Em convenção realizada na segunda-feira (27), a executiva nacional do MDB decidiu não oficializar apoio a nenhum dos candidatos ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano. Com a deliberação, as instâncias estaduais da legenda ganharam autonomia para definir seus próprios alinhamentos, podendo respaldar o nome que melhor se ajustar às alianças construídas em cada unidade da federação.
A medida interrompe uma sequência de duas décadas em que o partido chegou ao período eleitoral com uma definição nacional consolidada, seja por meio de candidatura própria, seja integrando chapas lideradas por outras legendas. A última vez em que a sigla adotou posicionamento semelhante ocorreu em 2006, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorreu à reeleição e venceu o tucano Geraldo Alckmin.
A decisão reflete as profundas divisões regionais que historicamente marcam a legenda. Enquanto as lideranças do Sul, Sudeste e Centro-Oeste demonstram maior afinidade com nomes da direita, como Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), os diretórios do Norte e Nordeste mantêm vínculos históricos com o atual chefe do Executivo, o que tende a direcionar o apoio dessas unidades para a candidatura de Lula.
A estratégia do comando nacional, sob a presidência do deputado Baleia Rossi (SP), é priorizar o fortalecimento da bancada no Congresso em detrimento da corrida presidencial. A avaliação interna é que a postura neutra evita conflitos e dissipa tensões entre as alas do partido, permitindo que os esforços sejam direcionados para a ampliação do número de cadeiras na Câmara e no Senado.
Histórico de oscilações eleitorais
Desde a redemocratização, o MDB oscilou entre o afastamento e a participação direta nas disputas presidenciais. Entre 1989 e 2010, a legenda evitou compor chapas majoritárias na maior parte do tempo. Nesse intervalo, lançou candidatos próprios apenas em 1989, com Ulysses Guimarães, e em 1994, com Orestes Quércia. Em 2002, integrou a chapa do PSDB ao indicar Rita Camata como vice na candidatura de José Serra.
A neutralidade voltou a ser adotada em 2006. Quatro anos depois, porém, o cenário mudou com a eleição de Michel Temer para a vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff. A partir de então, o partido passou a figurar em todas as eleições presidenciais seguintes. Dilma e Temer foram reeleitos em 2014, mas a aliança foi rompida no fim de 2015, durante o processo de impeachment que culminou com a assunção de Temer ao cargo máximo do Executivo, respaldado por partidos que então compunham a oposição.
Em 2018, o MDB retornou à candidatura própria com Henrique Meirelles, que obteve apenas 1,2% dos votos válidos. O desempenho foi o pior da história da sigla, que viu sua bancada na Câmara encolher para 34 deputados, o menor contingente desde o fim do regime militar.
Na eleição seguinte, em 2022, o partido novamente apostou em um nome próprio, a então senadora Simone Tebet, coligada com Podemos e com a federação PSDB-Cidadania. Com 4,16% dos votos válidos, Tebet terminou a disputa em terceiro lugar, mas o resultado nas urnas para o legislativo foi mais positivo: a legenda ampliou sua representação para 42 deputados federais.
Com Catve
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