Na campanha eleitoral de Marechal Cândido Rondon, um dos candidatos que precisou enfrentar mais percalços foi certamente Josoé Pedralli (MDB), da coligação “Meu voto de fé” (MDB/Cidadania).
Por duas ocasiões, o material de campanha foi recolhido. Na primeira oportunidade para excluir o PRTB onde constava a coligação e, posteriormente, para substituir a candidata a vice-prefeita. Rosane Limberger (MDB) renunciou à candidatura e, em seu lugar, foi indicada a filha Angela Limberger (MDB).
Em visita ao Jornal O Presente, Pedralli avaliou que, mesmo diante das dificuldades, os trabalhos até o momento foram positivos e que a equipe que atua na coligação se mantém focada.
Ele ainda falou um pouco das principais propostas que pretende implantar, caso seja eleito, e destacou medidas para a retomada da economia no pós-Covid. Confira.
O Presente (OP): Qual avaliação o senhor faz desta campanha?
Josoé Pedralli (JP): Essa campanha, como todas as outras, foi difícil. Com certeza essa é minha maior batalha eleitoral desde o início da minha carreira política. Mas estamos muito felizes e agradecidos com os companheiros que estão conosco desde o início, mantendo suas bandeiras erguidas e lutando até o último minuto. O nosso pessoal está focado em fazer um excelente trabalho e vamos, com certeza, sair de cabeça erguida desta campanha, pois acreditamos que nossos princípios e valores morais e éticos se mantêm intactos.
OP: No decorrer deste período eleitoral a coligação precisou substituir a candidata a vice-prefeita, Rosane Limberger por Angela Limberger, e recolher o material de campanha. Esse processo, na sua avaliação, prejudicou os trabalhos?
JP: Foram alguns detalhes que ocorreram dentro da campanha. Temos de avaliar dois pontos de vista. Atrapalhou um pouco, mas agregou bastante porque o nosso princípio de valorização da mulher conseguiu ser mantido, que era a nossa proposta inicial. Estamos muito felizes com as soluções que encontramos durante a campanha. Claro que houve um pequeno tropeço, mas logo depois as engrenagens já começaram a rodar e a campanha retomou a todo vapor.
OP: Quantos vereadores a coligação espera eleger no domingo?
JP: Estamos trabalhando de forma focada para eleger o máximo de vereadores possíveis, tanto dentro do MDB como do Cidadania. Acreditamos, sim, que dentro da nossa coligação há condições de eleger até seis vereadores.
OP: Seriam quantos candidatos de cada partido?
JP: Podem ser cinco do MDB e um do Cidadania, ou quatro do MDB e dois do Cidadania. A nossa meta é eleger seis vereadores dentro dos dois partidos.
OP: Se eleito, não ter a maioria na Câmara de Vereadores é algo que lhe causa preocupação?
JP: Nem um pouco, até porque nossa linha é de trabalhar muito com transparência e pelo bem da população. Independente do número de vereadores que tivermos na base de situação ou oposição dentro da Câmara, o nosso trabalho será desenvolvido em prol das famílias de Marechal Rondon.
OP: O senhor pretende trazer para um eventual governo partidos como PSD e PP, que anunciaram bandeira branca na disputa a prefeito?
JP: Dentro do PP temos quatro candidatos a vereadores fazendo campanha para nós. O PP é natural estar conosco dentro de um eventual governo. No PSD vai depender de qual vereador for eleito, mas isso é uma situação que não estamos preocupados no momento. Estamos focados tão somente na campanha.
OP: Qual projeto ou ação que o senhor considera essencial para ser implantado logo no início do governo?
JP: Temos que resolver o problema da água imediatamente no município. Logo na sequência, temos a área da saúde, em que não podemos deixar a população rondonense há mais de dois anos nas filas de consultas, exames e cirurgias. Precisamos resolver imediatamente o problema das creches dentro da educação. E há, também, a retomada do nosso comércio. Temos uma visão liberal dentro do comércio e não vamos tolerar, de forma alguma, que volte a fechar as portas em Marechal Rondon. Esse é um compromisso que tenho com todos os comerciantes.
OP: Na questão do racionamento de água, diversas propostas surgiram para resolver este problema no decorrer da campanha. Qual a proposta que o senhor defende?
JP: Nós temos duas propostas. Uma é paliativa e seria a perfuração de seis novos poços imediatamente, para juntá-los à rede e dar um fôlego de dois a três anos para solucionar o problema enquanto ocorre a construção de uma estação de tratamento de água. Essa estação, no nosso ponto de vista, tem que ser alocada no Lago de Itaipu, sendo que há dois locais – Iguiporã ou Bela Vista. A população rondonense pode ter uma certeza: enquanto não resolvermos o problema de água a construção da nova sede (do Saae, Serviço Autônomo de Água e Esgoto) não sai do papel.
OP: Existem perspectivas de que 2021 será um ano difícil para os municípios no pós-Covid. Como avalia o período após pandemia para Marechal Rondon?
JP: Dentro do nosso plano de governo, inclusive, foi muito trabalhado o pós-Covid, tanto na área da saúde como na área de educação. A recuperação da economia se dá por meio de propostas que temos para a indústria e o comércio. Faremos o fomento através de R$ 15 milhões para empréstimo e instalação imediata do Parque Industrial 4. Também temos a proposta de disponibilização de grandes recursos no agronegócio para que, assim, a nossa roda possa girar. Para girar temos que fomentar as indústrias, o comércio e o agronegócio. Boa parte dos recursos, no próximo ano, terá que ser alocado nestas áreas para que o município consiga colher, logo no futuro, a devolução destes valores através de impostos dentro do município.
OP: O senhor pretende disponibilizar R$ 15 milhões do Fundo Municipal de Desenvolvimento para que haja a retomada da economia. Esses recursos vêm de onde?
JP: São próprios do município. Temos uma visão diferenciada dos recursos de gestão pública. Em uma empresa privada, ter lucro ao final do ano é ótimo para os sócios. Na gestão pública é diferente. Os recursos vêm dos impostos do trabalhador, das empresas e do agronegócio. A única função do gestor é devolver esse dinheiro. Então, deixar R$ 40 milhões, R$ 50 milhões em caixa é, para mim, uma ingerência e uma incompetência da gestão. Esse dinheiro tem que voltar, e voltando por meio de fomento à indústria, ao comércio e ao agronegócio, vamos sair com menos prejuízos no período pós-pandêmico.
O Presente