A situação de pandemia mundial causada pelo novo coronavírus fez com que uma série de medidas fossem adotadas nos âmbitos nacional, estadual e municipal com o propósito de conter o avanço do vírus e da doença provocada por ele, a fim de preservar vidas. Todavia, o isolamento social e a quarentena sugeridos pelos governos, aliados ao fechamento parcial ou total do comércio, indústrias e prestadores de serviço, trarão impactos significativos à economia brasileira. Em vista de tal cenário, um assunto que ganhou força nos últimos dias é o adiamento das eleições, o que poderia diminuir o desgaste financeiro e manter a continuidade do trabalho nos municípios.
Embora o debate não seja novo, uma vez que a proposta já vinha sendo levantada, é polêmico. A fim de ouvir a opinião de prefeitos de municípios da microrregião a respeito do assunto, a reportagem de O Presente procurou os gestores, que, além deste tema, também falaram sobre o cenário pós-pandemia e os efeitos “previsíveis” na economia.
CONTRA O FUNDO PARTIDÁRIO
O prefeito de Marechal Cândido Rondon, Marcio Rauber, diz que, enquanto pré-candidato à reeleição, é natural ser favorável que as eleições sejam adiadas para daqui dois anos. “Não sei se isso é o melhor para o país, pois ainda é muito incerto. Do ponto de vista do coronavírus, acho que seria importante, mas depende dos reflexos dele. Nós não sabemos o que vai acontecer daqui até julho, por exemplo, quando começa efetivamente o período eleitoral”, declara.
“Eu até acho que as eleições unificadas são importantes, pois o município gasta menos com isso. Se houver real necessidade do governo federal investir pesado para recuperar a economia por conta dos reflexos negativos do coronavírus, o fundo partidário pode ser utilizado nisso, pois sou contra recursos públicos em eleição. É um volume de recursos bastante grande que pode ser investido para fortalecer a nossa economia, que vai pagar mais caro em relação ao coronavírus”, pontua.
FAVORÁVEL AO ADIAMENTO
De acordo com o prefeito de Pato Bragado, Leomar Rohden (Mano), o coronavírus cria uma situação extremamente séria com uma quarentena que não se tinha visto até então no país. “Muitos municípios adotam medidas como evitar aglomeração de pessoas para que não haja transmissão, ou seja, tentam minimizar essa situação”, pontua.
Na opinião do gestor, a eleição municipal deveria ser prorrogada para o bem do país. “O investimento nos partidos deve ser utilizado para melhorar a saúde, seja em equipamentos, leitos, UTIs, esta é a saída”, sugere Mano. “Sou a favor do adiamento, independente de quem está e quem estará no poder, pois envolve uma questão de saúde pública e social, entre outros fatores, então nada mais justo. Não sei se há interesse por parte do Congresso Nacional, porém vejo como bastante importante”, amplia.
Mano entende que haverá reflexos na economia, problemas e dificuldades nas empresas, no entanto, a preocupação inicial deve ser com as vidas. “Primeiro vem a saúde, para evitar internamentos e mortes, para depois buscar soluções em outras áreas”, opina.
NÃO DEVE SE CONFIRMAR
A prefeita reeleita de Mercedes, Cleci Loffi, lembra que o adiamento das eleições é um assunto debatido faz tempo. “Estivemos ano passado em um evento em Brasília, onde ficamos praticamente um dia inteiro parados no Congresso Nacional aguardando para sermos atendidos visando discutir este assunto. Unificando as eleições em uma única data nós teremos quatro anos de gestão efetiva, o que facilita o trabalho e a população é a primeira a ganhar com isso”, enaltece.
Ela sugere, inclusive, que partidos políticos abram mão da verba do fundo eleitoral, além do recurso que seria economizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), objetivando investir em vários setores para recuperar a economia impactada pelo coronavírus. Todavia, acredita que a eleição não deve ser adiada por existirem muitos interesses em torno do assunto.
Sobre o cenário atual e futuro, a prefeita comenta que Mercedes está estruturado para enfrentar o coronavírus e atender os pacientes. “Em relação à economia, se o impacto é grande nos governos federal e estadual, imagina nos municípios, onde estouram problemas, estão pacientes, obras, ou seja, a diminuição de recursos vai impactar para nós, mas temos de ficar alerta e tomar os cuidados quanto ao coronavírus”, reflete.
SOLUÇÃO À CRISE
Na avaliação do prefeito de Quatro Pontes, João Laufer, tal decisão deveria ter sido tomada há dois anos, quando tinha maior possibilidade de acontecer. “O custo de uma eleição é alto demais e esse dinheiro daria para combater muita coisa. O coronavírus serve de exemplo. Precisamos de recursos para a saúde, mas estão escassos. Esse dinheiro que tem no fundo partidário penso que resolveria nosso problema e ajudaria muitos municípios”, analisa, acrescentando: “Unificar as eleições seria a solução para o país sair dessa crise, porque a administração para seis meses antes da eleição municipal e outros seis meses nas eleições para deputado, senador, governador e presidente”.
Laufer expõe que a crise econômica devido ao coronavírus vai ser geral e já é sentida agora. “O pessoal tem restrição nas compras, o comércio já sente, o que me deixa preocupado. Fazemos cortes, a exemplo dos comerciantes”, informa, declarando-se nesse momento “favorável à eleição ser prorrogada”.
CINCO ANOS DE MANDATO
Embora tenha preferido não opinar em relação ao adiamento ou não desta eleição em virtude do coronavírus, o prefeito de Nova Santa Rosa, Norberto Pinz, entende que as eleições deveriam ser a cada cinco anos no Brasil, sem reeleição. “As eleições municipais, estaduais e federais deveriam ser no mesmo momento, tendo em vista que tanto os municípios quanto Estados e o país perdem muito com eleições de dois em dois anos. Analisando pelo desenvolvimento, penso que a eleição deveria ser unificada de cinco em cinco anos”, enfatiza.
No que tange ao cenário vivido, Pinz espera que tudo volte ao normal em breve. “A situação vai afetar a economia do município, mas esperamos que tudo retorne o mais rápido possível para que possamos voltar a crescer economicamente. Não sabemos como estará a situação daqui alguns dias, porém estamos tendo muita cautela para lidar com tudo que acontece, pensando no bem de todos os nova-santa-rosenses. Estamos seguindo todas as recomendações de prevenção repassadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pedimos o apoio e a compreensão de todos”, finaliza.
SUSPENSÃO JUSTA
Na opinião do prefeito de Entre Rios do Oeste, Jones Neuri Heiden, o adiamento da eleição deve ser bem analisado, uma vez que para ele que está no segundo mandato a realidade difere de quem está na primeira gestão, pois os prefeitos que assumiram em 2017 vêm sendo prejudicados nestes anos com escassez de recursos em nível federal. “Como o governo vai liberar recursos com todo este problema que o Brasil enfrenta? É difícil! Se olhar por esse lado era bom estender o mandato para que os prefeitos pudessem cumprir seus compromissos, aquilo que planejaram e saíssem de cabeça erguida sabendo que fizeram um bom governo”, avalia, emendando que “seria justo adiar as eleições para premiar esta gestão de prefeitos de todo Brasil para que possam finalizar os mandatos com chave de ouro”.
No que tange ao cenário imposto pelo coronavírus, Heiden comenta que uma explosão simultânea de casos em virtude da agilidade com a qual o vírus se propaga pode causar pane na saúde. “Temos que fazer a nossa parte e cuidar da saúde, mas também é preciso procurar uma solução porque haverá impacto econômico”, pontua.
FOCO NA SAÚDE
O prefeito de Maripá, Anderson Bento Maria, acredita que nesta fase em que se fala de combate ao coronavírus o foco em si deve ser mantido na saúde, em tomar as prevenções possíveis para que este vírus não se alastre e assim as vidas sejam preservadas. “Penso que cabe ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal e a quem realmente tem o poder definir sobre o adiamento das eleições. Estou à disposição do município de Maripá. Se porventura isso vier a acontecer, meu compromisso é trabalhar no mesmo ritmo, com o mesmo zelo e a mesma transparência”, destaca.
Ele menciona que no momento não formou sua opinião sobre ser favorável ou não ao adiamento das eleições. “Há coisas mais emergenciais e muito mais preocupantes para lidar nesse momento em relação à questão do coronavírus, da propagação do vírus e das decisões importantes que cada um está tomando no seu município. Todas as decisões, sendo elas difíceis, foram pautadas em resoluções e decretos dos governos do Estado e federal e que nós, com muito zelo pela vida do ser humano, entendemos ser necessárias”, expõe.
O gestor espera que todo este cenário que se formou em função da Covid-19 seja superado o mais rápido possível e que os números não sejam tão negativos como estão dizendo na mídia a respeito da economia do nosso país. Ele reconhece que haverá impactos, porém entende não ser possível mensurar neste momento. “O comércio, a indústria, a prestação de serviços e o agronegócio vão apoiar a retomada gradual da economia”, ressalta.
O Presente