Política Novo presidente

“O PDT está vindo para incendiar o debate”, adianta Lair Bersch

Ex-secretário municipal e professor universitário, Lair Bersch: “Essas pessoas têm que conduzir o processo e se manifestar. Se isso não acontecer poderemos ter quatro a cinco candidatos a prefeito de fato, deixando uma eleição muito leve para a atual situação” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

Ex-secretário de Gabinete nas duas gestões do ex-prefeito de Marechal Cândido Rondon, Moacir Froehlich (MDB), e professor universitário, o rondonense Lair Bersch deve assumir nos próximos dias a presidência do PDT. A comissão provisória já está sendo esboçada e no dia 03 de fevereiro, na reunião da executiva estadual, em Curitiba, deve ser apresentada oficialmente aos dirigentes.

A mudança na agremiação ocorre após o arquiteto Arlen Güttges pedir afastamento da presidência do PDT para se dedicar aos projetos profissionais. Em visita ao Jornal O Presente, Bersch explicou por que decidiu sair do MDB após tantos anos de filiação, qual deve ser o projeto do partido para Marechal Rondon e como ele avalia o cenário político atual no município. Confira.

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O Presente (OP): O senhor é uma das figuras importantes do MDB de Marechal Cândido Rondon e assume agora a presidência do PDT. Essa saída representa uma ruptura com o partido emedebista?

Lair Bersch (LB): É o início de um novo projeto para mim, pessoalmente. Sempre estive no grupo tradicional de oposição hoje, que esteve no poder em outros momentos, e logicamente tenho um perfil e uma história dentro deste grupo. No entanto, quero construir um projeto um pouco mais independente a partir de agora. Surgiu essa oportunidade a partir de um convite por parte do deputado federal Gustavo Fruet, do ex-deputado Nelton Friedrich e da executiva estadual, e aceitei o desafio em fazer uma reorganização do partido. O PDT é muito tradicional e tem muita força na região Oeste. É um projeto não apenas para esta eleição de 2020, mas para médio e longo prazo, pois na eleição de 2022 pretendemos ter candidato a governador e a presidente. Este é o projeto que vamos ajudar a construir. Isso me desafia. Estou saindo do MDB, depois de mais de uma década, com os amigos lá e sem nenhum tipo de ruptura, mas vamos trilhar e construir o nosso projeto. O PDT será um partido independente e que vai tomar as decisões na hora em que for preciso.

 

OP: Quais são as pretensões do PDT para a eleição deste ano?

LB: Inicialmente, construir uma boa chapa de candidatos a vereador. Vamos estipular como meta a eleição de pelo menos um vereador e, se possível, dois. Temos nomes que estão guardados ainda em segredo e que na hora certa anunciaremos como candidatos. Tem gente nova que está ingressando na política, outros que haviam perdido espaço e colocarão seus nomes à disposição. E conforme o processo na majoritária, o PDT também poderá ter chapa completa com candidato a prefeito. O PDT está vindo para incendiar o debate na questão democrática do processo eleitoral no município. Achamos que há muito marasmo, muito comodismo, muita aceitação de certas coisas que precisam ser debatidas. Em Marechal Rondon tem que haver um debate mais rico em torno da questão política, o que não está acontecendo nos últimos anos. Vamos defender com toda veemência, e não por eu ter sido o coordenador do projeto, mas está lá (prefeitura) engavetado, que é o Projeto de Desenvolvimento 2035 para Marechal Rondon. Este projeto tem muitas coisas ricas e que não estão sendo aproveitadas. Penso que os futuros prefeitos do município precisam desengavetar este projeto, olhá-lo com carinho e aplicar aquilo que está naquele estudo.

 

OP: A poucos meses para as convenções, o que se observa hoje é que não há ainda uma união do grupo de oposição, envolvendo especialmente o MDB, PP e PSD. Qual análise o senhor faz hoje deste cenário e como projeta até as convenções?

LB: Posso falar de minha parte, que até maio do ano passado participei deste grupo, das reuniões, das discussões, ativamente inclusive. Aí fui me afastando porque percebi que o processo deveria ser construído de outra forma. Diria que hoje isso depende exclusivamente de quatro a cinco pessoas, que são o Moacir Froehlich (MDB, ex-prefeito), Ademir Bier (ex-deputado estadual, PSD), Adriano Cottica (vereador, PP), Dilceu Sperafico (ex-deputado federal, PP) e José Carlos Schiavinato (deputado federal, PP). Essas pessoas têm que conduzir o processo e se manifestar. Se isso não acontecer poderemos ter quatro a cinco candidatos a prefeito de fato, deixando uma eleição muito leve para a atual situação.

 

OP: Por que há uma dificuldade em haver um entendimento entre os partidos?

LB: Talvez tudo fruto das duas últimas eleições. Na eleição municipal de 2016 não se organizou corretamente uma candidatura a prefeito. Mesmo estando no poder, não conseguimos construir um candidato viável e possível de vitória. Foi escolhido (um nome) na última hora. E na eleição de 2018 houve muita separação, muita divisão, esse acirramento de esquerda e direita, que aqui também silenciosamente tem um pequeno reflexo. Precisa de muita habilidade para reconstruir. Para quem está no poder é muito mais fácil assimilar isso, pois sempre se tem a impressão que está tudo bem. Há três a quatro partidos que, mesmo com pensamentos diferentes, têm a máquina e a estrutura à sua disposição, o que facilita. Quando está na oposição e há grupos com pensamentos e interesses um pouco diferentes, fica mais difícil de unir. Por isso as principais lideranças precisam agir e tomar a decisão de construir esse processo.

 

OP: Existe alguma possibilidade do PDT apoiar a pré-candidatura do prefeito Marcio Rauber (DEM) ou o partido fica na oposição, mesmo se de repente o grupo não conseguir permanecer unido?

LB: Hoje, no mês de janeiro de 2020, a quase oito meses para a eleição, o PDT vai construir um projeto novo e independente. Não estaremos nem na situação e nem na oposição. Mas a tendência do PDT, por ser um partido de centro-esquerda, logicamente é estar na oposição pela característica da situação de Marechal Cândido Rondon. Há muito tempo ainda, embora pareçam poucos meses, pois teremos a janela partidária em março, filiações novas, prazos, definições de candidaturas. Muita coisa pode acontecer. A orientação do diretório estadual é que o PDT se reorganize, se fortaleça e tenha, se possível, uma chapa completa de candidatos.

 

OP: O PDT pode receber algum nome na janela partidária?

LB: Fomos sondados, mas estamos trabalhando isso com muita cautela. A questão do oportunismo não é interessante hoje na questão de candidatos. Ao mesmo tempo que pode trazer um vereador com seus mil votos, pode espantar uma série de outros que viriam para trabalhar apenas para reeleger esse parlamentar de novo. Muitas vezes se prefere uma reorganização total, com nomes novos. Se tivermos 15 candidatos e cada um fizer 200 votos, dá três mil votos e já é possível ultrapassar a legenda. Estamos pensando neste sentido: de organizar núcleos, ter candidaturas em vários setores e segmentos, e estes núcleos fortalecerem o partido como um todo, inclusive, como frisei, não só pensando na eleição municipal, mas na eleição de 2022.

 

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