Homologado há três anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), essa é a primeira vez em que o Partido Novo participa de uma eleição geral no Brasil e, diante disso, começa a ganhar projeção nacional por atuar pensando em um novo modelo de fazer política.
No Paraná, a agremiação optou em lançar apenas candidatos à Câmara dos Deputados, sendo que 16 filiados postulam a cadeira no Legislativo. Dentre esses candidatos está o médico e advogado de Cascavel, Emerson Vilanova.
Em 2008, ele foi candidato a vereador. No entanto, constatou na prática o quanto a experiência política pode não ser muito agradável e, mais do que isso, desapontadora. “Vi coisas que não me agradaram, tanto por parte de políticos como de eleitores. Acabou a eleição e resolvi tocar a minha vida profissional”, relembra, em visita ao Jornal O Presente.
Fora do cenário político, a indignação com a situação nacional não mudou. “Mas só reclamar não adianta”, afirma Vilanova. “Essa chama reacendeu quando conheci o Partido Novo em Cascavel. Éramos em poucos e nos reunimos no início de 2017. O pessoal queria fundar um núcleo em Cascavel e com potencialidades. Decidiu-se naquela época que teríamos que apresentar um candidato na eleição de 2018. Me coloquei à disposição do núcleo, que me incentivou a participar do processo seletivo do Partido Novo”, comenta.
O médico explica que na sigla não basta apenas o desejo em participar da eleição, pois é preciso provar que pode ser candidato por meio de uma seleção. “O processo seletivo consiste em cinco fases, que precisamos fazer durante um certo tempo, e mais do que a seleção é feita a formação do candidato. Acabamos aprendendo a nos expor e a organizar eventos de uma forma mais natural, dentre outros aspectos”, detalha.
Receptividade
Nas visitas em que tem feito pelos municípios da região, Vilanova diz que sente um misto de sentimento por parte dos eleitores em relação à receptividade. “Há eleitores que são totalmente avessos à política e acreditam que somos só mais um. O que nos ascende realmente à boa receptividade com outros que nos veem como uma possibilidade, não como salvadores da pátria, mas como alguém que pode plantar uma semente do bem e que pode mudar este cenário atual no longo prazo”, observa.
Questionado como convencer o eleitor a optar pelo Novo, que ainda é um partido em suma desconhecido, o candidato é enfático: “Não é uma tarefa fácil. Como existe uma política que não é bem-vista e o Partido Novo não usa verba pública (fundo partidário e eleitoral), que às vezes é um atrativo para outros políticos, temos que convencer na conversa. É expondo e conversando com as pessoas que realmente conseguimos o apoio delas”, aponta.
Abstenções dos eleitores
Dentre algumas preocupações nesta eleição está a possibilidade de haver um número significativo de votos brancos, nulos e abstenções nas urnas. Perguntado como argumentar para o eleitor a ir votar mesmo na atual situação nacional, em que a política está em descrédito, Vilanova é enfático: “É preciso conscientizar o eleitor de que ele precisa exercer o seu direito e dever de votar, porque não votar não significa que irá anular a eleição ou que haverá nova eleição com novos candidatos. Isso é fake news. O voto branco ou nulo só favorece o mau candidato, porque ele vai precisar cada vez menos votos para ser eleito. É preciso realmente consciência, pesquisar e se acha que não há candidato que lhe represente, coloque seu nome à disposição”, opina.
Expectativa eleitoral
O Novo não lançou no Paraná candidatos a deputado estadual. De acordo com o candidato a deputado federal, o partido trabalha com a perspectiva no Estado de eleição de dois candidatos à Câmara. “Inclusive a nossa candidatura tem uma probabilidade grande, tendo em vista que estamos praticamente sós no Oeste do Paraná. Tem o meu nome na região de Cascavel, que está sendo trabalhado de Umuarama a Pato Branco, e tem a Layna (Nunes) em Foz do Iguaçu. Estamos bem fortes nas cidades do Oeste e Sudoeste do Paraná. Curitiba tem 11 candidatos e acabam competindo entre eles”, analisa.
Sobre o candidato à Presidência pelo Novo, João Amoêdo, que em algumas pesquisas atingiu índices semelhantes a alguns políticos tradicionais, como Alvaro Dias (Podemos), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), o candidato a deputado federal avalia que o presidenciável já pode ser considerado um vencedor. “Estamos colhendo um apoio maior até do que se imaginava. O Partido Novo trabalha com visão a longo prazo. O objetivo desta eleição não era a cadeira do Executivo. Nosso objetivo realmente era a cadeira do Legislativo, que possa favorecer uma faxina legislativa no Brasil, revogar algumas leis que atrapalham a vida do cidadão, promover derrubada em impostos para fazer com que a economia flua mais livremente. O projeto do presidente do Brasil, não necessariamente o Amoêdo, porque no Novo não focamos em pessoas, mas sim em ideias. Imaginamos que em 2030 teremos condições favoráveis para eleger um presidente liberal”, conclui.
O Presente