Nos cerca de oito meses em que a governadora Cida Borghetti (PP) esteve à frente do Governo do Paraná, cuja gestão começou em abril e encerrou segunda-feira (31), o Oeste do Estado esteve muito bem representado por uma liderança que defendeu o municipalismo nos seus seis mandatos de deputado federal: Dilceu Sperafico (PP). Em abril, ele se licenciou da Câmara para ser nomeado chefe da Casa Civil. O cargo é considerado um dos mais importantes dentro da estrutura do Poder Executivo estadual.
Na última sexta-feira (28), prestes a encerrar os trabalhos no governo, Sperafico concedeu entrevista ao Jornal O Presente para falar sobre essa nova experiência, tendo em vista que até então sua carreira política se fez na Câmara dos Deputados. Neste ano, ele optou em não disputar a reeleição e, desta forma, ontem (1º) reassumiu o mandato, que termina em 1º de fevereiro.
Ele enalteceu a forma como Cida conduziu o governo e que o Palácio Iguaçu investiu em todos os municípios, sem olhar para cores partidárias. Ao final, deixou uma mensagem aos prefeitos: “O meu agradecimento diante da parceria com todos os prefeitos, com todos os deputados da região e do Paraná, pois com certeza colaboraram muito para que nosso trabalho fosse eficiente”. Confira.
O Presente (OP): O senhor permaneceu durante oito meses como chefe da Casa Civil no Governo do Estado. Como avalia essa nova experiência política?
Dilceu Sperafico (DS): Ainda estou aqui hoje (sexta-feira), encerrando as atividades, e foi uma experiência incrível. Tive muitas experiências políticas, mas essa foi diferente. O contato é muito maior com as pessoas, com poder de decisão muito grande e uma responsabilidade muito maior. Eu fiquei muito grato com a governadora Cida por ter me convidado para ocupar esse cargo. É lógico que foi um desafio enorme, trabalhamos como nunca na vida neste período e produzimos bastante. O governo Cida Borghetti, com toda essa equipe, conseguiu desenvolver um trabalho intenso e que por muito tempo não acontecia no Estado do Paraná, com tantos convênios assinados com os municípios. Foi um governo voltado aos municípios. Foi municipalista, em que as principais ações foram voltadas para o bem de cada cidadão e da sua cidade, e não em obras que o governo pensava ou queria, mas em obras que cada município almejava. Foi uma experiência incrível, muito boa e estou satisfeito em concluir mais esse período político de uma forma muito brilhante.
OP: Para quem teve a experiência de muitos anos na Câmara dos Deputados, como o senhor, e agora ocupou um cargo no Governo do Estado, qual das duas funções lhe agradou ou lhe satisfez mais? Onde o senhor acha que tem mais afinidade?
DS: São atividades totalmente diferentes. Eu me adaptei nas duas. Gostava muito da parte legislativa, porque sempre trabalhei pensando em auxiliar os nossos municípios. Então já fazia alguma coisa que é função do Executivo. E aqui (governo estadual) a função foi mais específica. As duas ações foram importantes para mim e gostei de ambas.
OP: Por que agora tem sido possível desenvolver tantas ações voltadas aos municípios, algo que não se via há alguns anos? A situação financeira do Estado está muito melhor do que antes ou a equipe tem um novo jeito em trabalhar?
DS: São duas coisas. Primeiro lugar, a situação do Estado do Paraná é equilibrada, não só de agora, vem de muito tempo. É um dos Estados do Brasil que tem o maior equilíbrio fiscal. Isso justifica. E, por outro lado, é a vontade em fazer e a forma de fazer. Hoje os prefeitos estão satisfeitos porque todos foram atendidos. Esses recursos existiriam de qualquer forma, mas poderiam ter sido aplicados em grandes obras no Estado. Porém, o governo Cida, como era uma gestão de apenas oito meses, sendo um período curto, optou em pulverizar os investimentos. Mesmo assim tem sido possível dar início a grandes obras. Somente no Oeste podemos citar o contorno rodoviário de Palotina, o Contorno Oeste de Marechal Cândido Rondon, a rodovia que liga Palotina a Assis Chateaubriand, o trevo de Foz do Iguaçu. Enfim, são obras grandes e que demandam muitos recursos. E todos os municípios receberam investimentos gradativamente, de acordo com sua população. Isso tudo ocorreu porque foi a vontade e a forma da governadora de administrar. Ela poderia ter continuado a fazer apenas grandes obras e não ter passado recursos para os municípios.
OP: Em que situação o governador eleito Ratinho Junior (PSD) vai receber o Governo do Estado?
DS: Vai receber um Estado equilibrado, com todos os municípios executando obras e que ele poderá fazer as inaugurações. A maioria dos cerca de três mil convênios que assinamos com os municípios as obras acontecerão agora no início do ano, algumas já estão em andamento, mas as conclusões serão no exercício de 2019. Então o governador eleito terá muita coisa para inaugurar, de obras iniciadas, e também vai receber o Estado com equilíbrio fiscal completo. Não tem nada que esteja contratado e que não tenha recurso provisionado, ou também que tenha um convênio em que o recurso possa ser duvidoso. Além disso, vai sobrar dinheiro em caixa para ações imediatas para o começo do exercício. A arrecadação que está ocorrendo agora no final do ano será toda mantida em caixa.
OP: Já tem uma estimativa de qual montante o governador eleito terá disponível em caixa?
DS: Entre os convênios assinados e que terão que ser pagos, são mais de R$ 5 bilhões que estão hoje depositados em caixa, evidentemente rendendo inclusive para o Estado. O Paraná está com o pagamento do seu funcionalismo em dia, foram pagos os precatórios dos professores, que era há muitos anos esperado, foi pago o 13º salário e haverá saldo em caixa para o exercício do ano que vem.
OP: O governador eleito decidiu fazer uma revisão dos últimos contratos assinados e uma auditoria nas contas…
DS: Se quiser fazer auditoria, não tem problema algum. Só fizemos as coisas legalmente. Pode fazer (auditoria). Agora, se a vontade do governo for prejudicar os municípios com o cancelamento de algum convênio, aí é uma situação diferente do nosso pensamento.
OP: O senhor foi o coordenador da equipe de transição representando o governo estadual. Há algo a esconder ou está tudo sendo feito da forma mais transparente possível?
DS: Absolutamente nada (a esconder). Tudo o que foi solicitado foi apresentado. Não temos nada a esconder, porque hoje, inclusive, a transparência é total do governo. Não existe esse negócio de tentar esconder alguma coisa, pois nem é possível. Foi feita uma transição pacífica, tranquila e transparente.
OP: O senhor mencionou a respeito de que todos os municípios foram atendidos de alguma forma com recursos. Na eleição percebemos que a região Oeste perdeu muita representatividade política, especialmente em termos de Assembleia Legislativa. Isso pode prejudicar as prefeituras na conquista de investimentos?
DS: Em certo ponto sim. Acho que o Oeste do Paraná cometeu um grande erro em votar em pessoas de fora da região. Perdemos muito. Toledo ficou sem deputado, Marechal Cândido Rondon ficou sem deputado, Cascavel diminuiu o número de deputados, assim como Foz do Iguaçu, então o Oeste errou. Faltou mais consciência da população em acreditar na nossa região. A região é produtora, rica e estará com pouca representatividade. Automaticamente não tendo boa representatividade na Assembleia, muito menos teremos na parte do Executivo, que é onde houve a diferença agora no governo Cida Borghetti em função da nossa presença no Governo do Paraná.
OP: Analisando a região de Toledo e Marechal Cândido Rondon, somente foi eleito um deputado estadual: Marcel Micheletto (PR), que é de Assis Chateaubriand. O senhor acha que ele dará conta em atender todas as cidades que integram essa área?
DS: Evidentemente que não. Em primeiro lugar ele vai puxar brasa para o seu assado. É uma região muito grande e muito forte. Certamente que ele vai fazer o possível e trabalhar, e temos certeza disso, não estamos dizendo que não vai produzir, mas se tivéssemos cinco (deputados) em vez de um seria muito melhor.

Nos oito meses em que esteve à frente da Casa Civil, Dilceu Sperafico se tornou o braço direito da governadora Cida Borghetti (Foto: José Fernando Ogura/ANPr)
“O Oeste errou. Faltou mais consciência da população em acreditar na nossa região. Automaticamente não tendo boa representatividade na Assembleia, muito menos teremos no Executivo”
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