O Presente
Política

“O Progressistas não colocou nenhuma condição, o que é importante”, diz Rauber

calendar_month 25 de fevereiro de 2022
9 min de leitura

Prefeito de Marechal Rondon nega que o partido tenha condicionado apoio ao governo em troca de cargos

Uma reviravolta política em Marechal Cândido Rondon, que era especulada há algum tempo, acabou se confirmando na segunda-feira (21). O Partido Progressistas (PP) deixou o grupo de oposição, liderado hoje pelo MDB, e embarcou no grupo de situação, comandado pelo prefeito Marcio Rauber (DEM).

O PP é presidido pelo vereador Claudio Köhler (Claudinho) e, na Câmara, conta ainda com o vereador Arion Nasihgil.

Em entrevista ao Jornal O Presente, o prefeito falou sobre a ida do Progressistas para seu grupo e frisou que a sigla não apresentou nenhuma condição para integrar a base aliada. Confira.

O Presente (OP): O Progressistas (PP) decidiu, nesta semana, fazer parte do governo municipal. Como o senhor avalia essa decisão do partido? E por que trazer mais esta sigla para o grupo de situação?
Marcio Rauber (MR): Eu fico feliz com a decisão do partido, mas a avaliação não posso fazer, porque não sei o que acontece dentro do Progressistas. Fico feliz porque o convite partiu de mim, diante da possibilidade de se construir mais em favor de Marechal Cândido Rondon. Esse foi o meu principal objetivo e expus inicialmente ao presidente da sigla, depois a algumas pessoas que fazem parte do partido em uma reunião que foi organizada por elas e na qual me coloquei à disposição. Este é o sentimento que tenho, de que o Progressistas pode ajudar o governo a fazer Marechal Rondon melhor. Este é o nosso objetivo e com este intuito convidei o Progressistas para fazer parte da base do nosso governo.

 

OP: O grupo político de situação aceitou bem a vinda do PP?
MR: Obviamente que cada pessoa tem o seu sentimento particular. Muitas vezes as pessoas demonstram isso e outras não. Eu fui questionado por algumas lideranças do nosso grupo e, a todos que me questionaram, expus os motivos e os objetivos, sempre falando que a intenção é que consigamos melhorar o nosso município e o Progressistas pode ajudar o governo a produzir mais em favor de Marechal Rondon. Àqueles que me questionaram expliquei e, segundo o que me disseram, ficaram convencidos do que falei, pois fui claro e objetivo. E esta é a característica do nosso governo como um todo: falar a verdade e ser transparente. Eu tenho sido muito transparente com todos eles. O nosso grupo é muito maduro e sempre digo isso. Hoje existe uma maturidade política muito grande nos membros que fazem parte do nosso grupo. Enfim, em princípio não há maior insatisfação de ninguém.

 

OP: Houve alguma condição do PP para compor a base do governo?
MR: Não. Não aceito condicional. Fiz um convite para que o Progressistas fizesse parte do governo. Durante as tratativas e aceitando este convite, o Progressistas seria tratado como são os outros partidos que fazem parte do governo. Quando me propus a ser candidato, deixei muito claro aos partidos políticos e às pessoas que seria candidato sem condicional. Se alguém colocasse qualquer condicional eu não aceitaria. Isso lá em 2016 e, obviamente, em 2020 se repetiu. O Progressistas não colocou nenhuma condição, o que é importante. Isso mostra maturidade deste partido e das pessoas que fazem parte dele. Por isso tenho certeza que vão ajudar a construir um Marechal Rondon melhor.

 

OP: Na Câmara o vereador Arion Nasihgil (PP) é um dos principais críticos da administração municipal. Com essa decisão do partido em embarcar no governo, o senhor acha que pode haver uma mudança de posicionamento dele?
MR: No primeiro mandato o vereador Arion foi muito crítico ao governo. Neste segundo mandato as críticas cessaram. Quem pode falar sobre isso é o vereador. Ele deve ter entendido a direção que este governo está dando para o município, o resultado expressivo das eleições, a demonstração de que entre todas as críticas que foram feitas durante quatro anos, não só por parte dele, e o meu trabalho, a população ficou com o trabalho. Se existe este entendimento por parte dele, isso é grandeza e precisa ser reconhecido. Neste mandato o vereador Arion não é um crítico. Ele se manifestou para a imprensa que vai continuar o vereador que sempre foi e acho que ninguém deve perder a sua personalidade e deixar de atuar como faz. Penso que vai ser um vereador importante para o governo, se essa for a decisão dele. Ele disse que respeita a decisão do partido e a decisão foi da grande maioria do Progressistas em fazer parte da base do governo e auxiliar a fazermos um Marechal Rondon cada vez melhor. Portanto, eu entendo que ele vai ser importante também neste processo de aproximação para que a gente consiga fazer mais pelo município.

 

OP: Especula-se que o vereador Claudinho pode ser chamado para compor a equipe de governo. Isso está confirmado?
MR: Eu tenho três ou quatro secretarias que posso acabar mexendo. Hoje temos duas secretarias sem titular (Cultura e Gestão de Governo). Porém, avalio que estas não são secretarias em que o Claudinho, por exemplo, pudesse produzir. Então, em princípio, nestas secretarias vagas não existe intenção em trazer o vereador. No entanto, posso fazer remanejamento. Estou estudando e quero trazer os melhores nomes. Estamos sondando alguns nomes, porque queremos que as pessoas façam o melhor. Se mexer, eventualmente o Claudinho pode receber um convite, mas não existe condicionante e isso não foi ofertado, pois não faço jogo com cargos e secretarias. As pessoas que estão comigo são convidadas e o Progressistas declarou que está comigo. Então pessoas ligadas ao partido podem, hoje, amanhã, semana que vem ou ano que vem, fazer parte do governo, sem problema algum.  

 

OP: Mas o vereador Claudinho vai para o governo?
MR: Não sei. Não conversei com ele. Não decidi ainda quem serão os novos secretários e, se eu tiver que remanejar alguém que está dentro do governo, talvez o Claudinho pode vir, como qualquer outro do Progressistas pode vir a fazer parte.

 

OP: Quais outras secretarias o senhor pretende mexer?
MR: Depende muito do que conseguir decidir para a Administração e para a Cultura. Dependendo da pessoa que vier, da pessoa que assumir, se tiver que fazer uma movimentação interna eu cubro a cabeça e descubro os pés, pois a coberta por vezes é curta. Então depende muito do que for movimentar dentro do meu primeiro escalão e isso pode permitir que alguém do Progressistas venha a fazer parte do governo. Porém, não foi condicionante do partido para fazer parte da base.

 

OP: O senhor falou da Secretaria de Administração. Muda também?
MR: Na Administração está o Anderson (Loffi) e ele é alguém que tem capacidade para ser, por exemplo, secretário de Gestão de Governo. Mas para ele ser Gestão de Governo preciso achar alguém para a Administração. O Anderson me auxilia muito na gestão de governo sendo secretário de Administração, mas só posso movê-lo se tiver alguém para ocupar o atual cargo dele. Isso não está definido, tenho sondado algumas pessoas e não tomei ainda essa decisão.

 

OP: Com a decisão do Progressistas o governo municipal deve apoiar o nome de Dilceu Sperafico (PP), caso ele seja candidato a deputado federal?
MR: Eu conversei com o Dilceu Sperafico e o presidente Claudinho também. O Sperafico perguntou ao Claudio se for candidato a deputado federal, se existe algum empecilho. O Claudio me questionou e eu disse que não tem condicionante. Se o Sperafico for candidato a deputado federal, a coisa mais natural é o Progressistas apoiá-lo. Vale a ressalva que o Sperafico foi um grande deputado federal e para Marechal Cândido Rondon talvez o melhor deputado federal que já tivemos. Eu já falei em outras oportunidades: não apoiei ele por conjunturas políticas, mas isso não me dá o direito de não reconhecer a importância dele. Se o Sperafico for candidato a deputado federal, é possível que o Progressistas esteja com ele. Algumas pessoas do nosso grupo político também poderão apoiá-lo. Não coloco condicionante e não obrigo ninguém, pois não tenho esse direito. Vale lembrar que na eleição passada dois vereadores do Democratas apoiaram o saudoso deputado José Carlos Schiavinato (PP). É assim que eu conduzo as coisas, de forma muito democrática. Não adianta eu querer forçar ou exigir, pois a pessoa não vai trabalhar com gosto. Precisamos dar a liberdade para as pessoas decidirem. Obviamente que converso e colocamos uma situação, pois o que não dá é termos dez vereadores e cada um apoiar um deputado. Aí vira uma bagunça. Não vai acontecer de todo o governo apoiar o Sperafico, pois tenho pessoas que são ligadas ao Evandro Roman (Patriota) ou ao Fernando Giacobo (PL), por exemplo. O Progressistas estando comigo, o partido estará com o Sperafico e algumas pessoas do governo podem querer estar com ele também. E terão liberdade para isso.  

 

OP: E quem o prefeito Marcio vai apoiar?
MR: O meu candidato a deputado federal já está definido. Eu tenho compromisso com deputados federais e estaduais que têm trabalhado em favor de Marechal Cândido Rondon. Voto eu só tenho um, mas tenho compromisso com a minha sociedade. Todos aqueles que produzirem em prol de Marechal Rondon serão respeitados pelo prefeito, pelo governo e a população será lembrada de todos aqueles que contribuíram para o município.

 

OP: O senhor espera que o PP esteja com o grupo político de situação na eleição de 2024?
MR: O Progressistas vem fazer parte da base. Alguns vão conhecer um pouquinho como é a gestão Marcio Rauber, como o prefeito conduz a prefeitura e como conduz o grupo político. Se eles se convencerem de que isso é bom, tenho certeza que estarão com a gente. Agora, a eleição é em 2024 e não tem condicionante. O meu convite não foi vinculado a estar com a gente em 2024. É legal se estiverem conosco? Claro que sim e, politicamente, é importante. Mas eu não tenho direito de falar pelo Progressistas.

Por Maria Cristina Kunzler/O Presente

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