“Está muito pesado”. É desta forma que o deputado federal Rubens Bueno (Cidadania) resume como está o clima em Brasília após os atos de 07 de Setembro. “O pós 07 de Setembro é muito triste para o Brasil. O presidente incentiva, comparece em ato político em busca de apoio e de voto sem se preocupar com os desmandos e a ressaca que isso provoca em todos os sentidos”, declarou ao O Presente, emendando: “Os presidentes dos poderes estão respondendo à altura e os líderes de bancada tomando decisões”.
Na opinião do parlamentar, o impeachment do presidente Jair Bolsonaro é algo a “ser avaliado”. “Eu sou favorável, mas não sei se é o momento, porque isso pode trazer desdobramentos mais graves. O fato é que a questão do impeachment cresceu muito em Brasília. Qualquer (novo) ato dele (Bolsonaro) pode agravar e ser a gota d’água para que isso seja pautado definitivamente”, considera.
No que diz respeito à possibilidade de cassação dos direitos políticos de Bolsonaro, Bueno diz que o Supremo Tribunal Federal (STF) não trata de inelegibilidade, mas, sim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Claro que acaba provocando ambas as instituições, pois há ministros do STF no TSE. O que está posto é crime de responsabilidade, crime eleitoral”, ressalta. “Saber de onde houve dinheiro para tantas caravanas. Não se pode falar nada sem apurar e a informação é de que o Tribunal de Contas está apurando”, comenta.
Impactos
Além das consequências quanto ao desenrolar político, o deputado mostra preocupação em relação à economia. “Bolsa caindo, dólar subindo e inflação aumentando. O mês de agosto, depois de 21 anos, foi o que mais teve aumento da inflação. Isso atinge as camadas mais pobres. Os preços dos produtos foram aumentando e este aumento está em todas as áreas, sem esquecer da pandemia e dos quase 600 mil mortos por desatenção, por postergar decisões que poderiam ter evitado muitas mortes no Brasil. Vivemos o caos e essa tragédia reflete o total desmando da Presidência da República, jogando o país em um beco sem saída. Daqui a pouco não teremos uma solução política adequada. Por isso existem as instituições e a Constituição, para fazer valer na hora certa o que precisa ser feito”, conclui.
O Presente