liberdade do munícipe em vir até a prefeitura, a realização de festas e encontros, cultos e missas, a falta disso tudo gera um pouco de mal-estar na nossa população. O comércio não fechou por completo e a construção civil não parou. Acho que para quem não aglomerar é difícil pegar o coronavírus. As coisas sempre funcionaram em Entre Rios do Oeste e continuam funcionando. Mesmo com o decreto do Governo do Estado proibindo algumas coisas, nós somos um pouco mais flexíveis, porque a pandemia não atingiu tão forte o município.
OP: Qual a marca que o senhor pretende deixar para o município como prefeito?
AM: Quero atender bem a nossa população. Sou um prefeito muito livre, muito envolvido com a comunidade, quase não paro no gabinete. Sou um prefeito participativo.
OP: Existe algum investimento, algum projeto, que destacaria como principal para ser realizado no seu governo ou neste primeiro ano de mandato?
AM: Estamos fazendo um convênio com a Itaipu e discutimos sobre o Recicla, que envolve o lixo reciclável, e também avaliamos a possibilidade de integrarmos o consórcio para levarmos o lixo orgânico a Marechal Cândido Rondon. Várias coisas foram expostas que precisamos mudar. De repente vai nos dar despesas a mais, mas precisamos trabalhar em prol do meio ambiente. Vamos construir mais um barracão, onde já está o Recicla, que vai servir para que os produtos fiquem armazenados até que seja achado um comprador. Também precisamos adquirir um caminhão para o Recicla. Muitas coisas vão acontecer em parceria com a Itaipu, que é aliada importante do município. O nosso convênio vai se aproximar de R$ 5 milhões para execução em dois anos. Além disso, temos um diálogo bom com nosso deputado estadual Hussein Bakri (PSD), que é o líder do governo, para nos ajudar a fazer o recape asfáltico nos quatro bairros que faltam e na Rua Osvaldo Schaefer. Isso deve dar em torno de R$ 1,2 milhão e, provavelmente, o dinheiro deve ser liberado até maio. Queremos fazer esse asfalto para nossa população que ainda não conta com essa pavimentação. Então nossa cidade toda estará asfaltada. E temos compromisso de viabilizar mais moradias para nosso munícipe. Faltam muitas casas. Inclusive funcionários da Lar que vieram trabalhar na fábrica de rações foram morar em Pato Bragado, porque aqui não tem casa para alugar. Acredito que seria importante conseguirmos de 80 a 100 casas pela Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná). Outro ponto é que falta mão de obra. Está faltando pessoal para trabalhar. Tem muita vaga de emprego em Entre Rios. Trabalharemos para construir uns dois barracões para instalar empresas nossas que ampliaram o número de funcionários e hoje não têm mais espaço. Essas empresas serão beneficiadas para que possam crescer ainda mais. Queremos trabalhar em todos os setores. No interior vamos fazer recape asfáltico, asfalto, pedra irregular. Estamos projetando para que em quatro anos o município esteja quase completo com as estradas.

Prefeito Ari Maldaner (PSD): “Temos a promessa do deputado Hussein do repasse de R$ 1,2 milhão para asfalto nos bairros e pedras irregulares” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)
OP: O senhor mencionou a respeito da Lar Cooperativa. Como avalia essa intercooperação com a Copagril que resultou no repasse da fábrica de ração de Entre Rios para a Lar?
AM: Foi a melhor coisa que aconteceu. A nossa fábrica de ração vai crescer muito. Serão instaladas mais duas máquinas para fabricar a ração peletizada. O Irineu (Rodrigues, presidente da Lar) esteve aqui há poucos dias e está muito animado. Já estão fazendo o alicerce para ampliar a fábrica e a Lar quer adquirir 40 caminhões, o que significa 120 motoristas (considerando as escalas). Ele (Irineu) quer que todos morem em Entre Rios. Essa fábrica de ração será uma potência.
OP: O senhor enxerga que o repasse da fábrica de ração para a Lar tem tudo para contribuir com o desenvolvimento do município?
AM: Acho que ajuda bastante. Eu sou associado da Copagril desde a década de 70, então não tenho nada contra a cooperativa, mas a Lar, hoje, para Entre Rios, representa uma grande contribuição para o município. Essa fábrica vai atender de Guaíra até Santa Helena. O imposto que vai gerar será grande em prol do município.
OP: Nos próximos dias deve ser aberto o orçamento estadual para 2021. O senhor está com expectativa positiva em relação à destinação de recursos estaduais?
AM: Estamos esperando isso. Nos próximos dias possivelmente vou a Curitiba para ver alguns detalhes de alguns convênios que estão para sair. Temos a promessa do Meu Campinho (programa que objetiva reunir em um único lugar equipamentos que permitem a prática esportiva e atividades de lazer), com investimento de R$ 320 mil. Temos a promessa do deputado Hussein do repasse de R$ 1,2 milhão para asfalto nos bairros e pedras irregulares. Pretendemos viabilizar, ainda, a castração de cães e gatos, no valor de R$ 100 mil, que é uma iniciativa do governo estadual. Estamos sendo muito bem atendidos pelo nosso deputado Hussein Bakri.
OP: Para a eleição do ano que vem o senhor já definiu então os seus apoios?
AM: Eu sou do PSD e o governador Ratinho Junior com certeza vai disputar a reeleição. O meu deputado estadual é o Hussein Bakri, que é o líder do governo. Dependendo do deputado não conseguimos muita verba, mas vai passar de R$ 6 milhões em três anos o que o Hussein tem viabilizado para Entre Rios. Para deputado federal, era precisos aguardar a situação do José Carlos Schiavinato (PP) – que faleceu na última terça-feira e foi sepultado ontem (15) -, mas provavelmente a dobradinha será Hussein Bakri e Sandro Alex (deputado federal licenciado do PSD e atual secretário de Estado da Infraestrutura e Logística).
OP: A Câmara de Vereadores passou por uma boa renovação na eleição de 2020. Como o senhor tem avaliado essa nova legislatura e a relação do Poder Legislativo com o Poder Executivo?
AM: Nesta nova legislatura vejo que todos os vereadores querem fazer suas indicações e requerimentos. Como paramos um pouco por conta da necessidade de fazer as regularizações do patrimônio público, não conseguimos atendê-los como gostaríamos. No entanto, não vejo nenhum problema (na relação). Oposição ou situação, para mim todos são iguais. Eu atendo todos. À medida do possível, vamos atender aos vereadores, porque já fui vereador e presidente da Câmara, então sabemos que eles precisam do apoio do prefeito e o prefeito precisa do apoio deles. A sintonia é muito boa.
O Presente