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Política Entrevista ao O Presente

“O governador Ratinho Junior vai ser o maior cabo eleitoral das eleições”, avalia Hussein Bakri

Líder do governo na Assembleia Legislativa, Hussein Bakri (PSD): “As coisas estão acontecendo (no Governo do Paraná) em uma velocidade fantástica” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

Ele está apenas em seu segundo mandato como deputado estadual, mas alcançou neste ano um posto importante em sua vida política. Com sua principal base eleitoral situada na região de União da Vitória, onde já foi prefeito em duas gestões, Hussein Bakri (PSD) foi escolhido para ser o líder do governo Ratinho Junior (PSD) na Assembleia Legislativa, cuja função exige ser um dos articuladores entre os grupos de situação e oposição e participar do trabalho de meio de campo entre os poderes Legislativo e Executivo.

Desde o começo da atual legislatura o deputado vem conseguindo bons resultados para ampliar a sua base e atender um número maior de municípios. Atualmente, ele conta com apoiadores em mais de 20 cidades do Oeste do Paraná – isso em poucos meses de trabalho.

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Na última quinta-feira (26), Bakri cumpriu agenda em Marechal Cândido Rondon e outros municípios da região. Em visita ao Jornal O Presente, ele concedeu entrevista em que falou sobre seu papel como líder do governo na Assembleia, fez uma avaliação dos primeiros meses de governo Ratinho e também abordou sobre a eleição do próximo ano. Confira.

 

O Presente (OP): O senhor foi conduzido, a convite do governador Ratinho Junior, para a liderança do governo na Assembleia Legislativa. O que isso representou para o seu mandato e para a sua carreira política?

Hussein Bakri (HB): É uma função nobre, que exige de mim muita dedicação, muito trabalho, momentos de tensão. Para se ter uma ideia, hoje nós temos uma base de 42 deputados, dos 54 que fazem parte da Assembleia. Evidentemente, existem pensamentos diferentes e sempre precisamos apagar algum incêndio, mas isso faz parte do dia a dia. E tem a outra questão que é relacionada à análise dos projetos. Temos vários projetos polêmicos e cabe sempre ao líder, em primeiro lugar, essa análise, essa discussão. E além de ser líder, faço parte da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e sou presidente da Comissão da Educação. Então, o meu trabalho é muito grande. Mas ao mesmo tempo em que eu tenho ônus, tenho o bônus. Ou seja, com o tempo cria-se uma relação de empatia, de amizade com todo o governo, com secretários e isso proporciona uma abertura muito grande e que vai ocasionar em atender melhor os municípios que represento, com mais obras e recursos. Eu, sinceramente, fico feliz e agradecido por ter recebido esse convite do governador Ratinho Junior. Me orgulhou bastante, fiquei muito feliz e faço todos os dias um exercício para não decepcioná-lo.

 

OP: Como o senhor avalia até aqui os primeiros meses do governo do Ratinho Junior?

HB: Surpreendentemente, porque o Poder Público não permite isso, as coisas estão acontecendo em uma velocidade fantástica. Nós conseguimos aprovar as reformas, as reduções de 28 para 15 secretarias, que tiveram um papel fundamental para diminuir o custo do Estado. As pessoas pensam que são só cargos, mas haverá menos aluguel, menos despesas, enfim, porque o Estado é gigantesco. Isso está proporcionando ao Estado, já neste ano, ter recurso para investimentos. Além disso, o governador Carlos Massa Ratinho Junior conseguiu fazer com que o Estado atingisse uma união política muito forte. O Paraná pagou muito caro pela famosa autofagia. Tínhamos três senadores, dois brigados com o governo e um a favor, ou vice-versa. Hoje os três senadores estão unidos, estiveram no Palácio Iguaçu, os deputados federais estão unidos com o governo. Tudo isso nos abre as portas para que tenhamos um ambiente político favorável para receber novos investimentos privados no Estado e para discutir investimentos importantes. Veja um exemplo aqui: quem diria que uma nova ponte ligando o Brasil ao Paraguai estaria começando tão rápido? É um exemplo claro para dar de apenas uma parceria, sendo que a obra está andando. Há nove meses, se você perguntasse alguém diria que a ponte seria construída? E veja, aí está a parceria do governo Ratinho Junior com o governo federal, através da Itaipu. Isso nos remete a acreditar em outras diversas parcerias importantes. Além do que, o governador tem uma característica muito importante: é inovador, é um homem de palavra, tem muita credibilidade, está investindo muito em infraestrutura. Ele lançou há poucos dias o Banco de Projetos, que soma R$ 350 milhões. Quando o Ratinho assumiu o governo o Estado não tinha projetos prontos, e como vai fazer obras sem projeto? Então ele separou R$ 350 milhões dessa economia e decidiu que contrataríamos projetos. Os projetos estão prontos e serão executados. Quero parabenizar também a luta dos prefeitos, que têm um papel fundamental por exemplo na luta pela recuperação da PR-495 (rodovia que passa por municípios da região).

 

OP: Toda a rodovia será restaurada?

HB: Exatamente. Esse é o compromisso do governo. Vão começar a trabalhar amanhã? Não, pois há a etapa do projeto e da licitação, mas o importante é que os recursos estão assegurados e existe uma determinação governamental. Já pensou se esses projetos estivessem prontos dois ou três anos atrás? E hoje o Paraná tem uma situação boa com o ajuste fiscal que foi feito no governo passado. Todo mundo quer oferecer dinheiro para o Paraná, porque não estamos na lista negra. Se o Paraná precisar hoje captar R$ 10 bilhões, o Paraná vai captar.

 

OP: O governo havia encaminhado à Assembleia projeto para o fim da licença-prêmio. Diante da repercussão foi apresentada uma emenda de alteração para licença-capacitação, que inclusive passou nesta semana pela CCJ. Essa modificação muda em algo os cálculos do Estado em relação a esses gastos com as licenças?

HB: As pessoas têm que entender o seguinte: a licença-prêmio é dada ao servidor a cada cinco anos, quando ele tem direito a gozar de três meses de férias. Mas se a pessoa não quiser tirar esses três meses de férias, vai receber em dinheiro e o Estado é obrigado a pagar. Sabe quanto está o débito hoje do Estado? Soma R$ 3 bilhões em passivo de licenças-prêmio. Não há governo que pague tudo isso de uma só vez. O primeiro desejo deste projeto é cessar isso, ou seja, daqui para frente não tem mais. Então o escopo do projeto é que quem entrar no serviço público não tem mais licença-prêmio. Os que têm vão receber e não serão penalizados. E para aqueles que falta um ano para ter a licença-prêmio, por exemplo, passarão por uma licença-capacitação. Nesta licença o servidor vai fazer a capacitação em dez, 20 ou 30 dias e o restante vai gozar de férias do mesmo jeito. Portanto, o objetivo do Estado é estancar daqui para frente.

 

OP: O senhor tem origem como prefeito de União da Vitória e dali se tornou deputado estadual. Neste ano deu um salto para o Oeste do Paraná, ocupando naturalmente um vazio deixado por outras lideranças que não se reelegeram. Qual tipo de respaldo o senhor está tendo e que trabalho pretende fazer com os prefeitos da nossa região?

HB: Quando fui prefeito, de 2001 a 2009, a economia do mundo estava bombando e foi o melhor momento que o mundo viveu. Evidentemente que no Brasil também, porque tinha dinheiro. Hoje o prefeito administra a folha de pagamento. Então o que ele precisa fazer? Correr atrás de recursos em Brasília e Curitiba, ter bons projetos, porque aqui ele sempre estará pagando a folha e tem que ter a obrigação que é o percentual na educação, na saúde e acabou o dinheiro. A verdade é esta. Em alguns meses neste ano tivemos redução do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) em relação ao ano passado. É bom que as pessoas saibam disso e quero parabenizar os prefeitos que têm levado bons projetos. Quero ser o porta-voz desses prefeitos da região Oeste, principalmente os que ficaram órfãos de deputados. Não quero ocupar o espaço de ninguém, pois o sol nasce para todo mundo. Através do Luciano (Scherer, assessor) eu conheci os prefeitos, eles me procuraram e quero oferecer um trabalho sério e dedicado tanto nas questões não menos importantes, que são as emendas que combinei com cada prefeito, como nas grandes causas regionais, que também quero atuar.

 

OP: O senhor acha que teremos muitas trocas partidárias nas eleições municipais em virtude até das mudanças eleitorais?

HB: Eu acredito que sim, porque o fim das coligações vai obrigar as pessoas a terem mais tato a se filiar em um partido onde sintam que vai ter candidato a prefeito. Essa é a verdade. Por que vai se filiar a ele? Porque os partidos que tiverem candidatos a prefeito a legenda vai puxar mais eleitos. Acho que é importante lembrar que, na minha opinião, o governador Carlos Massa Ratinho Junior vai ser o maior cabo eleitoral das eleições. Hoje as pesquisas de aprovação já mostram isso, mas tenho certeza que ele vai ter participação ativa na eleição e vai ter um papel fundamental. Se eu pudesse dar um palpite a ele, diria para o governador tirar um mês de férias em setembro do ano que vem para ajudar a construir um grupo de prefeitos aliados para o Paraná. Estamos conversando sobre isso antecipadamente, mas acho que ele vai ser o grande cabo eleitoral do Paraná em 2020.

 

OP: Quais partidos o senhor percebe que têm hoje a melhor aceitação eleitoral?

HB: O PSD por conta dessa dinâmica do governo. Não podemos negar que o presidente da República (Jair Bolsonaro) tem um peso muito grande em seu partido, o PSL. O restante depende das questões locais, da especificidade local, das lideranças, em que partido está filiado o prefeito, o tamanho do grupo dele. Mas em nível geral é evidente o partido do governador e do presidente.

 

OP: O senhor comunga da tese de que os partidos tradicionais, como MDB e Democratas, têm risco de enfraquecerem muito nessas eleições? O deputado estadual Requião Filho (MDB) concedeu entrevista recente ao Jornal O Presente em que preconizou, inclusive, o fim do partido se não houver uma mudança na cúpula nacional.

HB: Eu li a entrevista completa dele. Acho que alguns partidos estão sofrendo de uma crise de identidade, pois não sabem se ficam no centro, no lado A ou B. Este é o principal ponto que existe. Político que não tem identidade não adianta. Tem que ter posição, se não tiver posição vai morrer e alguns partidos estão padecendo desse mal. Com todo respeito, o que está acontecendo com o DEM hoje? Uma parte está dentro do governo e outra parte está votando contra. Não tem quem sobreviva a isso. Existe até uma certa autofagia interna no partido. Eles mesmo estão se matando. Vou dar um exemplo: a ex-senadora Marta Suplicy tinha uma identidade competente, goste ou não goste, com o PT. Quando ela saiu e foi para o MDB, acabou. E ela reconheceu isso na Folha de S.Paulo em uma entrevista, quando disse que acabou politicamente na hora em que perdeu a identidade.

 

O Presente

 

Líder do governo na Assembleia Legislativa, Hussein Bakri (PSD), em visita ao Jornal O Presente, acompanhado dos prefeitos Leomar Rohden (Mano) e Jones Heiden, de Pato Bragado e Entre Rios do Oeste, respectivamente (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

 

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