Moacir Luiz Froehlich (MDB) deixou a Prefeitura de Marechal Cândido Rondon há cerca de um ano e cinco meses depois de dois mandatos consecutivos. Neste período, voltou a atuar na profissão de engenheiro agrônomo e tem acompanhado a política mais de longe. Mesmo assim, não está desligado do meio.
Em visita ao Jornal O Presente, o ex-prefeito fez uma avaliação do MDB rondonense, que há poucos dias perdeu uma de suas principais lideranças, o deputado estadual Ademir Bier, que se filiou no PSD, e analisou a situação do diretório estadual.
Moacir ainda falou sobre suas pretensões políticas e sobre este início de governo do novo prefeito Marcio Rauber (DEM). Confira.
O Presente (OP): O MDB é o maior partido de Marechal Rondon e recentemente perdeu uma de suas principais lideranças, o deputado estadual Ademir Bier, que se filiou no PSD. Como o senhor avalia hoje a agremiação rondonense?
Moacir Froehlich (MF): Continua um partido forte e de militância forte. É uma tradição do partido aqui em Marechal Rondon ser militante e combativo e assim continuo o vendo. A saída do deputado Ademir é uma pena e uma perda, mas as razões para esta decisão ele expôs para a executiva e depois para o diretório. Através da mídia ele também procurou expor que a situação em nível estadual não estaria fazendo com que se sentisse confortável, assim como a indefinição do partido em relação ao que pretende postular e que tipo de coligação eventualmente pode fazer na proporcional, que é o caso dos deputados. Eles devem saber com antecedência que perspectiva de votos precisam ter para serem eleitos, que aliança teria para atingir os coeficientes e, a partir destes, que número de candidatos que aquele partido ou aquela coligação consegue eleger. Eu, particularmente, entendi a preocupação dele e disse que de minha parte o deputado teria que decidir o que deseja ser. Ele respondeu que deseja mais um mandato de deputado e isso é o que estaria almejando. Desta maneira compreendi a posição dele. Se todos entenderam assim não sei, mas de minha parte os que me perguntam tenho colocado aos filiados e simpatizantes o que o deputado Ademir disse para nós em reunião do diretório.
OP: O senhor sente que a saída dele já está bem digerida no MDB?
MF: Acho que está melhor do que já esteve. À medida que o deputado reuniu mais pessoas, inclusive há poucos dias aconteceu uma reunião com todo o diretório, ouço que há menos dúvidas e questionamentos do que houve no início, quando o anúncio foi feito. Acho que hoje está bem melhor o entendimento dos peemedebistas.
OP: O senhor pretende se engajar na campanha do deputado Ademir Bier?
MF: Dentro do meu possível, vou ajudá-lo mais uma vez. Voltei para a minha profissão, tenho um emprego em uma empresa local no desenvolvimento de um produto que é novo e que tenho certeza que vai ajudar muito na produção agrícola e, por extensão, na agropecuária. Então dentro do possível e fora do horário de expediente que tenho vou tentar ajudá-lo mais uma vez, pois entendo que a região e Marechal precisam de representação.
OP: Dos pré-candidatos que hoje estão colocados tem algum que o senhor tem mais simpatia ao Governo do Estado?
MF: Pelo que conheço, já trabalhei com o Osmar Dias e é colega de profissão, seria natural esta avaliação inicial. Mas vejo também que o Ratinho fez um belo trabalho na Sedu (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano), ajudou muitos prefeitos e essa é justamente a pirâmide a que me referi. O voto dificilmente vem solto, mas está amarrado na liderança local, seja prefeito, vereador, deputado estadual. O Ratinho trabalhou forte junto às lideranças dos municípios. A Cida é uma incógnita se terá tempo suficiente para amarrar muitas lideranças como o Ratinho já fez. No Governo do Estado ainda é possível, mas logicamente também vai carregar um pouco do peso dos oito anos do (ex)governador Beto Richa (PSDB). Há bônus e ônus. Se os bônus do Beto Richa são maiores vai transferir para ela; já se há um desgaste de alguns setores ou do próprio governo, ela pode carregar o ônus, pois, afinal, era a vice-governadora.
OP: Ainda são feitas apenas projeções para o futuro, mas cria algum constrangimento de uma possível divisão com o PSD de um lado, o MDB de outro e o deputado Ademir no meio?
MF: Talvez essa eleição seja diferente de todas em razão do que está acontecendo, da Operação Lava Jato e outras investigações em curso. A população está bastante descrente talvez das instituições partidárias e aí vai focar na pessoa. É o que restou para o eleitor olhar para o histórico das pessoas que vão pedir votos. Isso, em outros momentos, dificilmente seria assimilado que em Rondon tem o deputado Ademir no PSD, que vai pedir voto para o Sérgio Souza (MDB), Schiavinato (PP), para Ratinho Júnior (PSD), enfim. Esse voto não é mais uma colinha pronta e verticalizado do governador, senador, deputado federal e deputado estadual. É uma situação inusitada em termos eleitorais.
OP: E o senhor ainda tem alguma pretensão política?
MF: Sempre disse e volto a repetir: eu nunca vou dizer que não quero mais saber da vida pública. Nunca faria e nem farei isso. A frase que eu uso e tento definir como vejo as coisas é: eu posso ser, mas não preciso ser. Se tiver pessoas que podem tocar bem o município, já dei a minha contribuição. Posso sim estar perto, apoiar, aconselhar. Já se não houver nomes que tenham essa condição e preparo, nunca vou dizer não. Estou à disposição de Marechal Cândido Rondon. Partidos me procuraram para que eu fosse candidato a deputado estadual. Eu agradeci e declinei, porque vejo que isso seria um desserviço. Nós temos dois deputados que se elegem com uma certa dificuldade porque somos um colégio eleitoral relativamente pequeno comparado com outras grandes cidades. Sempre foi motivo de orgulho termos dois deputados com menos de 60 mil votos “bons” na comarca. Por que eu iria agora, por vaidade pessoal, querer postular uma candidatura? Isso dividiria os votos dos dois postulantes com mais um nome, eu provavelmente não seria eleito e também poderia tirar um dos dois da Assembleia Legislativa. Isso seria um desserviço e não preciso disso.
OP: Quase um ano e meio depois de deixar a prefeitura e um novo gestor assumir o paço municipal, como o senhor tem avaliado o governo do prefeito Marcio Rauber (DEM)?
MF: Tenho observado a distância, pois estou focado no meu trabalho, mas tão recente a minha estada na prefeitura que não preciso muito detalhe e dedicação para fazer uma observação geral. Torço e continuo torcendo, como disse a ele no dia da posse, e reafirmo aqui no jornal que faça uma boa administração. Marechal Rondon merece uma sequência de bons governos, até porque a situação que o Cottica e eu entregamos a prefeitura é muito melhor do quando a recebemos, seja na parte administrativa ou financeira. Não preciso estar me dedicando a observar o governo, mas uma informação que se tornou pública chama atenção: o anúncio do superávit de quase R$ 37 milhões. Existem duas interpretações possíveis: uma que de fato houve uma austeridade e uma economia; e a segunda se dinheiro público em banco é demonstração de boa gestão. Por quê? Porque dinheiro público, pela lógica, deveria ser investido em obras e serviços. Faltam dois anos e sete meses para terminar o governo e não sei se ele vai de fato conseguir fazer investimentos dos recursos que já estão guardados e mais o que vem de arrecadação, porque Marechal Rondon é uma cidade que arrecada bem. Vou dar um exemplo: nos primeiros sete meses do primeiro ano do segundo mandato passamos todo este período fazendo projetos para o governo inteiro. Contratamos até o Schiavinato, que estava na entressafra entre a Prefeitura de Toledo e a eleição para deputado estadual. Destes projetos, alguns só conseguimos começar no último ano do governo, inclusive há obras que estão sendo concluídas pela atual administração. No momento que se acumula R$ 21 milhões em recursos livres, para fazer a rodagem deste recurso, mais o que está vindo, vejo que o governo precisará trabalhar em dobro, senão não vai conseguir aplicar mais.

Em visita ao O Presente, Moacir Froehlich revelou ter declinado de uma candidatura a deputado estadual por considerar que seria um desserviço, tendo em vista que prejudicaria os dois deputados do município
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