O prefeito de Quatro Pontes, João Laufer (MDB), juntamente do vice-prefeito Tiago Hansel (DEM) e equipe, já ultrapassou os 100 primeiros dias do segundo mandato. O início de gestão tem sido marcado nos municípios pelo crescimento de casos de Covid-19 e as incertezas perante os gastos públicos.
No entanto, o mandatário expõe, em entrevista ao Jornal O Presente, que seu governo sempre primou pela economicidade, mas com investimento. “Dinheiro não é para deixar em caixa, mas para ser investido”, frisou.
Laufer enalteceu ainda os projetos considerados prioritários em Quatro Pontes e o apoio que o município tem recebido de deputados.
Por outro lado, ele lamentou o falecimento do deputado federal José Carlos Schiavinato (Progressistas), ocorrido na semana passada, e cravou um nome que poderia ocupar este vazio no espaço político: “Sperafico”. Confira.
O Presente (OP): O senhor já passou dos 100 dias deste segundo mandato. Como avalia o começo da gestão em meio a uma pandemia que deixou muitas incertezas quanto aos gastos públicos?
João Laufer (JL): Sempre primamos pela economicidade, mas pelo investimento do dinheiro público. Digo que o dinheiro não é para deixar em caixa, mas para ser investido. Neste sentido que estamos trabalhando. Hoje buscamos emendas parlamentares junto aos deputados, pois já abriu o orçamento de 2021 do Estado. Na semana passada fomos atrás de recursos para darmos continuidade ao trabalho que estamos fazendo, desde o tempo de vereador e agora como prefeito.
OP: Qual deve ser o foco neste segundo mandato?
JL: Para dar continuidade aos trabalhos contamos com algumas prioridades, como o hospital municipal. Queremos fazer o pronto atendimento entrar em funcionamento, mas falta a Secretaria de Estado da Saúde devolver o projeto que foi enviado. Outro projeto que já fomos atrás de recursos envolve a implantação do lago municipal. Contamos como prioridade, ainda, o asfalto rural e a construção de uma super creche. Há muitas indústrias interessadas em se instalar em Quatro Pontes, inclusive algumas já adquiriram áreas no município, então precisamos dar um conforto para essas famílias, garantindo que as crianças estarão em um local amplo, arejado, seguro, para que os pais e as mães possam trabalhar.
OP: Em termos de pavimentação, o que o município planeja para ser executado?
JL: Planejamos contemplar sete trechos de estradas rurais. São eles: estrada rural sentido à piscina; estrada sentido à propriedade do Pedro Barbian; estrada que vai a Linha Itá; estrada sentido Três Voltas; sentido Linha Sanga Leão; sentido Linha Progresso; e estrada rural na direção à Linha Guaçu. Três linhas serão executadas por meio de um convênio com a Itaipu e, das outras quatro, uma será com recurso do município e três por meio de financiamento junto ao Banco do Brasil, além da parceria com os produtores. O nosso planejamento prevê em torno de 18 quilômetros de pavimentação rural. Também faremos pavimentação sobre pedra irregular. Todo trecho de pedra irregular que o município tem e não foi feito na gestão João e Tiago será coberto com asfalto. Planejamos até o final do nosso mandato concluir esse projeto, que é uma parceria com a Itaipu.
OP: Qual o investimento previsto?
JL: Somente na pedra irregular agora é de R$ 650 mil. Mas o investimento previsto no asfalto rural passa de R$ 3 milhões.
OP: E no decorrer do mandato, quais os investimentos elencados como prioritários?
JL: Continuidade do atendimento aos produtores rurais, indústria e comércio, bem como a instalação de novas empresas em Quatro Pontes. Várias já manifestaram interesse e outras adquiriram área. Estimamos que desta forma será possível gerar de 800 a 1,2 mil empregos diretos dentro destas empresas.
OP: E Quatro Pontes tem mão de obra para suprir a demanda destas novas empresas?
JL: Estamos trabalhando visando à construção de casas e indo atrás de mais moradias para que as pessoas possam morar e trabalhar em Quatro Pontes. Hoje não temos essa mão de obra disponível, mas acredito que com a instalação destas empresas mais moradias serão construídas. Houve a liberação dos condomínios Karibe e Havaí e isso vai ajudar bastante. Além disso, mais dois loteamentos particulares estão saindo, assim como o condomínio São João. Penso que teremos espaço para que todos morem e trabalhem aqui.
OP: O município prevê então a expansão da área urbana?
JL: Isso. Estamos esperando a audiência pública do Plano Diretor para expandirmos a área urbana para que mais pessoas possam morar e trabalhar no município. A qualidade de vida que temos aqui é alta. Contamos com o 3º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Paraná e isso ajuda muito, porque as pessoas têm interesse em investir em Quatro Pontes. Desta forma, precisamos nos preparar. Até por isso queremos construir a super creche que atenderá 400 crianças.

Prefeito João Laufer: “O que ouvi nos bastidores é que a conversa estaria próxima com o Orlando Pessuti (MDB) para ser o candidato a vice-governador ao lado do governador” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)
OP: Na semana passada a região perdeu um dos seus principais líderes políticos, o deputado federal José Carlos Schiavinato. Ele era um dos parlamentares que atendia o município de Quatro Pontes. Como o senhor visualiza o cenário político com este falecimento?
JL: É uma perda muito grande e irreparável para nós. O Schiavinato era uma pessoa de palavra. O que ele falava, cumpria. Sempre foi assim com o nosso município e acredito que com os demais. Ele ajudava muito toda região e me espelhei muito nele. Um exemplo é nossa reunião de secretários, que sempre é feita às 07 horas para que, às 08 horas, já possamos atender a população. Isso eu copiei dele, assim como o programa de asfalto rural.
OP: O senhor enxerga um nome hoje que pode ocupar o espaço político deixado pelo Schiavinato?
JL: Eu vejo o nome do ex-deputado federal Dilceu Sperafico (Progressistas). Ele sempre foi o deputado da região e penso que, se voltar, teremos alguém para suprir essa lacuna deixada pelo Schiavinato.
OP: O senhor acha que ele teria disposição em retornar à vida pública?
JL: Com certeza. Com a experiência que o Sperafico tem, acredito que sim. O Schiavinato e o Sperafico fizeram a diferença, bem como o deputado federal Sérgio Souza (MDB). Tivemos eles como parceiros e por isso Quatro Pontes está bem. Eles não traziam recursos para o prefeito, mas para a população. Isso faz a diferença.
OP: O município pode buscar algum outro deputado para suprir a falta do Schiavinato?
JL: Acredito que há vários deputados que poderiam substituir, mas temos o Sérgio Souza hoje. Além disso, penso que o substituto do Schiavinato (Valdir Rossoni, PSDB) também vai auxiliar com algumas emendas que já estão em andamento. Vamos procurar o Rossoni quando formos a Brasília para saber se ele nos atenderá como o Schiavinato nos atendia. Se ele der andamento ao que o Schiavinato fazia, o Rossoni fará um grande trabalho.
OP: Ano que vem haverá eleição. Quais nomes o seu grupo político pretende apoiar para a Assembleia Legislativa?
JL: Vamos conversar ainda sobre isso, mas nosso compromisso hoje é com o líder do governo, Hussein Bakri (PSD), e com o Marcel Micheletto (PL, atual secretário de Estado da Administração e Previdência). Temos compromisso com deputados que se colocam à disposição da região. Se sair um nome novo da região que possa nos atender futuramente, também vamos conversar com ele.
OP: Essa lacuna que o Schiavinato deixa, na sua opinião, pode abrir uma brecha para o Marcel Micheletto sair como candidato a deputado federal?
JL: Com certeza. Se ele fosse candidato a deputado federal faria uma excelente votação. Primeiro, pelo legado que tem do pai dele, o ex-deputado federal Moacir Micheletto. E, segundo, já tem experiência como prefeito e como deputado estadual. No entanto, ele deixou claro para mim que desta vez sairia como candidato a deputado estadual.
OP: O deputado federal Sérgio Souza assumiu a presidência provisória do MDB do Paraná com o objetivo de reformular o partido para a eleição de 2022. O senhor acha que a sigla terá candidato próprio ao governo estadual?
JL: Não conversamos sobre isso ainda. Estive com ele na semana passada, mas o deputado não deixou claro se o MDB terá candidatura própria ou vai apoiar alguém. O que ouvi nos bastidores é que a conversa estaria próxima com o Orlando Pessuti (MDB) para ser o candidato a vice-governador ao lado do governador Ratinho Junior (PSD). Eu gostaria que houvesse essa união e a formação desta dobradinha.
OP: O senhor deve apoiar o nome do Ratinho Junior ano que vem?
JL: Não tratamos sobre isso, mas se eu conseguir a ajuda que ele prometeu ao município de Quatro Pontes, e está ajudando, mais o trabalho que está fazendo, penso que podemos apoiar, sim.
OP: Na eleição de 2018 a região mostrou nas urnas ser altamente favorável ao então candidato e hoje presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em 2022, o senhor acredita que o índice de votos válidos se mantém elevado por aqui?
JL: Acho que ele colocou o Brasil de novo para andar, mesmo com a pandemia. O país está crescendo. Acredito que o presidente está no caminho certo. Vou apoiá-lo e tentar reunir o maior número de adeptos para reelegê-lo para continuar desenvolvendo este trabalho. Tem momentos em que ele fala algumas coisas que eu não aprovo, mas o trabalho, a honestidade, a seriedade e as conquistas que a região toda já teve ajudam muito, como é o caso da duplicação da BR-163.
OP: Falando em BR-163, preocupa a possibilidade de a União não ter recursos para concluir a obra?
JL: Ali o Schiavinato já faz falta para nós, porque ele era um lutador para que essa obra fosse concluída. Vou cobrar os demais deputados. O Brasil tem recurso para isso. Acredito que o governo federal vai dar um jeito para concluir a obra. Vou me reunir com os outros prefeitos da região, como de Toledo (Beto Lunitti) e Marechal Cândido Rondon (Marcio Rauber), para conversarmos e cobrarmos o governo para que a obra não seja paralisada.
O Presente