Política Eleição 2020

Lideranças do grupo de oposição de Nova Santa Rosa se declaram favoráveis ao consenso

Presidente e secretário do DEM de Nova Santa, Ademar Bloch e Lari Hitz, respectivamente, durante visita ao O Presente: “Este ano os ânimos estão muito mais serenos, ao menos até agora. Tem tudo para ser uma campanha mais calma” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

O grupo de oposição em Nova Santa Rosa ainda não definiu o pré-candidato a prefeito para concorrer às eleições deste ano. De acordo com o presidente e o secretário do DEM no município, Ademar Bloch e Lari Hitz, respectivamente, o grupo vinha trabalhando com o nome da professora Vera Lorenzatto para encabeçar a chapa à majoritária, todavia, há poucos dias, ela desistiu da pré-candidatura. “Como a Vera está fora dessa vez, estamos avaliando, agora, os nomes de Helvino Schmitt, Jairon Arndt, Salete Kronbauer, Lari Hitz, Roque Lorenzatto e Ademar Bloch. Temos a possibilidade de escolher um desses nomes ou até mesmo lançar chapa pura do DEM”, declararam ao O Presente.

Contudo, segundo eles, a possibilidade de consenso não está descartada. Apesar de não ter ocorrido nenhuma reunião oficial para tratar do assunto, os democratas se dizem abertos ao diálogo com o grupo de situação. “O cenário global hoje facilita esse caminho. Se houver um consenso, se houver uma conversa para o consenso, a gente vai tentar ver da melhor forma possível para que os candidatos, se houver, sejam pessoas que se preocupam com o município e não partidariamente. Pelo nosso partido, se houver conversação e se tiver um acerto, por que não fazer o consenso diante da atual conjectura existente hoje?”, enalteceram.

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Em entrevista à reportagem, Bloch e Hitz também falaram sobre os desafios da campanha deste ano, que, para eles que já participaram de vários pleitos eleitorais, será totalmente diferente das demais. “Será inédito”, avaliam os nova-santa-rosenses, que já foram quatro vezes vereador e uma vez vice-prefeito, cada.

Eles opinaram, ainda, sobre a mudança da data da eleição para 15 e 29 de novembro e sobre o fim das coligações na proporcional, bem como discorreram sobre os métodos para superar as limitações de contato entre candidato e eleitor devido à pandemia de coronavírus.

 

O Presente (OP): Como a oposição está se preparando para as eleições deste ano? Até poucos dias falava-se que o nome do grupo para encabeçar a majoritária seria o da professora Vera Lorenzatto, todavia, agora, parece que ela não mais manifestou interesse em seguir adiante como pré-candidata. Isso confere?

Ademar Bloch (AB): Confere. Nós tivemos reunião, ocasião em que descartou (a pré-candidatura) para o momento. Por motivos particulares dela, essa vez ela não poderá ser candidata, mas ela era cogitada e estávamos até contando com ela. Entretanto, no momento, ela está fora e não quer aceitar dessa vez.

 

OP: Quais são os outros nomes que o grupo vem trabalhando?

Lari Hitz (LH): Temos três vereadores no nosso partido, que é o Helvino Schmitt, Jairon Arndt e Salete Kronbauer. Temos o Roque Lorenzatto e o meu nome também está à disposição. Temos o Ademar (Bloch), como presidente do partido e ex-vice-prefeito na gestão anterior à atual. Temos a possibilidade de escolher um desses nomes ou lançar chapa pura para concorrer nessa eleição.

 

OP: Há comentários de que tudo se encaminha para o grupo bater o martelo no seu nome, professor Lari Hitz…

LH: Não, tudo não. A gente está conversando. A professora Vera era para ser a nossa pré-candidata, contudo, com a desistência dela, estamos vendo a possibilidade de algum outro nome. Não tem nada 100% ainda. É como eu falei, o grupo tem esses nomes à disposição e todos eles são capazes de serem pré-candidatos com possibilidade de realizar uma boa administração, em caso de vitória.

 

OP: E quanto à pré-candidatura para vice-prefeito, quais nomes do grupo estão sendo cotados?

AB: Esses nomes que o Lari citou têm condições de ser candidatos a prefeito e a vice-prefeito. Dá para fazer chapa pura do Democratas.

 

OP: Até quando vocês imaginam definir os nomes e começar a encaminhar a pré-campanha? Logo ou somente pretendem anunciar na convenção?

LH: Todo mundo estava com pressa para definir nomes e era reunião em cima de reunião, mas agora, com a mudança da data da eleição para dia 15 de novembro, automaticamente a gente ganhou um período a mais para tentar ver com mais calma a questão de nomes. Quanto antes melhor, porque o desgaste nesse sentido é grande para quem está encabeçando as coisas, presidente e o próprio diretório em si. Não é muito simples você definir nomes, porque envolve muita coisa.

 

OP: Atualmente, o grupo de oposição é formado por quantos partidos?

AB: Temos o Democratas e o PP. Estivemos juntos na última vez. Na outra vez estava o PSDB também e continua hoje, porém um vereador que estava no partido se filiou ao Democratas e uma vereadora que era PSDB foi para o PSC. Então…

 

OP: Hoje seriam esses três, a princípio, ou há possibilidade de novas legendas passarem a compor com o grupo?

AB: Sim, nós estamos abertos para o diálogo. Os outros partidos que quiserem somar junto com o nosso grupo nós podemos ter diálogos para fortalecer a oposição. Quanto mais partidos e gente, um grupo maior sai fortalecido.

 

Presidente do DEM, Ademar Bloch: “Eu acho que seria um momento de fazer consenso. Eu, particularmente, aceitaria, desde que bem costurado e conversado pelos dois lados para cumprir aquilo que é tratado” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

OP: Na opinião de vocês, a mudança da data da eleição para 15 e 29 de novembro foi algo positivo ou acaba sendo mais desgastante aos pré-candidatos e posterior candidatos, até levando em conta as condições da campanha deste ano, em meio a uma pandemia?

LH: O desgaste para os candidatos, lógico, vai ser bem maior, porque vai ter mais tempo, apesar de que os partidos vão ter o tempo para definição de nomes prorrogados também. Então, o período da campanha dos pré-candidatos e até o lançamento dos candidatos vai ser esticado. Aí os candidatos em si terão praticamente o mesmo tempo para fazer essa campanha. Claro que o desgaste sempre é maior. Quanto maior o tempo, mais desgaste tem, principalmente pelo momento que o país e o mundo, não só a nossa região, estão passando, por ser bem preocupante.

 

OP: A política é sempre muito acirrada em Nova Santa Rosa, intensificando-se ainda mais no período de campanha. Qual a expectativa para a eleição deste ano?

LH: Eu acho que este ano os ânimos estão muito mais serenos, ao menos até agora. Toda a situação atual e as normas da Justiça Eleitoral acabam contribuindo para ser uma campanha bem mais calma. Eu acredito que essa questão vai facilitar bastante em termos da competitividade. Os ânimos acirrados, dessa vez, penso que vão se acalmar. Vai ficar mais tranquilo.

 

OP: Muito tem se falado nos últimos tempos em buscar um consenso no município. Chegou a haver conversas, inclusive. Vocês participaram dessas conversas ou alguém do grupo de oposição?

AB: Nós não tivemos reunião oficial com o povo que está hoje no poder. Com a situação nós não tivemos nenhuma reunião. Há essas conversas entre grupinhos, até vereadores, situação e oposição conversaram sobre isso, mas eu não participei de nenhuma reunião quanto a isso. Para fazer consenso eu acredito que deve haver reunião e tem que ser de conhecimento de todos os partidos do município.

 

OP: Existem possibilidades reais de uma candidatura única ou isso não passa de especulação?

LH: Existe a possibilidade de a gente sentar e conversar. O cenário global hoje facilita de repente esse caminho, porque sempre é mais fácil conversar entre oposição e situação para o bem do município e não olhar coisas particulares ou partidárias. Se houver um consenso, se houver uma conversa para o consenso, a gente vai tentar ver da melhor forma possível para que os candidatos, se houver, sejam pessoas que se preocupam com o município e não partidariamente. Pelo nosso partido, se houver conversação e se tiver um acerto, por que não fazer o consenso da atual conjectura existente hoje?

 

OP: O grupo de situação, que tem como pré-candidatos o prefeito Norberto e o vice Noedi, não fala incisivamente sobre o assunto, caso do prefeito, que diz que talvez não seja muito favorável ao consenso, mas frisa todas vezes quando questionado que é aberto ao diálogo. Vocês acham que as conversas envolvendo a possibilidade de consenso têm chances de avançar?

LH: Têm chance sim, sem dúvida nenhuma. Hoje o maior problema ainda é o início, a primeira reunião. Havendo essa primeira reunião, acredito que fica bem mais fácil de a gente ver como está essa possibilidade, porque hoje cada um fala uma coisa. Por quê? Porque não houve nenhum tipo de reunião e nenhuma conversa. Então, a hora em que houver a primeira reunião, a partir dali existe a possibilidade de termos um avanço. Mas até agora não houve nenhum tipo de reunião. Então, a possibilidade existe e nós estamos abertos a essa possibilidade da conversa.

 

OP: Particularmente vocês são favoráveis a uma candidatura única?

LH: No atual momento, não dá para descartar a possibilidade. A possibilidade existe, mas deve ser bem costurada, bem acertada para não haver problemas depois, futuramente, porque nós já tivemos uma vez um consenso, quando eu inclusive fui o vice na época. Já tem essa experiência, não vamos entrar na questão do mérito se é bom ou não, mas atualmente nós achamos que se essa possibilidade existir, para o povo de Nova Santa Rosa e para o município seria bom.

 

Secretário do DEM, Lari Hitz: “A hora em que houver a primeira reunião existe a possibilidade de termos um avanço. Mas até agora não houve nenhum tipo de reunião. Então, a possibilidade de consenso existe e nós estamos abertos a essa possibilidade da conversa” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

OP: E o grupo de oposição como um todo?

AB: Nós tivemos uma reunião esses dias atrás com os pré-candidatos a vereador. Eles cobraram em relação a mim e ao secretário quem é o pré-candidato a prefeito, porque eles já querem sair falando quem são os possíveis pré-candidatos a prefeito. Comentamos que, por enquanto, não pode se dizer quem é pré-candidato a prefeito, mas pode talvez ter um diálogo. Contudo, não fomos procurados pela situação para alinhar um consenso. Houve resistência por alguns pré-candidatos a vereador, que falaram que não, que nós temos condições para ter candidato a prefeito próprio. Após isso já tivemos outra reunião em que eles entenderam que era um momento agora de talvez ter um consenso por causa da situação que estamos passando devido à pandemia. Eu acho que seria um momento de fazer consenso. Eu, particularmente, aceitaria, desde que bem costurado e conversado pelos dois lados para cumprir aquilo que é tratado.

 

OP: Se viesse a acontecer, seria, então, a segunda vez que ocorreria uma candidatura única em Nova Santa Rosa?

LH: A primeira vez que ocorreu uma candidatura única foi em 1992, com a gestão de 1993 a 1996. Naquela oportunidade houve consenso e o prefeito foi o Jandir Dalmoro e eu fui vice-prefeito e secretário de Educação durante os quatro anos. Ele era PDT e eu DEM (PFL na época). Depois disso não se cogitou mais. Estamos voltando agora com essa possibilidade. Não há conversas oficiais, mas existe a possibilidade de nos reunirmos para tratar do assunto.

 

OP: O grupo político de oposição pretende lançar quantas chapas na proporcional?

LH: A princípio, duas chapas, o DEM e o PP.

 

OP: Vocês entendem que o fim da coligação na proporcional e a consequente redução no número de partidos é algo benéfico para o sistema eleitoral?

LH: Com certeza. Para mim, particularmente, isso foi benéfico. Ainda existem muitos partidos, deveria reduzir para três ou quatro em âmbito nacional para que a eleição fosse melhor, em que os candidatos à vereança, por exemplo, não tenham a questão de se existir problemas do partido em Brasília respingar para nós, nos municípios pequenos. Ah, porque você é do partido tal e deputado tal fez isso e fez aquilo. Então, se houvesse menos partidos, com certeza seria bem mais aceitável do que agora. Cada um tem um partido e a gente não sabe mais quantos partidos existem e quem é quem. Ainda existe aquele que está sem partido.

 

OP: Como vocês imaginam que será a campanha eleitoral deste ano, quando o contato direto com o eleitor estará limitado devido à pandemia de coronavírus?

AB: Eu acho que vai ser uma campanha totalmente diferente que as outras. Eu já participei de várias eleições, tenho quatro mandatos de vereador e um de vice-prefeito, e em todas as campanhas a gente ia nas casas, fazia reuniões. Acho que agora vai ser por rede social, a maior ferramenta de trabalho para os candidatos, porque devido ao distanciamento social, não vai mais poder fazer reunião, comício, então, acredito que a melhor ferramenta de trabalho para os candidatos vai ser Facebook, WhatsApp. Será uma campanha inédita.

 

OP: Vocês já pensam como se organizar neste sentido, considerando que o ponto-chave de propagação de ideias, propostas e plano de governo serão as redes sociais? Como pretendem chegar ao eleitor?

LH: Por enquanto não porque ainda não tem nada definido. Eu acredito que cada um está aguardando o que o outro vai fazer. Então, assim que tiver alguma definição de algum pré-candidato, eu acho que ele mesmo, por si próprio, deve começar a se organizar, mas, a princípio, nosso partido e nosso grupo ainda não conversou nada sobre essa questão.

 

OP: Vocês acreditam que será fácil convencer o eleitor, considerando que muitos sempre estão dispostos a apostar na mudança ou não é bem assim?

LH: Existe a possibilidade dessa mudança se o povo, de repente, quiser essa mudança, como houve em nível nacional. Existe essa possibilidade e a gente ouve no dia a dia a conversa sobre ter que mudar. Não é que eles tenham alguma coisa contra a administração, mas alguma coisa de novo eu acredito que o povo está esperando que aconteça, alguma coisa não só em nosso município, mas em toda a região, alguma coisa de candidaturas novas, diferente daquilo que sempre está acontecendo. Então, existe essa possibilidade da renovação, em que o povo vai exigir uma renovação, mas para isso tem que ter o nome.

(Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

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O Presente

 

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