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Política

Ritmo do prefeito expõe olheiras na cara da equipe

calendar_month 4 de maio de 2018
3 min de leitura

23h45 de um dia qualquer. Toca o telefone do secretário. Sonso pelo efeito Morfeu, mal acordado, o cambaleante vivente tateia o criado mudo no escuro para localizar o celular. Ao tocar no botão verde, ouve aquela voz bem familiar: “Aqui é o Paranhos. Aquela ação que pedi para você, ficou pronta?”.

Paranhos liga a qualquer hora de qualquer dia cobrando ações. O ritmo dele vai de 06h30 até meia-noite, diariamente, incluindo sagrados sábados, domingos e feriados. “Separei 1.860 dias de minha vida para dedicar ao município de Cascavel. O farei todos os dias e todas as noites”, disse o prefeito ao Pitoco, na manhã do último domingo (21).

Dali mesmo, da Feira do Teatro, ele já havia feito seis ligações telefônicas dominicais cobrando ações. Estava incomodado com os moradores de rua abordando famílias na feirinha da Praça Wilson Joffre. “Já cobrei isso 15 vezes, aí reclamam se me altero. Tem que ter uma viatura lá”, disse, irritado ao interlocutor. Depois implicou com o descuido das floreiras, na frente do Centro Cultural. Mais cedo, vistoriou as obras da Tito Muffato e ligou para um dos sacos de pancada preferido, o Pedrinho Silvério, cobrando sinalização no local.

“Serviço público é doação completa”, disse o prefeito entre uma ligação e outra. “Se você não quer se incomodar, não seja candidato, não aceite função pública. Não quer se incomodar, monta uma loja, fecha às 18 horas e desliga o celular”, disse.

Questionado se a pressão excessiva sobre a equipe está na raiz das recentes deserções, quando meia dúzia de comissários pediram o chapéu ou foram convidados a se retirar, Paranhos não se abate. “Olhe aqui as mensagens no meu celular. As pessoas me cobram. E eu cobro da equipe. Eu não tenho o direito de desligar o celular em momento nenhum. Eu assumi responsabilidades e preciso dar conta disso”.

Por razões diferentes e já divulgadas, quatro secretários deixaram extenuados a equipe full time do prefeito: Dillemburg, Berté, Lange e Zuchi. Este último, insone, morando em um apartamento a 100 metros do paço, vinha fazendo o ritmo 06h30/meia-noite diariamente, e ainda dedicando algumas horas da madrugada para responder ataques que o prefeito recebe na rede social.

Zuchi alegou razões de ordem familiar para deixar a Secretaria de Comunicação. Outro afastado, sob a condição do anonimato, se queixou do ritmo e do estilo duro e desconfiado do prefeito. “Ele não confia em ninguém”, relatou ao Pitoco, pedindo anonimato.

Não é verdade. Paranhos confia muito em alguns nomes: Alcione da Fundetec, Pelissaro da Cettrans, Diego e Dessireé do gabinete e Gruber do IPMC. “Ele gosta dos submissos, dos mansos que aguentam tudo”, alfinetou o ex-secretário.

De toda forma, acompanhar o ritmo do prefeito desconfiado e workaholic não é coisa para atleta de 100 metros rasos. Paranhos é pulsante, instável, maratonista com pulmão de queniano. Para os próximos 60 dias, estipulou 152 ações para o secretariado. “Aqui ninguém é insubstituível, nem eu”, disparou.

 

O Pitoco

 
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