Política Eleições municipais

Grupo de situação em Mercedes define pré-candidatos a prefeito e vice-prefeito

Prefeita de Mercedes, Cleci Loffi (PSD): “Chegamos aos nomes do Vilson Martins e Marcelo Eninger. São duas pessoas que estão preparadas, que há muitos anos estão no serviço público e sabem o que é administrar o município” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

O grupo de situação em Mercedes chegou em um entendimento sobre quem deve compor a majoritária na eleição deste ano. Embora as datas das convenções, que devem confirmar as futuras candidaturas, e do próprio pleito ainda sejam uma incerteza, diante da possibilidade de haver um adiamento em razão da pandemia de Covid-19, os partidos bateram o martelo no nome do atual secretário de Administração, Vilson Martins (PSD), e o vereador Marcelo Eninger (PP) como pré-candidatos a prefeito e vice-prefeito, respectivamente.

Em entrevista ao Jornal O Presente, a prefeita Cleci Loffi (PSD) falou da escolha e de como o grupo de situação já está com as conversas adiantadas para a eleição de 2020. Ela também comentou a respeito dos reflexos do coronavírus na situação financeira do município e que o momento requer colocar o pé no freio para aguardar como serão especialmente os próximos dois meses. Confira.

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O Presente (OP): Em junho deve ocorrer a definição se as eleições serão adiadas ou não. Do ponto de vista de uma administração municipal, como a senhora avalia esse possível adiamento?

Cleci Loffi (CL): Estamos vivendo um momento de indecisão quando o assunto é política no Brasil. Essa indecisão, na verdade, está em todos os sentidos diante da realidade em relação à saúde pública mundial, que ninguém esperava. A eleição está mais ou menos nesse mesmo caminho, indefinida se ocorre em outubro, novembro ou dezembro. Para nós, enquanto gestores, é ruim trabalhar desta forma, porque o Brasil em vários setores praticamente parou. Estamos com dificuldade de receita, de receber recursos dos dois governos (estadual e federal), justamente por conta da pandemia, de organizar as ações para finalizar o mandato por essa indecisão. E agora uma indefinição em relação à eleição. É um momento muito difícil para os gestores e tenho que tirar o meu chapéu para todas as pessoas que estão à frente das administrações públicas, pois é um período em que se não houver sensatez e muita segurança no que faz, comprometerá não somente esta gestão, mas os outros mandatos pela falta de organização. Como disse, é redução de receita, um plano de governo para finalizar as obras iniciadas que estamos com medo de não conseguir concluí-las, porque se for recursos de emendas parlamentares não estamos recebendo. Então obras param. A receita caindo mês a mês compromete totalmente a condição de investimento do município. É um momento atípico. Mas sobre a eleição, minha opinião é que se for para ocorrer em 2020 teria que ser em outubro. Isto porque gera muito transtorno, desincompatibilização de equipe e mudanças que precisam ser repensadas. Hoje estamos em uma indecisão grande neste sentido. Além disso, somos apontados com críticas e opiniões tanto boas como ruins, por todos os lados, porque está difícil a administração pública. Não sabemos para que lado vamos partir diante de todas as indecisões no país. Está sendo um momento difícil para trabalhar. Quem está à frente de gestões públicas neste momento precisa estar muito centrado, com planejamento muito bem-feito e pensar nas ações de governo para não haver comprometimento até dezembro e depois aos futuros gestores.

 

OP: A senhora mencionou a respeito da queda de receitas. Qual foi o resultado neste primeiro quadrimestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019?

CL: Tivemos uma diferença de receita no ICMS e houve uma perda significativa. Somente no mês de abril Mercedes deixou de arrecadar R$ 250 mil. Imaginando essa pandemia por alguns meses, é só multiplicar esses R$ 250 mil que será possível ver o impacto financeiro que representa. Porém, na receita geral, no primeiro quadrimestre de 2020, ainda mantivemos um pouco superior em relação a 2019 graças aos royalties. Estamos recebendo uma compensação financeira que passou a ser repassada desde fevereiro. O que está salvando as contas dos municípios que margeiam o Lago de Itaipu ainda são os royalties, que estão somando para que nossa receita se mantenha da mesma forma. Por outro lado, me sensibilizo com a situação dos outros municípios que não recebem royalties, porque é visível essa queda de orçamento. Voltando à pergunta anterior: como vamos planejar seis meses de gestão em uma incerteza de como será a economia do Brasil e do nosso Estado?

 

OP: O possível adiamento da eleição prejudica as conversas visando à escolha do pré-candidato a prefeito e a vice-prefeito?

CL: Acredito que não prejudica, pois estamos seguindo o calendário normal imaginando a eleição em outubro. Já estamos com o nosso time praticamente montado e com a nossa majoritária definida. Estamos nos organizando, conversando com os pré-candidatos e preparando-os, porque eles precisam ter ciência que disputar a eleição não é acordar com o desejo de ser candidato. Existe todo um processo, um trabalho, formar uma equipe e ter pessoas que defendam o seu nome. Esse trabalho todo já vínhamos fazendo contando com a eleição para outubro.

 

OP: Os pré-candidatos a prefeito e a vice-prefeito estão escolhidos?

CL: Já definimos. Ainda teremos as convenções, mas temos como pré-candidatos hoje o Vilson Martins (PSD) a prefeito e Marcelo Eninger (PP) a vice-prefeito.

 

OP: Essa escolha ocorreu dentro de um consenso? Foi unânime?

CL: Realizamos pesquisas, buscamos números, e quando colocamos os dois nomes perante o grupo não houve discordância. Desde o primeiro momento foram discutidos três a quatro nomes dentro do grupo. Destes, afunilamos e chegamos ao Vilson Martins e Marcelo Eninger. São duas pessoas que estão preparadas, que há muitos anos estão no serviço público e sabem o que é administrar o município. O Marcelo, além de servidor municipal, é vereador e foi presidente da Câmara. O Vilson Martins foi vereador, presidente da Câmara, vice-prefeito, secretário de Obras e agora é secretário de Administração. Ele conhece todo processo. No atual momento vivido da administração pública a experiência é fundamental. Em cima disso que vamos trabalhar, pois nos momentos de dificuldade temos que ter pessoas preparadas para dar andamento ao processo da administração pública.

 

Prefeita Cleci Loffi sobre a possibilidade de Mercedes ter quatro candidatos a prefeito: “Nestas quatro opções, duas eu vejo que sairiam na frente por ter experiência e já conhecem o que é administração pública” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

 

OP: Como a senhora avalia um município de pequeno porte como Mercedes ter a possibilidade de chegar à eleição com até quatro candidatos a prefeito?

CL: Vou usar uma palavra que até pode ser estranha, mas é o que vejo: natural. Falam muito que nosso grupo já está há 16 anos na administração e existe um desgaste. Discordo totalmente, até porque os primeiros oito anos foram do governo Vilson Schwantes. Passou o período e ele se afastou e entraram outras lideranças. Estamos finalizando oito anos da gestão da Cleci e essa era está terminando. A partir de 2021 é outra geração que vai entrar, com outro pensamento e outra linha de trabalho. Ter mais três opções de candidatos a prefeito vejo que é um processo natural. É a busca pelo espaço e têm pessoas que acreditam que podem contribuir com o município. Que bom e que se lancem candidatas e estejam preparadas para isso, mas sempre com o comprometimento de saber o que está fazendo e saber o que é uma administração pública. Administrar a prefeitura não é administrar uma empresa. A experiência de um gestor seguro e bem preparado é fundamental, mas tem que ter nessa junção a experiência pública.

 

OP: Na sua opinião, o grupo de situação ganha com essa possível divisão com quatro pré-candidatos?

CL: Vai dividir o município em quatro e este é um fato. Hoje as possibilidades são de três a quatro candidatos e penso que vai deixar o eleitor mais em dúvida. Se forem quatro candidatos, somente dois destes têm experiência política e dois nunca tiveram nenhum contato com o setor público. Acho que isso vai pesar, pois a experiência, volto a dizer, é necessária hoje para ter uma administração de sucesso. Precisa ter conhecimento, portas abertas com deputados, no governo estadual, no governo federal. Destas quatro pré-candidaturas, duas não têm ligação. E daí, como será este processo? Um prefeito não administra sozinho. Ele precisa ter uma equipe bem preparada e o apoio dos governos estadual e federal. Nestas quatro opções, duas eu vejo que sairiam na frente por ter experiência e já conhecem o que é administração pública.

 

OP: Uma das novidades nesta eleição é o fim da coligação na proporcional. Como a senhora analisa essa mudança, considerando que até pouco tempo havia muitos partidos chamados de aluguel?

CL: É difícil avaliar, pois há os dois lados. Para majoritária poderá ocorrer coligação, então não vejo que mudaria muito. De repente estes partidos de aluguel vão querer se envolver ainda e procurar lá na frente o seu espaço. Por esse lado não vejo mudança. Agora na proporcional, sim. E digo que muita gente boa vai ficar fora nestas eleições por conta do novo cálculo que fizeram. O nosso grupo vai lançar duas chapas a proporcional, que é do MDB e o PP. Serão duas chapas fortíssimas. Fico feliz porque sei que neste grupo existem pessoas preparadas e nomes com boa aceitação em toda comunidade. Tenho certeza que escolhemos pessoas que têm todo potencial de ser lá na frente bons candidatos a vereadores.

 

OP: O grupo de situação trabalha para conquistar quantas cadeiras na Câmara?

CL: É bem relativo, mas estamos imaginando a busca de seis cadeiras. Essa é a nossa meta e em cima disso que vamos trabalhar.

 

OP: Muitas prefeituras estão reorganizando o planejamento de 2020 devido à pandemia. Em Mercedes haverá mudanças? O que se prevê em termos de realização para o decorrer do ano?

CL: Eu pedi que fossem elaborados todos os projetos e deixássemos prontos. Precisamos aguardar como vai se comportar a economia. Se daqui dois meses normalizar, o município terá condição de tocar as obras; se não normalizar, será preciso rever alguns projetos. A festa do município tinha sido planejada e estava com orçamento preparado para esta finalidade, mas agora não sabemos se vai ocorrer o evento. Acredito que em torno de 20 dias teremos uma definição, de acordo com os números em relação à pandemia. Quem circula pelo município vê que as obras estão sendo realizadas e pavimentação em toda área urbana, processos licitatórios abertos para fazer pavimentação asfáltica no interior. Estamos pleiteando recursos para recape para o Arroio Guaçu, pois é um problema antigo e sério. Naquela estrutura não cabe mais apenas tapa-buraco. É um investimento de no mínimo R$ 2 milhões a mais. Então estamos em um momento com calma: executando o que já havia sido licitado e vamos tocar todas as obras, mas outros grandes projetos precisamos aguardar um a dois meses. Vamos deixar os projetos prontos, mas a execução passa por aguardar essa indefinição. O nosso caixa financeiro está bem estruturado, mas não sabemos o que será os próximos meses e queremos fechar o ano de 2020 com total condição do próximo gestor assumir em janeiro e continuar tocando todas as obras, serviços e atendimentos. Não quero de forma alguma passar para o meu sucessor o município como nosso grupo recebeu o orçamento lá em 2005. O que fizeram conosco naquela época não foi justo nem com nós, administradores, e muito menos com a população.

 

O Presente

 

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