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Política Eleições 2022

“Neste momento estamos órfãos”, avalia Ademar Dorfschmidt

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Pré-candidato a deputado estadual e vice-prefeito de Toledo, Ademar Dorfschmidt (União Brasil), em entrevista ao Jornal O Presente (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

Pré-candidato a deputado estadual, vice-prefeito de Toledo defende a conscientização dos eleitores para que votem em nomes da região

Atualmente vice-prefeito de Toledo, Ademar Dorfschmidt (União Brasil) decidiu novamente colocar o nome à disposição para uma disputa no cenário estadual. Em 2018, ele foi candidato a deputado federal e ficou na suplência. Desta vez, está de olho em uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Em entrevista ao Jornal O Presente, o gestor toledano explicou por que decidiu lançar a pré-candidatura a deputado estadual e ressaltou a importância dos eleitores da região se conscientizarem para votar em nomes do Oeste do Paraná. “Penso que essa consciência vai trazer de volta uma representatividade no Oeste”, declarou. Confira.

 

O Presente (OP): A região perdeu muita representatividade política na última eleição. O senhor acha que é possível recuperar este espaço?
Ademar Dorfschmidt (AD): Acredito que sim. A conscientização das pessoas no Oeste do Paraná trará a representatividade da região de volta, e se faz necessário. Precisamos lembrar que Marechal Cândido Rondon sempre teve dois deputados estaduais e havia um deputado federal, assim como Toledo, mas perdemos isso. Neste momento estamos órfãos, o que é muito ruim. Quando falamos da região mais produtiva do Paraná, que é o Oeste, que tem o solo mais produtivo do mundo, e não temos essa representatividade realmente acaba enfraquecendo o setor do comércio, indústria e o agronegócio. Acredito que as pessoas precisam se conscientizar aqui na região. Falo em nome de todos os pré-candidatos a deputado estadual: nós precisamos fazer isso. Penso que essa consciência vai trazer de volta uma representatividade no Oeste.

 

OP: Toledo tem muitos pré-candidatos a deputado estadual. É possível viabilizar essa representatividade mais uma vez, com tantos nomes se colocando à disposição? Isso não acaba dividindo os votos?
AD: Na verdade os partidos lançam os pré-candidatos porque precisam da legenda. Isso faz parte da questão democrática. A população também enxerga a viabilidade eleitoral. Sabemos isso, inclusive, por Marechal Rondon. Em algumas oportunidades temos mais do que dois candidatos, mas a população vai pela viabilidade eleitoral e, neste momento, será focado isso. Em Toledo não é diferente. Percebemos que hoje temos uma viabilidade eleitoral, até pelo trabalho que desenvolvemos na prefeitura. Acredito que isso vai nos proporcionar uma mola propulsora para alcançar o êxito. Toledo terá, sim, vários candidatos a deputado estadual, assim como a federal, mas o próprio município e o Oeste do Paraná, com a agilidade que temos por meio da tecnologia, vão focar em quem realmente tem condições e viabilidade de se eleger.

 

OP: O senhor acha que Toledo consegue recuperar quantas cadeiras na Assembleia?
AD: Gostaríamos que fossem duas, mas acho que no primeiro momento é importante focar que tenha uma cadeira com certeza. Este é o primeiro passo. Precisamos disso e tranquilamente Toledo deve fazer um deputado estadual, talvez dois, e espero o mesmo de Marechal Cândido Rondon.

 

OP: O senhor já foi vereador e hoje é vice-prefeito de Toledo. Por que decidiu colocar o nome à disposição como pré-candidato a deputado estadual?
AD: Meu projeto não é mais pessoal. Fui candidato a deputado federal na eleição passada e sou suplente hoje. Fiz isso até para tentar reconstruir a liderança política do Oeste. Não foi possível e sabíamos das dificuldades, mas esse é um momento em que Toledo e a região estão buscando isso. E buscam em meu nome essa oportunidade da representatividade. Acredito que Toledo deve estar me oportunizando uma quantidade expressiva de votos, mas o Oeste precisa se unir para que seja possível chegar lá.

 

OP: O senhor já foi do MDB, depois foi para o Cidadania e hoje está no União Brasil. Houve alguma mudança de posicionamento político ao longo dos últimos anos?
AD: Não, pois sempre tive o meu posicionamento muito claro no Legislativo, no Executivo, como candidato a deputado federal e agora como pré-candidato a deputado estadual. Acredito que o radicalismo não leva a nada e temos que prezar e ouvir as pessoas de ambos os lados. Sempre fui um político muito de centro. Não sou aquele em cima do muro, porque tenho uma posição muito firme, mas gosto de discutir política em um âmbito total, geral. E é isso que a gente faz quando estamos em um partido de centro. O MDB foi de centro e o União Brasil é um partido de centro-direita. O Oeste do Paraná conhece muito bem os dois partidos, mas em especial conhece muito bem a minha forma de trabalhar. É isso que me colocou como político com êxito de vitória em quatro eleições consecutivas dentro do município de Toledo.

 

OP: Neste sentido, há algum conflito entre o senhor e o prefeito Beto Lunitti (MDB), tendo em vista que ele é um defensor de causas sociais e ao longo do tempo ficou conhecido como um político um pouco mais de esquerda?
AD: Não existe conflito, porque quando conversamos sobre a aliança na nossa candidatura (à prefeitura) entendemos em fazer um governo de centro. E é o que está acontecendo em Toledo e penso que o resto do Paraná observa isso. Estamos focados em políticas de desenvolvimento regional. Toledo sempre está na mídia com bons projetos e boas propostas. Então respeitar as pessoas é o importante. A ideologia partidária precisa ser respeitada, mas nós fazemos um governo de centro.

 

OP: Na disputa ao Governo do Estado vocês estarão em lados opostos ou não?
AD: Estamos com a opinião formada de que iremos de Ratinho Junior (PSD). Isso está consolidado e, inclusive, foi uma imposição do prefeito Beto de que dentro do MDB apoiaria o Ratinho e se isso não acontecesse com a sigla poderiam até expulsá-lo, porque ele iria com o governador. Mas como o MDB hoje alinhou com o governo Ratinho ficou muito mais fácil em fazer esse trabalho.

 

OP: E em termos de disputa presidencial?
AD: Eu tenho uma posição tranquila em relação a isso. Votei no presidente Jair Bolsonaro (PL) e acredito que é a pessoa, neste momento, mais indicada para continuar nos rumos do Brasil. Penso que a população precisa ter consciência por toda a crise que passamos e o Brasil ainda está em evidência no desenvolvimento mundial.

 

OP: Essa polarização que existe na política, em especial a nacional, entre o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT) é algo que lhe preocupa?
AD: Muito. Algumas pessoas esqueceram de fazer a discussão da política de desenvolvimento, a política pública, a gestão pública, e focam em situações às vezes pessoais. É muito ruim para o Brasil. Eu tenho o maior respeito com quem não vota no candidato a presidente que eu votarei. Acho apenas que esse radicalismo e essa polarização não é saudável para o Brasil. Se surgisse uma terceira via hoje, com viabilidade, era capaz de levar a eleição, pois o povo está cansado. Pedimos para as pessoas que façam o debate político em alto nível e não de ataque pessoal. Sabe por que o Oeste do Paraná talvez está em baixa na representatividade? Por conta do cunho de oposição que se criou, que quando alguém perde a eleição tenta criminalizar o seu opositor. Isso é ruim. Essas formas de ataque vazam para o Estado inteiro e, às vezes, acaba perdendo voto. Isso aconteceu na nossa região. Para que fazer isso? Eu falo com a maior tranquilidade: olha quanto o Elio (Rusch, União Brasil), Ademir (Bier, MDB), Duílio (Genari, PP), José Carlos Schiavinato (in memoriam), Dilceu Sperafico (PP), Werner Wanderer, enfim, fizeram lá no passado. Quem é que não vai fazer por sua região? Às vezes alguns fazem menos, outros mais, pois o erro é involuntário, mas precisamos preservar o companheirismo e o ataque pessoal faz muito mal para a democracia.

 

Por Maria Cristina Kunzler/O Presente

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