A ala de oposição em Pato Bragado tem se articulado não apenas para apresentar nomes de candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores na eleição deste ano. O objetivo do grupo é, acima disso, apresentar aos eleitores um projeto que visa pensar e planejar o município para o futuro. A afirmação foi feita pelos vereadores Airton Schmitt e Flávio Prigol, ambos do Podemos, em visita ao Jornal O Presente.
Na oportunidade, eles falaram sobre as tratativas para escolha dos nomes para a majoritária e ressaltaram a importância de haver uma alternância no poder. Confira.
O Presente (OP): Vocês têm definido quem é o pré-candidato a prefeito e a vice?
Airton Schmitt: Nós vamos entrar nisso na sequência. O nosso grupo colocou sete a oito nomes para fazer uma escolha democrática. Vamos colocar todos esses nomes como pré-candidatos a vereador, a princípio. Somos pré-candidatos a vereador. Ponto. Mas também constamos em uma lista de sete a oito nomes que serão colocados a julgamento popular e os dois mais votados serão rigorosamente escolhidos para essa cabeça.
Flávio Prigol: Nós, como vereadores, automaticamente somos pré-candidatos à majoritária ou a vereador. Isso é líquido e certo. No momento, o que estamos fazendo? Precisamos de um projeto para Pato Bragado e estamos estruturando esse novo projeto. Por quê? Se tivermos alternância de poder e continuarmos trabalhando da mesma maneira, com os mesmos vícios e com os mesmos problemas, essa mudança não tem o por que acontecer. Então queremos, primeiro, ter esse projeto. Indiferente de quem do grupo será escolhido, ele vai seguir essa linha de trabalho no qual estamos nos pautando. Este é o primeiro plano. No momento em que estivermos todos coesos, todos alinhados, vamos ver a opinião da população para essa majoritária.
OP: A pergunta que é inevitável agora: a oposição vai ter candidato a prefeito?
Ambos: Com certeza.
OP: Esse candidato será escolhido entre os sete ou oito nomes e todos são hoje pré-candidatos?
Schmitt: A montagem dessa pauta e deste trabalho está sendo feita avidamente. Várias vezes por semana estamos nos reunindo e conversando para que, primeiro, a gente monte a pauta. Toda a nossa linha de trabalho é realmente bastante diferente do que se conhece até hoje como política. É uma expectativa de inovação de fato, não só de nome, de jargão. Então, essas sete pessoas estão participando disso e estarão obrigatoriamente concordando com esse projeto. Quando for para a avaliação popular, esses sete nomes estarão pensando da mesma maneira. Sempre se diz que a população escolhe quem será o candidato, mas na verdade não aconteceu isso nenhuma vez até hoje, em nenhuma eleição anterior. Sempre foi um pequeno grupo que escolheu a dedo quais eram os dois candidatos. Agora, queremos inovar partindo disso já. As pessoas, dentro dessa oferta de pessoas que concordam com esse projeto, é que vão fazer a avaliação de qual lhe cai melhor no pensamento. E então vamos tornar isso realmente aplicável. Essas duas pessoas serão candidatas. Por isso não temos como falar que este ou aquele seriam os candidatos, não seria correto.
OP: A escolha do pré-candidato a prefeito e a vice deve ocorrer até quando?
Prigol: Estamos finalizando esse projeto, porque nele teremos, por exemplo, a diminuição de secretarias, o enxugamento da máquina. Queremos tornar a administração enxuta e dinâmica, que vá ao encontro dos interesses e dos anseios da comunidade. No passado, foram assinados documentos sobre a diminuição (de secretarias), pessoas novas, uma alternância inclusive de secretários, e isso não aconteceu. O que queremos? Pessoas técnicas e preparadas para cada secretaria e uma diminuição na parte administrativa. Já estamos quase concluindo isso e assim que tivermos finalizado partimos para definição do candidato.
OP: O grupo terá chapa completa de candidatos a vereador também?
Ambos: Com certeza.
OP: Já há nomes suficientes para concorrer?
Ambos: Sim.
OP: O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está na eminência de anunciar o adiamento da eleição para possivelmente 15 de novembro. Isso favorece a oposição em Pato Bragado ou dificulta?
Schmitt: Estamos trabalhando exatamente com a data atual (04 de outubro). Estamos nos organizando para a data atual. Caso venha a ser postergada, favorece não só a oposição, mas favorece todos os partidos, porque hoje não temos condições de fazer reuniões com a população, não temos condições de visitar o nosso eleitor. Complica. Vai ser uma campanha política totalmente diferente do que já se viu até hoje. Então, a data de 15 de novembro ou dezembro, como se ventilava inicialmente, vai favorecer na verdade toda a classe política, pois vai permitir o acesso à pessoa. Imagine se Pato Bragado ou qualquer um dos municípios for reunir a sua população para colocar a proposta que se quer aplicar no governo, de que maneira vai se fazer isso se não consegue aglomerar pessoas? Uma campanha sem a aglomeração de pessoas é impossível. Vai ser diferente de qualquer forma, mas creio que o adiamento beneficia toda a classe.

Vereador Airton Schmitt (Podemos): “Uma campanha sem a aglomeração de pessoas é impossível. Vai ser diferente de qualquer forma, mas creio que o adiamento beneficia toda a classe” (Foto: Joni Lang/OP)
OP: A oposição está preparada hoje para enfrentar uma possível candidatura à reeleição do prefeito Leomar Rohden (Mano) (MDB) ou espera outra candidatura?
Prigol: Estamos preparados para ambos. O que percebemos é que a comunidade vem com muita vontade querendo alternância. Sabemos que essa alternância é saudável em todo processo democrático. Cada candidato tem as suas especificidades. Em três anos e meio nunca fomos oposição ao município. Todos os projetos do Mano que eram favoráveis nunca fizemos objeção, porque não somos oposição a Pato Bragado. O que nós queremos são pessoas novas, com novas ideias, novas visões. Isso enriquece e vem em prol da comunidade. Se analisarmos diversos gestores que repetiram os seus mandatos, percebemos que um mandato foi melhor do que o outro. Não podemos cair nos mesmos erros. A comunidade está percebendo isso. Portanto, eu vejo que o grupo está alinhado e muito motivado para uma administração diferente, uma administração nova, voltada para a comunidade já sem aqueles vícios que, queira ou não, com o tempo vão acontecendo. É dessa forma que nós vemos uma chance muito grande de administrar Pato Bragado diferente.
OP: A reformulação partidária permite que de repente o município tenha três candidatos ou haverá novamente polarização entre dois grupos?
Schmitt: Creio que dificilmente venhamos a ter três, porque a força política de um terceiro membro não é tão significativa. Mas a eleição é aberta a todos. Se uma pessoa julgar que tem um voto, ela tem o direito de se candidatar. Não podemos hoje ainda dizer se haverá três candidatos ou não.
OP: No caso para a pré-candidatura do Podemos, seria melhor ter um candidato ou dois candidatos do grupo de situação?
Schmitt: Eu vejo que o nosso trabalho vai ser focado da mesma maneira, do mesmo modo, com as mesmas bases, se forem dois candidatos ou três. Não sei até que ponto nos beneficiaria ou nos maleficiaria o fato de ter um candidato a mais. Creio que o nosso eleitor, que entende a nossa proposta, estará conosco com dois ou com três candidatos. A sua pergunta foi se seria melhor com A ou com B. Ambos são do mesmo grupo, ambos sempre foram do mesmo grupo e ambos têm as mesmas diretivas. Então, com nome A ou B não vejo como possa ter uma inovação no formato de trabalho, pois as pessoas que vêm junto tanto com um ou com o outro são as mesmas.
OP: A inspiração da pré-candidatura da oposição é a alternância de poder e a renovação de nomes?
Prigol: De nomes e de projetos. É um novo projeto.
OP: Na opinião de vocês, em que área especificamente a administração de Pato Bragado eventualmente se descuidou para que a população tenha esse desejo pela alternância de poder?
Schmitt: Há hoje uma insatisfação brutal em relação aos agricultores. Eles estão muito insatisfeitos. Tivemos no último ano um trabalho um pouco mais visível em relação à indústria e ao comércio, mas para trás praticamente não se vê uma evolução, não se vê um trabalho que vá realmente em prol de criar e dar oportunidades a novas empresas e criar novos empregos. Hoje, dizer que foram criados muitos empregos é ilusão, não aconteceu. Hoje, falarmos que foi buscado ampliar parques industriais, isso aconteceu nos últimos seis meses e com um empurrão bastante bacana por parte da Câmara de Vereadores. Mas adquirir áreas, fazer com que um novo plantel de empresas, mesmo que pequenas, tivesse a oportunidade de se instalar, não aconteceu. Nos últimos meses aconteceu a implementação de uma incubadora industrial, inclusive com recursos da sobra da Câmara, em que foi construído um barracão. Há toda aquela questão de 2023 estar aí (ano que marca o fim do pagamento dos royalties de Itaipu) e não sabemos o que vai acontecer ainda. Não estamos preparando o terreno e pensando em sermos autossuficientes. Precisa ser dito que da maneira em que está o inchaço da máquina pública e com a regração própria que nós temos, infelizmente, Pato Bragado vira um problema caso os royalties não estejam mais na mão. Com o orçamento que tem, Pato Bragado se torna um município extremamente fácil de administrar, mas a nossa preocupação é Pato Bragado amanhã. Pato Bragado está crescendo, está aumentando sua população, está aumentando suas necessidades e amanhã é um pouco indefinido com relação aos royalties. Precisamos fazer com que Pato Bragado tenha fonte de renda própria. Fala-se tanto em agroindustrialização, mas a agroindústria leva praticamente tudo. Nós deixamos o produto sair in natura para que ele volte processado depois por outro município. Isso é algo que não pode passar pelos olhos de um administrador que tenha foco. A nossa grande intenção é fazer com que as pessoas vejam em Pato Bragado uma oportunidade.
Prigol: Nós precisamos fazer mais gastando menos. Essa é a grande frase que a todo momento estamos batendo em cima. Está se fazendo? Sim, mas acho que podemos fazer mais gastando menos, administrando de uma maneira mais enxuta, mais técnica, levando as coisas mais a sério na questão financeira.
OP: Durante muitos anos havia uma esperança de Pato Bragado formalizar uma travessia por meio de porto comercial com o Paraguai. Vocês ainda alimentam essa expectativa ou é um sonho do passado?
Prigol: Eu acho que é um sonho do passado. Não pela vontade própria do município, mas a gente vê os obstáculos da legislação, da questão internacional. Acho difícil ficar batendo nessa tecla.
Schmitt: E os interesses da própria Receita.
OP: Existe possibilidade de um novo grupo político ou partido se agregar à oposição?
Prigol: Estamos abertos à negociação desde que o projeto para Pato Bragado seja esse que estamos traçando. Outro grupo ou outras pessoas que queiram vir, estamos abertos, convite feito, porque é o sistema democrático e o que queremos é que essa proposta de projeto seja seguida.
Schmitt: Queremos implantar essa mudança. Já há pessoas que agregaram, que eram tradicionalmente do grupo situacionista atual, mas vieram para nós porque estão acreditando nisso. Qualquer pessoa que queira vir e abraçar essa ideia será bem-vinda.

Vereador Flávio Prigol (Podemos): “O que nós percebemos é que a comunidade vem com muita vontade querendo alternância. Sabemos que essa alternância é saudável em todo processo democrático” (Foto: Joni Lang/OP)
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