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Política Mais votado da oposição

“Temos que parar de olhar para partidos”, defende Arion Nasihgil

Vereador reeleito Arion Nasihgil: “Estou finalizando o meu primeiro mandato como vereador de oposição e um dos que mais trouxe recursos para o município. Há vereadores da base que não trouxeram nem R$ 1 de verba para o município. Eu, mesmo sendo de oposição, trouxe mais de R$ 3,5 milhões de verbas” (Foto: Ana Paula Wilmsen/OP)

O vereador Arion Nasihgil (Progressistas), de Marechal Cândido Rondon, foi reeleito no domingo (15) para mais um mandato ao somar 1.378 votos, aumentando consideravelmente os sufrágios recebidos em comparação a 2016. Dos candidatos à vereança ligados a partidos de oposição, o progressista liderou a votação, configurando ainda como o 3º mais bem votado no geral – não contabilizando os votos de Vanderlei Sauer (DEM), que ainda aparecem como nulos pela Justiça Eleitoral.

Em entrevista ao Jornal O Presente, Arion falou sobre sua votação e fez uma análise do Progressistas, do grupo de oposição e respondeu, quando questionado, sobre uma eventual aproximação com o governo do prefeito Marcio Rauber (DEM). Confira.

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O Presente (OP): Como o senhor avalia a sua votação de domingo (15)?

Arion Nasihgil (AN): O momento agora é apenas de gratidão, de agradecer a população de Marechal Rondon que nos deu a oportunidade de ter um novo mandato e com uma votação expressiva. Em 2016, quando resolvi entrar para a política, foi uma decisão da noite para o dia e consegui fazer 868 votos, que foi uma votação maravilhosa. Trabalhando nesses quatro anos, com empenho, ajudando o município, trazendo verbas e projetos, conseguimos somar mais 510 eleitores desta vez e fechamos os 1.378 votos. Foi um aumento de quase 59% na votação de uma eleição para outra. Isso é resultado do trabalho. Fico feliz e grato pela população que acompanhou esses quatro anos, essa população que acredita numa política séria, honesta, pelo bem da população e que mais uma vez ajudou a me eleger.

 

OP: Como está sua expectativa para os próximos quatro anos?

AN: A expectativa é ótima. Nós fizemos um trabalho que considero muito bom nestes quatro anos. Quando eu digo muito bom é considerando os números, os dados do trabalho realizado. Eu gosto de um título que recebemos ao longo destes quatro anos que foi o de vereador mais produtivo da história de Marechal Rondon. Agora, para os próximos quatro anos, o compromisso é o mesmo, mas vem aliado à experiência. Tenho certeza que será um mandato frutífero e de muitas coisas boas para Marechal Rondon.

 

OP: Como avalia o desempenho do Progressistas nas urnas, que elegeu somente o senhor e o vereador Claudio Köhler (Claudinho)?

AN: Era a votação esperada. Nós queríamos e lutamos para eleger de dois a três vereadores, porém foi dentro daquilo que planejávamos. Todos os candidatos foram bem votados e ficamos felizes, porque foram poucos candidatos, mas candidatos de qualidade. Não tivemos aqueles candidatos laranjas que entram só para fechar a chapa. Tivemos um número menor, apenas sete (candidatos), mas todos com uma votação expressiva, o que mostra que o partido está no caminho certo.

 

OP: Fazendo uma análise do desempenho dos candidatos a prefeito, por que o senhor acha que houve uma diferença tão grande entre o prefeito reeleito Marcio Rauber e os demais? Na sua opinião, quem errou e quem acertou?

AN: É difícil julgar agora acertos e erros. É um conjunto de fatores que vem sendo construído ao longo dos quatro anos que antecedem as eleições municipais, que resultou nessa resposta que tivemos nas urnas pelos eleitores. Eu tenho, primeiramente, que parabenizar o prefeito Marcio e o vice Ila (Ilario Hofstaetter, PL) pela expressiva votação. Isso demonstra que eles estavam no caminho correto ao longo dos quatro anos e trabalharam conforme queria a população. A população entendeu que eles seriam os melhores nomes para continuar por mais quatro anos. Não sabemos se o Josoé Pedralli (MDB) e os outros candidatos tiveram algum erro, deixaram de fazer alguma coisa. Acho que isso é uma avaliação muito particular de cada um deles. O que a gente pode dizer e fazer é respeitar o processo democrático e respeitar as urnas. Às vezes faltou um pouco de estratégia política aos demais concorrentes, principalmente o Pedralli, em juntar o grupo de oposição, que acabou rachando. Isso é um fato, muitas bandeiras brancas, partidos que não optaram por lado algum, inclusive o próprio Progressistas. Foram vários fatores que levaram a essa votação diminuta do Pedralli e essa votação expressiva do Marcio.

 

OP: O grupo de oposição se desuniu nesta campanha. O senhor acredita que é possível haver uma reaproximação entre MDB, PP e PSD?

AN: Precisa haver. Talvez um dos problemas desta falta de número expressivo de votos por parte do Pedralli foi exatamente a dissolução do grupo de oposição. O Progressistas foi para um lado, PSD foi para outro, PDT foi para outro, MDB foi para outro. A gente precisa trabalhar ao longo desses quatro anos agora para juntar um novo grupo. Eu gosto de ressaltar que não podemos nos focar tanto em situação e oposição. Temos visto que em Marechal Rondon tem crescido o número de eleitores, a população tem se elevado nesse sentido para uma política diversificada de dois grupos. Isso há dois anos era muito claro, porque nós tínhamos dois deputados estaduais, o Ademir Bier (PSD) e o Elio Rusch (MDB), e cada um tinha o seu grupo. Hoje nós não temos mais essas duas lideranças e a política se faz somente aqui em Marechal Rondon. Nós temos também que parar de olhar para partidos, para siglas partidárias e unir as pessoas boas. Não é apenas MDB, apenas PSD, apenas Progressistas que precisam estar unidos. Precisam estar unidos os partidos que querem um bom projeto para Marechal Rondon e querem que daqui a quatro anos, oito ou 12 o município seja cada dia melhor. Então, claro, a gente precisa unir esse grupo de oposição, precisamos desses partidos porque têm muita gente boa.

 

Vereador reeleito Arion Nasihgil (PP) conquistou a maior votação entre os candidatos da oposição e já está de olho em 2022: “A gente sabe que uma candidatura (a deputado estadual) é extremamente difícil, muito mais que uma candidatura a vereador e até mesmo para prefeito, mas é preciso partir em algum momento” (Foto: Ana Paula Wilmsen/OP)

 

OP: O vereador Adriano Cottica, que preside o PP, não disputou a reeleição e já havia anunciado que pretende se dedicar a projetos particulares. Como o senhor analisa que vai ficar a estrutura do PP?

AN: O Adriano Cottica foi um ótimo presidente para o Progressistas, conseguimos aglutinar pessoas boas para o partido e ele de fato agora deixa a vida pública, esse é o discurso, pois tem os afazeres pessoais e os negócios para cuidar. Possivelmente sai da presidência do partido também e abre uma janela para novas lideranças. Eu já me coloquei à disposição não necessariamente para estar na presidência, mas ser uma das cabeças pensantes dentro do partido. Nós estamos procurando pessoas novas. Já conseguimos nessa eleição novos membros no diretório e estamos buscando ainda mais pessoas. A gente quer fazer do Progressistas um partido diferente, um partido que é político, claro, mas que é mais voltado à população, ao município, do que a uma ideologia cega que no final das contas não chega a propósito nenhum. Estamos reestruturando o Progressistas para fazer um partido de gente nova, de gente boa. Quando eu falo gente nova, é de cabeça, não precisa ser necessariamente de idade, mas que tenha essa mentalidade da nova política.

 

OP: Em entrevista ao Jornal O Presente, o prefeito Marcio se colocou como um gestor bandeira branca. O senhor buscaria uma aproximação para ter um diálogo mais aberto?

AN: Como eu disse, pretendo trabalhar nos próximos quatro anos da mesma forma que trabalhamos nos últimos quatro. Eu sou um vereador de oposição, tenho reafirmado o grupo a qual eu faço parte, o grupo a que devo fidelidade e gratidão, o qual eu concordo com as ideias que são pensadas e programadas. Então é claro que não vou me alinhar ao governo municipal de forma alguma, até porque não compactuo com essa forma de fazer política de pular de galho em galho. Respeito quem faz isso, mas acho que a gente precisa ter uma ideologia. De qualquer forma, assim como foram nesses quatro anos, fizemos oposição inteligente, que aponta erro, problema, denuncia irregularidade, mas ajuda a buscar a solução. Estou finalizando o meu primeiro mandato como vereador de oposição e um dos que mais trouxe recursos para o município. Há vereadores da base, situacionistas, que não trouxeram nem R$ 1 de verba federal ou estadual para o município. Eu, mesmo sendo de oposição, trouxe mais de R$ 3,5 milhões de verbas para a saúde, infraestrutura, equipamentos. Dessa forma que a gente trabalha, dentro de uma ideologia, dentro de um grupo, mas de uma forma saudável para o município.

 

OP: O senhor já faz projeções para uma eventual candidatura em 2022?

AN: Ainda é bastante cedo. É difícil pensar já em algo muito para frente, porque acabamos de passar por esse processo eleitoral. Hoje o meu objetivo é finalizar o meu primeiro mandato. Daqui a dois anos nós temos uma eleição geral. O deputado federal José Carlos Schiavinato (PP) provavelmente será candidato à reeleição e o apoio a ele é praticamente certo. Nós vamos também tentar viabilizar uma dobradinha, lançando um candidato a deputado estadual próprio do Progressistas. Há esse espaço em Marechal Rondon e o município carece de um representante na Assembleia Legislativa. Por que não lançarmos um candidato próprio aqui de Marechal Rondon? Se tudo der certo, do próprio Progressistas. A mesma coisa para daqui a quatro anos na eleição para prefeito. Ainda é cedo, mas as perspectivas são boas.

 

OP: Há nomes?

AN: Ainda não temos nomes definidos. Eu já me coloquei à disposição do partido para em 2022 ser candidato a deputado estadual. A gente sabe que é uma candidatura extremamente difícil, muito mais que uma candidatura a vereador e até mesmo para prefeito, mas é preciso partir em algum momento. É preciso sair de um lugar, é preciso se colocar à disposição do grupo. Até lá tem muito chão para caminhar e vamos ver como as coisas vão se transformar.

 

OP: Se sair realmente como candidato a deputado, o senhor acha que precisaria de quantos votos para ser eleito?

AN: Acho que, considerando as últimas eleições de 2018, o Progressistas teve uma média de corte de 30 mil votos. Se manter isso, hoje o partido está um pouco mais forte e talvez essa média diminua um pouquinho. Mas de 30 mil para cima é necessário a uma candidatura a candidato estadual.

 

OP: Em 2018 houve uma surpresa quando a oposição conquistou adeptos da situação e conseguiu eleger o presidente Claudinho. O senhor acredita que será possível repetir o que aconteceu nessa legislatura para a próxima que se inicia ou vai ser mais difícil?

AN: Eu analiso que a oposição trouxe novos membros não porque a oposição fez algo específico, aqueles acordos para trazer pessoas novas. O que houve nesse grupo político de situação e oposição é que temos vereadores que estiveram dois anos ao lado da administração municipal e ficaram insatisfeitos, não tiveram seus pedidos atendidos e viram certas vezes a forma truculenta com que a gestão é levada para frente. Não é saudável e migraram para a oposição. Não houve nenhum tipo de conquista de vereadores da situação para oposição, mas houve uma migração natural de vereadores insatisfeitos com a forma que eram tratados e atendidos dentro da gestão municipal. Agora de início é um pouco diferente, porque os vereadores não têm contato ainda com a gestão. Nessa primeira eleição possivelmente não tem muito dessa insatisfação com a gestão municipal. Isso pode acontecer daqui dois anos, mas isso depende de uma série de fatores, do trabalho que for realizado na Câmara, no trabalho do próprio prefeito. Tenho certeza que para ele (prefeito) também muito do que fez foi um aprendizado, tanto negativo quanto positivo. Ele tem inteligência para não repetir os mesmos erros e consertar aquilo que é o problema para tentar fazer uma gestão democrática, atendendo a todos os vereadores de maneira igual, não da forma que vinha sendo nessa legislatura. Se assim for, nem precisa muito de situação e oposição, precisamos de um grupo que critica, que acompanha, que denuncia e é contra os erros, mas que trabalha para o município.

 

O Presente

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