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Guiana oferece terras de graça a produtores rurais brasileiros

calendar_month 11 de julho de 2026
3 min de leitura

Se cidadãos, veículos de comunicação social, especialistas, lideranças e muitas autoridades municipais, estaduais e nacionais de todo o Brasil já reconhecem e valorizam a enorme contribuição do agronegócio e dos produtores rurais para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do País, existem nações vizinhas que destacam ainda mais essas qualidades e capacidades da agropecuária brasileira. É o caso da Guiana, que mesmo sendo país rico graças à exploração de enormes reservas petrolíferas em alto-mar, elegeu a agricultura como setor estratégico e prioritário para os próximos anos e, para isso, quer parceria com produtores rurais brasileiros. Prova disso é que o governo guianense está oferecendo áreas de terras produtivas de graça a agricultores, inclusive brasileiros, exigindo em troca apenas que sejam cultivadas com culturas tradicionais. A proposta irrecusável, no entanto, ainda não avançou como se esperava, apesar do grande número de agricultores sem-terra dos países vizinhos.

Conforme especialistas, até agora, foram poucos os agricultores dispostos a se tornarem parceiros da Guiana e aproveitar o potencial inexplorado de 300 mil hectares para cultivo de grãos como milho e soja. Para isso não há sequer entraves ambientais, pois o plantio ocorre em áreas de savana, como o Cerrado do Brasil ou o Lavrado de Roraima, sem tocar nos 86% do território da Guiana cobertos por florestas nativas preservadas. “Isso aqui é outro mundo, é oportunidade única. Fomos chamados de loucos quando viemos para cá. O que nos convenceu foi a facilidade com que temos para trabalhar, pois não há tantos empecilhos em questões ambientais”, relatam agricultores brasileiros participantes do empreendimento inovador. Muitos deles afirmam que deixaram o Estado de Amazonas e migraram para a Guiana após enfrentarem seguidos entraves ambientais no exercício da agropecuária. Na Guiana, em apenas três safras, expandiram suas lavouras de 500 hectares para quatro mil, em parceria com produtores do vizinho país.

As maiores dificuldades da mudança são o idioma, pois a Guiana é o único país sul-americano de língua inglesa e nas novas comunidades rurais os brasileiros enfrentam a falta de mapa georreferenciado das terras agricultáveis, pela falta de análises pluviométricas e formatação ainda incipiente do modelo de parceria proposto pelo governo guianês. Em compensação, a rodovia de 680 km que ligará Lethem, na fronteira com o Brasil, ao porto de Georgetown, avança rapidamente, mas ainda faltam 400 km de asfalto, obra que deve levar de três a quatro anos. Assim, para atrair mais produtores, a Guiana oferece concessão de terras por períodos de até 99 anos, renováveis e sem custo. O interessado apenas precisa apresentar projeto e arcar com investimentos em operação, máquinas, sementes e insumos. “Os líderes da Guiana não querem pessoas sem dinheiro no país.  Quem chega sem um centavo no bolso recebe terra, dinheiro e tudo mais que necessita. Mas tem que chegar e gastar também, dividir despesas e superar dificuldades. Eles querem gente que vá produzir”, explicam brasileiros que aceitaram a proposta. Alguns deles, já há 20 anos na Guiana, relatam que alguns estrangeiros pediram terras para cultivar abacaxi e citrus e não conseguiram fazer nada. As áreas acabaram sendo retomadas pelo governo da Guiana. São exemplos que devem nos orientar em projetos de reforma agrária.

Dilceu Sperafico é deputado federal pelo Paraná

[email protected]

@dilceusperafico

 
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