Talvez nem o mais otimista poderia imaginar que a eleição de domingo (15) trouxesse um resultado tão expressivo para o prefeito de Marechal Cândido Rondon, Marcio Rauber (DEM). O democrata foi reconduzido para o segundo mandato com 79,71% dos votos válidos (22.316 votos).
O segundo colocado, Josoé Pedralli (MDB), apareceu somente com 13,44% dos votos (3.763 votos), seguido de Lair Bersch (PDT), com 4,15% (1.161 votos), e Luciano Palagano (PSOL), com 2,70% (757 votos).
Para fins de comparação, em 2016, quando foi eleito para seu primeiro mandato, o prefeito fez 16.682 votos (55,23%). A disputa ficou polarizada contra o empresário Elemar Lamberti, que somou 10.374 votos (34,34%).
Poucas horas após a divulgação oficial do resultado de domingo, na manhã de ontem (16) Marcio Rauber visitou o Jornal O Presente para conceder entrevista, transmitida na nossa página no Facebook (facebook.com/jornalOPresente), e fazer uma avaliação do resultado das urnas.
O pleito, inclusive, confirmou uma tendência que já era especulada no meio político. O grupo de situação garantiu a maioria na Câmara de Vereadores ao somar oito cadeiras, sendo seis somente do Democratas.
Confira os principais trechos da entrevista com o prefeito reeleito.
VOTAÇÃO RECORDE
Conforme o gestor rondonense, pesquisas para consumo interno da coligação “Marechal Rondon cada vez melhor” indicavam que a reeleição poderia ultrapassar os 20 mil votos. “Estamos felizes, logicamente, com essa importante votação expressiva no município. Para consumo interno éramos sabedores que chegaríamos perto disso (22 mil votos), mas quando você vê o número consolidado acaba se surpreendendo. Estou muito feliz”, afirmou.
Rauber avalia que o principal motivo da expressiva votação é um trabalho que ainda está em desenvolvimento no atual mandato. “Tenho certeza que a grande maioria dos eleitores reconheceu o trabalho que fizemos até agora e, por isso também, depositaram a confiança mais uma vez no Marcio e no Ila (Ilario Hofstaetter, vice-prefeito)”.
NOVOS DESAFIOS
Na avaliação do prefeito, Marechal Rondon precisa evoluir muito para continuar crescendo. “O município, por muito tempo, não se desenvolveu como deveria. Vamos continuar trabalhando. Nós temos as obrigações constitucionais, como saúde e educação, mas temos o agronegócio, a indústria e outras ações da administração pública que precisam evoluir. Temos que auxiliar o setor privado no desenvolvimento. Tenho certeza que seremos mais uma vez exitosos”, comenta.
EDUCAÇÃO E SAÚDE NO PÓS-COVID
Questionado sobre o que prevê no pós-Covid para a educação e a saúde, dois setores afetados e que ainda não foram 100% restabelecidos, Rauber informou que a retomada das aulas depende do Governo do Estado e da Justiça. “Iniciou-se uma movimentação para a retomada das aulas em colégios privados em algumas localidades e a Justiça interveio e mandou fechar. Quase que foge da alçada dos gestores. Mas estamos atentos e vamos iniciar um movimento para conversar com prefeitos eleitos pensando no ano que vem, porque não acredito que as aulas retornem neste ano”, mencionou.
Na questão da saúde, que tem enfrentado críticas devido às filas para exames, consultas e procedimentos, o mandatário detalhou que a obrigação do município envolve a atenção primária, cujo atendimento é oferecido nos postos de saúde e unidades básicas. “Marechal Rondon tem condição de oferecer um pouco mais, mas para oferecer um pouco mais existe regra, existe lei. Nós temos atendimento via Ciscopar (Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná), que atende todos os municípios. Por conta da pandemia, o Ciscopar parou de atender durante praticamente quatro meses, ficando só com a urgência. Então obviamente as filas acumularam. Elas têm que ser absorvidas com o devido tempo. Vamos colocar recursos públicos para contratar serviços e conseguir, de forma acelerada, reduzir consubstancialmente as filas de especialidades que temos no município”, esclareceu.

Prefeito Marcio Rauber: “Todos os partidos têm as portas abertas. Eu sou bandeira branca. As nossas decisões são tomadas em cima do interesse da coletividade” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)
AMPLIAÇÃO DO HOSPITAL MUNICIPAL
Um dos projetos da administração rondonense contempla a ampliação do Hospital Municipal Dr. Cruzatti. De acordo com o prefeito, a unidade está com sua capacidade no limite. “Vamos ampliar o hospital e construir 23 leitos. Desta forma, a fila de ortopedia vai andar. Mas isso não acontece de hoje para amanhã. A ampliação do hospital leva um tempo para ser executada, mas queremos iniciar já nos primeiros meses do ano que vem. A ortopedia, por este motivo, vai reduzir (as filas), mas as outras especialidades que têm tratamento fora do município não dependem do hospital”, argumenta.
VEREADOR NA PREFEITURA
Na campanha de 2016, Rauber havia feito a promessa de que não chamaria nenhum vereador eleito para compor o governo. Entretanto, com a saída do titular da Secretaria de Agricultura e Política Ambiental, Leandro Dadalt, faltando cerca de um ano e meio para o término do mandato, o gestor nomeou o vereador Adriano Backes (DEM), servidor público de carreira, para comandar a pasta.
Na eleição deste ano, o prefeito não assumiu compromisso semelhante a 2016. “Quero pensar e colocar pessoas que entendam do negócio. Nosso governo foi exitoso e a população reconheceu por conta dos técnicos que colocamos na administração municipal e isso que vamos fazer. Ainda não decidimos. Eu e o Ila vamos conversar e essa semana decidimos que não vamos falar deste assunto. Semana que vem vamos começar a reestruturar a equipe do próximo governo”, adiantou.
MAIORIA NA CÂMARA DE VEREADORES
Perguntado sobre o que representa para o grupo ter a maioria na Câmara – a coligação conquistou oito das 13 cadeiras em disputa -, o gestor foi enfático: “Quando os vereadores como um todo estão imbuídos da boa coisa, não faz diferença se o prefeito tem maioria ou não. O problema é quando alguns vereadores procuram a politicagem. Aí é importante que o prefeito tenha maioria para que aqueles projetos que vão do Executivo para o Legislativo e são de interesse da comunidade sejam aprovados. Eu sempre quis ter boa relação com todos os vereadores. Todos aqueles que procuraram o Poder Executivo foram recebidos com educação, com respeito e eu ouvi as demandas. E não são demandas do governo, mas da sociedade. Aquilo que é possível dizer sim, a gente diz sim. E vai ser assim. Desde já quero cumprimentar os 13 vereadores eleitos e dizer que eu e o Ila estamos de portas abertas para o que for importante para o município. Aqueles que quiserem ajudar o município a se desenvolver serão muito bem recebidos na prefeitura, como sempre fiz”, destacou.
Segundo o chefe do Poder Executivo, o Democratas tinha a projeção de eleger de cinco a sete vereadores, sendo que seis seria o número possível – o que se concretizou. “Disse para algumas pessoas que faríamos oito vereadores (seis do DEM e dois do PL). Acertamos mais uma vez, como acertamos em 2016”, aponta.
OPOSIÇÃO
Trazer algum vereador eleito pela oposição para integrar o grupo de situação, na avaliação de Rauber, depende mais “deles do que mim”. “Essa vontade tem que ser deles. Como já disse, estamos de portas abertas. As demandas que forem importantes nós vamos receber e vamos discutir. O nosso governo está aberto para todos os vereadores que queiram ajudar o município”, frisou.
APOIO DE OUTROS PARTIDOS
Assim como na questão envolvendo o apoio de vereadores da oposição, o prefeito diz que vale o mesmo para os partidos que eventualmente desejam apoiar o seu governo a partir de agora. “Estamos de portas abertas. O que nos interessa? Tudo que for importante para o município se desenvolver é bem-vindo. Todos os partidos têm as portas abertas. Eu sou bandeira branca. As nossas decisões são tomadas em cima do interesse da coletividade”, finaliza.
O Presente