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Política

O Brasil e o Paraná nos avanços da produção e consumo de etanol de milho

calendar_month 28 de fevereiro de 2026
3 min de leitura

O etanol de milho está assumindo protagonismo crescente no desenvolvimento sustentável do agronegócio paranaense e brasileiro. A soja continua liderando o setor agrícola nacional, mas o milho vem ampliando sua relevância econômica e estratégica e um dos fatores que mais contribuem para essa inovação é o etanol do cereal, cuja produção e consumo vêm crescendo no País nos últimos anos. Conforme especialistas, além de vantajosa do ponto de vista econômico e social, a tecnologia do etanol pode ser alternativa à descarbonização de frotas de caminhões e máquinas agrícolas, agregando maior valor ao produto essencial na alimentação humana e animal, como é o milho. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o Brasil já é o 2º maior produtor de etanol de milho no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. A produção passou de 2,59 bilhões de litros na safra 2020/21 para cerca de 10 bilhões na safra 2025/26.

Essa expansão se deveu às novas biorrefinarias pelo País, como a usina da Cooperativa Coamo, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. Com investimento de 1,7 bilhão de reais, a nova usina de etanol deve iniciar operações no segundo semestre deste ano. Ao contrário de outras grandes biorrefinarias do País, a usina de Campo Mourão deve ser instalada em parque industrial que já beneficia outras commodities e está integrado à cadeia de produção que tem no milho seu principal insumo. Conforme dirigentes da Coamo, é preciso agregar valor à produção primária e uma das maneiras de atingir esse objetivo, é através da verticalização, como já se fez com a soja e o trigo em todo o País. Já em Toledo, no Oeste do Paraná, capital do agronegócio do Estado há 12 anos consecutivos, foi anunciada em 1º de dezembro do ano passado, a implantação de usina de etanol do milho, com investimentos de 1,180 bilhão de reais e geração de 1.500 empregos ainda na fase de construção da unidade. A usina de etanol de milho será implantada por grupo empresarial formado por empresas sediadas no Rio Grande do Sul e Mato Grosso, dos ramos de combustíveis e agroindústrias.

O Paraná, não custa lembrar, é o maior produtor de proteína animal do Brasil, liderando na carne de frango e na produção de peixes como a tilápia, além de ficar em 2º lugar na carne suína, com Toledo em destaque nessas três importantes atividades. Como o milho é a base da alimentação desses animais, o Paraná se tornou vice-líder na produção brasileira e tem no etanol aliado importante para fortalecer toda a cadeia produtiva, incluindo a agricultura. Conforme profissionais do ramo, cada tonelada de milho produz em torno de 450 litros de etanol e 300 quilos de farelo, além de óleo e energia. O farelo, chamado tecnicamente de Grãos de Destilaria Secos (GDS), contém alto teor de proteína, fundamental na nutrição animal e alternativa mais econômica na comparação com o farelo de soja. Ao processar o milho, o agronegócio aumenta significativamente o valor agregado às suas atividades, sem contar os benefícios ambientais. O avanço do etanol de milho ocorre quando a redução de emissões de carbono se torna exigência de mercados internacionais e o biocombustível é alternativa já consolidada. Nem todos lembram, mas o motor a álcool é inovação totalmente brasileira, desenvolvida na década de 1970, em resposta à crise do petróleo e se consolidou no mercado nacional com a mistura do álcool à gasolina.

Dilceu Sperafico é deputado federal pelo Paraná

dilceu.joao@uol.com.br

@dilceusperafico

 
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