Aos 66 anos e com muita disposição para participar direta e ativamente da política nacional, Alfredo Kaefer está em busca do quarto mandato para a Câmara Federal.
Filiado ao Partido Republicano da Ordem Social (PROS), nesta eleição ele se apresenta como conservador e apoiador das liberdades democráticas, do liberalismo econômico e da candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro.
De município em município, Kaefer espera reunir o número de votos necessários para, mais uma vez, se eleger deputado federal. “Estou (atuando) em quase 300 municípios do Paraná. Com cem votos aqui, 200 ali, pretendemos chegar lá”, declarou ao O Presente.
Na quarta-feira (22), o candidato do PROS esteve em Marechal Cândido Rondon, onde se reuniu com apoiadores e correligionários. Durante sua passagem pelo município, ele visitou o Jornal O Presente, ocasião em que concedeu entrevista. Confira.
O Presente (OP): Qual foi a motivação para uma nova caminhada na política?
Alfredo Kaefer (AK): A motivação foi a de sempre. Eu sempre quis continuar na esfera política. Me filiei ao PROS, que é o partido que achei que me encaixaria melhor. Estou na minha quinta eleição. Construímos um legado no Estado e muita gente me conhece, conhece o meu trabalho. Até por isso, nos locais onde eu chego, sou muito bem aceito. Tenho um histórico de parlamentar atuante e muitos me conhecem pela instituição deputado federal. O Alfredo foi conhecido e qualificado como um verdadeiro parlamentar, não aquele demagógico. Trabalhei pela reforma tributária, pela agricultura; no Código Florestal, fui relator de matérias importantes; participei do Rota 2030, em prol do setor automotivo; Marco Regulatório, entre muitos outros projetos e ações importantes para o país. Em tudo isso há o DNA do então deputado Alfredo Kaefer.
OP: O senhor é um adepto da política do presidente Bolsonaro?
AK: Sem dúvida, meu voto será dele. A sociedade, muitas vezes, comete um erro ao não analisar a ópera pelo conjunto como um todo. Temos um governo liberal, que atravessou uma tempestade, que foi a pandemia, que atravessou uma tempestade mundial de uma guerra na Ucrânia, que desestruturou a economia, a relação de preços no mundo inteiro. Ainda assim, se recuperou e avançou. Temos uma inflação americana hoje que tem a moeda mais sólida do mundo, maior do que a nossa. O chamado “miserável real” hoje é mais forte do que o dólar. Há uma série de coisas indo bem e se não avaliarmos o todo e votarmos para um governo que nós já conhecemos o que faz, vamos colocar tudo em risco.
OP: Se o Lula vencer as eleições, o senhor acredita que pode haver um revés, por exemplo, em reformas aprovadas?
AK: Com certeza. Não sou um pessimista extremo de dizer que o Brasil teria um governo radical de esquerda ou algo como muitos dizem por aí, do Brasil virar uma Venezuela. Isso não. Teremos uma esquerda moderada, um progressismo disfarçado de socialismo. Não teremos um governo liberal. Já estão falando em rever privatizações, em rever as nossas relações, não só as relações de trabalho, rever reforma trabalhista. Eu participei da reforma trabalhista, com Michel Temer, da reforma da previdência, que foi um grande avanço, e só não fizemos a reforma administrativa porque houve problemas com o Michel, se não nos teríamos feito isso também.
OP: O senhor é um homem do agronegócio e também tem forte ligação com as causas sociais, especialmente através do Instituto Alfredo Kaefer, por meio do qual já prestou muitos serviços à sociedade paranaense. O seu eleitor vem dessas áreas ou é diversificado?
AK: É um eleitor qualificado, que conseguiu ver consistência nas ações do então deputado Alfredo Kaefer, que trabalhou pelas grandes causas nacionais, que trabalhou com fundamento, sem demagogia. Deixei de divulgar muita coisa, pelo meu jeito, às vezes até por excesso de humildade, mas patrocinei grandes e importantes causas do país. Destinei muitos recursos até por força das circunstâncias ou por dever de oficio, por eu ser deficiente, desde os cinco anos de idade. Todo mundo sabe e eu não escondo isso, então sempre privilegiei as entidades filantrópicas e as Apaes, por exemplo.

OP: O senhor não conseguiu se eleger deputado federal na última eleição (2018). Teve dificuldade de comunicação com o eleitor ou acha que o eleitor não compreendeu o trabalho feito ao longo dos seus mandatos na Câmara?
AK: Sempre fui cartelizado por um conjunto de ações, e a eleição de 2018 foi atípica. Ela saiu totalmente fora do prumo. Eu não estava na onda bolsonarista. Fui filiado ao PSDB, partido pelo qual fui eleito por três mandatos. Fui buscar o meu eleitor e o eleitor que se encaixava dentro daquela linha. Aderi ao nosso grande companheiro Alvaro Dias, que tem toda uma história e naquele momento era candidato a presidente da República. Imaginei o seguinte: “que oportunidade eu tenho de ter um candidato a presidente da República e, naquele momento, com chances de ir ao 2º turno”. Abracei o Alvaro Dias cego. Ele afundou e eu afundei junto. Apoiei a Cida Borghetti. Fui leal porque ela era companheira do Beto Richa, a quem eu apoiei por dois mandatos. Fui junto, era do nosso time, mas ela afundou e eu afundei junto. Se eu tivesse cometido uma demagogia e ter pego a minha bengalinha, tivesse imitado uma espingardinha e ter colocado major Alfredo Kaefer, delegado Alfredo Kaefer, eu teria ido no vácuo e teria conseguido me eleger, mas fui tradicional e não alcancei os votos.

OP: Em quais municípios da região Oeste o senhor projeta fazer mais votos nesta eleição?
AK: Estou (atuando) em quase 300 municípios do Paraná. Cem votos aqui, 200 ali, 300 lá. Marechal tem um grupo, Mercedes tem um grupo, Pato Bragado tem um pouquinho, Nova Santa Rosa, Palotina e Toledo. Pingadinho, estou espalhado por todo o Estado e, lógico, em municípios onde estivemos mais referenciado com recursos pretendemos fazer um pouco mais de votos. Reafirmo em todos os lugares que eu vou: “vocês conhecem o meu trabalho, pela agricultura sustentável, pelo agronegócio, pela educação, que tem que ser a pauta principal de um deputado”. Mudamos as gerações através do ensino e da educação. Coloquei na minha propaganda no horário eleitoral que sou conservador nos costumes pela família, porque ela é a célula principal da sociedade. É nela que se formam as pessoas. Sou liberal na economia, porque entendo que é através do sistema privado que se produz, que se avança. Quanto menos governo na vida das pessoas, melhor. Sou pelas liberdades democráticas, porque, bem ou mal, a democracia pode não ser o melhor regime, mas ainda é o menos ruim. De quatro anos em quatro anos você vai lá e troca quem não lhe serve. Tenho compromisso de continuar trabalhando nessas pautas importantes. O Brasil e o Parlamento, que tem cada vez mais força no país, têm que se ater a uma nova era de ciência, tecnologia e inovação. Em todos os campos de atividade humana nós temos que ir para a agricultura de inovação, para a indústria de inovação, temos que nos preocupar com produção com sustentabilidade. Temos que continuar fazendo tudo isso. Eu sempre termino meu discurso dizendo, prometo uma única coisa: dedicação e muito trabalho no Congresso Nacional.
Trajetória política
Alfredo Kaefer foi candidato a deputado federal do Paraná em 2006, pelo PSDB, se elegendo com 158.659 votos.
Foi reeleito na eleição de 2010, com 102.345 votos, e em 2014, com 82.554 votos.
Em fevereiro de 2016, anunciou sua saída do PSDB, por divergências com o comando da sigla no Paraná, e o ingresso no PSL.
Em 2018 se filou ao Progressistas (PP), em 2020 no Partido Social Cristão (PSC) e em 2022 no PROS.
O Presente