Uma semana depois de voltar das férias nos Estados Unidos, Ratinho Junior vai a Brasília para uma reunião com a cúpula do PL. O encontro, no início de março, tem como objetivo discutir a aliança entre o PSD e o PL no Paraná na eleição de 2026.
Devem participar desta reunião, Fernando Giacobo, presidente do PL no Paraná, o deputado federal e pré-candidato ao Senado, Filipe Barros, além de Rogério Marinho, que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto, que comanda o partido nacionalmente, e do próprio filho de Jair Bolsonaro.
Hoje a relação entre os dois partidos no Paraná vai muito bem obrigado. Ratinho e Jair Bolsonaro costuraram uma aliança em 2024 com compromissos também para a eleição deste ano. Na época, o acordo previa a vice do PL na chapa de Eduardo Pimentel, com a indicação de Paulo Martins, e para 26 o PSD indicaria um candidato ao Senado e Ratinho indicaria o outro.
Este acordo pode subir no telhado por conta de uma eventual e iminente candidatura presidencial de Ratinho Junior — contra Flávio. Rogério Marinho tem analisado as costuras políticas estado a estado e ao chegar no Paraná se depararou com o panorama delicado. A dúvida central da cúpula do PL é: vale a pena romper com o governador do Paraná em troca de um palanque para Flávio Bolsonaro no 1º turno?
Se sim, as consequências seriam: quem o PL do Paraná lançaria para disputar o Palácio Iguaçu e as duas vagas ao Senado? Quais legendas estariam dispostas a caminhar com o PL? A cisão compromete a chapa de estaduais e federais? E uma ruptura agora não ameaça uma aliança num eventual 2º turno? Flávio Bolsonaro precisa de fato, é condição sine qua non, de um palanque no 1º turno?
Hoje a resposta seria não. Tanto é que a cúpula do PL entrou em contato com Ratinho, antes dele embarcar para os EUA, para dar os seguintes recados: não há diálogo aberto com Sergio Moro e a aliança segue firme e de pé. Pelo menos por enquanto. A ordem, neste momento de pré-campanha, é não romper com o PSD do Paraná. Até porque Flávio tem certeza que estará no 2º turno com Lula e precisará de Ratinho na fase final do pleito.
Divisor de águas
Mas um palaciano experiente de cabelo branco alerque que, em se tratando da família Bolsonaro, tudo pode mudar — diante da instabilidade política já demonstrada pelo clã. “Nem dentro de casa eles se acertam. Recentemente a madrasta (Michelle Bolsonaro) declarou ao Jair que não vai apoiar o enteado”, diz a fonte. A tendência é que após este encontro no início de março os dois partidos sigam alinhados no Paraná.
O divisor de águas, no entanto, será o eventual anúncio oficial de que Ratinho será candidato ao Palácio do Planalto e a repercussão deste fato político junto ao eleitorado de direita e centro-direita. Se o nome do governador do Paraná ganhar musculatura no cenário nacional, é Flávio Bolsonaro quem vai sentir primeiro o baque, já que são os eleitores dele que podem mudar de trincheira.
Não os convertidos, mas os que declaram nas pesquisas de intenção de voto certo desconforto com a volta dos Bolsonaro ao Palácio da Alvorada. Ou seja, se Ratinho, de alguma forma, começar a incomodar e ameaçar o filho 01 de Bolsonaro, o acordo no Paraná pode desandar. O timing é fundamental, uma vez que a janela partidária se encerra no início de abril e o prazo de desincompatibilização finda em quatro de abril.
O PL do Paraná não quer nem ouvir falar em ruptura com Ratinho — teme que um racha comprometa todo o planejamento já desenhado, principalmente no que diz respeito à formatação das bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Existe um receio de uma debandada de deputados e candidatos caso haja um rompimento.
A tendência, portanto, é de um encontro muito amistoso de velhos amigos em Brasília no início de março. Mas quando as peças forem colocadas no xadrez político/eleitoral, as jogadas podem derrubar Cavalos, Torres e Peões, ou fortalecer ainda mais Bispos e o Rei.
Com Blog Politicamente
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