A sessão ordinária do Poder Legislativo de Marechal Cândido Rondon de segunda-feira (11) entrou para a história política do município. Por maioria de 6 votos a 5, os vereadores aprovaram o relatório da Comissão de Ética da Câmara que determinava a suspensão do mandato de Tania Maion por 30 dias.
A votação, realizada no encerramento da sessão, atraiu grande atenção popular. Todas as cadeiras do plenário estavam ocupadas, com dezenas de pessoas em pé e cerca de 400 espectadores acompanhando ao vivo pelo canal da TV Câmara no YouTube.
Antes da votação, o advogado de defesa da vereadora, Alexandre Gregório da Silva, fez uma sustentação oral contundente. Em seus 15 minutos de fala, pediu que os vereadores votassem com base nos fatos, e não em ideologias. Criticou a abertura do processo, alegando que o Legislativo estaria julgando a si próprio.
“Indicações e requerimentos nascem da fiscalização. Se isso for punível, então toda atuação do vereador estará em risco”, afirmou Gregório, destacando que os fatos apresentados eram frágeis e insuficientes para justificar a penalização.
Caráter pedagógico
Representando a Comissão de Ética, o presidente Coronel Welyngton defendeu o relatório e afirmou que a penalidade não visava cassação, mas sim uma medida pedagógica. Segundo ele, Tania teria extrapolado suas atribuições parlamentares sob o pretexto de fiscalização, configurando abuso de autoridade.
“Assim como temos o dever de fiscalizar o Executivo, na Comissão de Ética temos o dever legal de fiscalizar a atuação dos vereadores, quando provocados”, declarou.
Resultado da votação
Votaram a favor da suspensão (6):
- Cleiton Freitag (Gordinho do Suco)
- Fernando Nègre
- Iloir Padeiro
- Carlinhos Silva
- Rafael Heinrich
- Coronel Welyngton
Votaram contra a suspensão (5):
- Cristiano Mertzner (Suko)
- Juca
- Juliano Oliveira
- Verde
- Tania Maion
O vereador Sargento Spohr, relator da Comissão de Ética, não participou da sessão por estar hospitalizado. O presidente da Câmara, Valdirzinho Sachser, só votaria em caso de empate.
Aplausos e indignação
Ao final da votação, o público presente reagiu com aplausos e gritos de apoio à vereadora, além de vaias direcionadas aos parlamentares que votaram pela suspensão. Tania foi cercada por apoiadores na saída e fez um breve discurso:
“A mentira pode até vencer momentaneamente, mas é a verdade que vai prevalecer”, afirmou, prometendo recorrer à Justiça.
Apesar da tensão, a maior parte das manifestações populares foi direcionada ao prefeito Adriano Backes, autor da denúncia que originou o processo. Muitos consideraram a suspensão uma retaliação política articulada pelo Executivo.
Segurança reforçada
Do lado de fora da Câmara, uma viatura da Polícia Militar permaneceu estacionada com dois policiais de prontidão. A medida preventiva visava garantir a ordem diante da expectativa de protestos. Não houve incidentes, mas o clima era de alerta.
Mandado de segurança
O advogado Alexandre Gregório confirmou que ingressará com um mandado de segurança na Justiça, pedindo a reversão da punição. Segundo ele, a ação não contestará o mérito da votação, mas sim o trâmite do processo na Comissão de Ética, que teria apresentado “falhas graves desde o início”.
Durante o afastamento, nenhum suplente será convocado. O cargo permanecerá vago, já que se trata de uma punição temporária. A suplente do Republicanos, Karim Vacari, não assumirá.
O Presente com informações do Blog do Jadir
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