Coordenador da campanha da pré-candidata à reeleição ao Governo do Estado, governadora Cida Borghetti (PP), e um dos principais articuladores do PP, o deputado federal Ricardo Barros (PP), marido da pepista, tem nos últimos dias trocado declarações nada amenas com lideranças do PSDB, em especial o presidente do partido tucano, ex-governador Beto Richa, pré-candidato ao Senado.
No sábado (28), o PMN promoveu sua convenção e, lado a lado, estavam Cida Borghetti e Beto Richa. Na oportunidade, o partido do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, confirmou apoio aos dois.
Em visita à Expo Rondon no domingo (29), Barros foi questionado pela reportagem de O Presente se a convenção do PMN apaziguou a situação entre ele e Richa. Contudo, o deputado informou que o “problema” não envolve o tucano, mas, sim, o partido. “O problema não é entre eu e ele, mas entre os partidos da coligação que apoiam a governadora e o PSDB, que na convenção do PROS e PMB não compareceu e mandou o (Ademar) Traiano (presidente da Assembleia Legislativa) na convenção do Ratinho (Junior, PSD). Tenho uma diferença com o PSDB por essa atitude, que foi muito agressiva para quem pretende ter apoio. No sábado, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, nos reuniu porque vai apoiar a governadora Cida Borghetti e o Beto Richa, porque seu vice é do PSDB. Esses apoios não implicam em coligação, apenas cada um tem a liberdade de escolher quem vai apoiar. Pode ser que tenhamos esses apoios independente da coligação e assim será com todos os prefeitos e todas as lideranças que escolherão a quem apoiar”, declarou.
Conforme o pepista, os partidos da aliança da governadora ainda discutirão a respeito de qual será o comportamento até sábado (04), quando acontece a convenção do PP. “Existem conversações com outros partidos que não estão ainda na nossa aliança e que poderão ser novos aliados e agregar a campanha da governadora. É normal. Toda eleição é assim. As coisas se resolvem mesmo na última hora”, disse.
Candidato avulso
Na opinião do deputado federal, no momento existe a pretensão de Richa ser candidato avulso ao Senado e receber apoio de todas as frentes políticas. “É a direção que ele apontou e que nós não temos nenhuma divergência quanto a ela. Evidentemente existem outros aliados e os próprios deputados do PSDB que não querem candidatura avulsa, não querem ficar de chapa pura, porque terão mais conforto se estiverem na nossa aliança. Mas o líder, o presidente do PSDB, o ex-governador Beto Richa, tem se comportado como alguém que deseja concorrer avulso, podendo assim ter apoio de todos aqueles que foram seus aliados durante seu governo”, analisa.
Barros lembra que o tucano nunca declarou apoio à governadora Cida Borghetti. “Em nenhum momento até agora. Ele sempre disse que o PSDB decidiria na convenção. Então como o PSDB decidirá na convenção, nós também temos o direito de decidir na convenção”, sugere.
Apoios
Questionado se o PP teme perder apoio de algum partido em razão da situação com Richa, o coordenador de campanha da governadora é enfático ao afirmar que não. “Não temos nenhuma preocupação quanto a isso. Os partidos que estão conosco estão no governo, participam do governo, têm um espaço enorme no governo. São partidos que estão definidos pela candidatura da governadora Cida Borghetti e que também vão apoiar Beto Richa na sua candidatura avulsa. Portanto, não vejo nenhuma dificuldade nisso. Acredito que a ampla aliança que está formada só tende a aumentar agora com a definição de alguns partidos que ainda não tinham tomado lado e que deverão estar conosco”, expôs.
Candidato a vice
Já quando o assunto envolve a escolha de um candidato a vice-governador, Barros resume que quem vai compor a majoritária com Cida Borghetti deve ser como uma “tampa da panela”. “O vice é a decisão que vem para completar um contexto eleitoral. Olhando para cada uma das candidaturas postas, escolhe-se o vice que complemente a candidatura, que divida uma área que está apoiando outro candidato. A Cida virou a vice do Beto dois dias antes da convenção. Não há porque essa ansiedade. As coisas só acontecerão realmente na reta final”, desconversa.
Cenário nacional
Ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros se colocou à disposição do PP para a disputa à Presidência. O partido integra o bloco chamado “Centrão”, que na última quinta-feira (26) confirmou apoio ao pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB). Agora as conversas visam escolher um vice, sendo que pode vir do PP.
Perguntado se seria seu nome uma eventual indicação da sigla, o deputado federal diz que uma chapa formada por candidato de São Paulo e do Paraná não seria uma solução ideal. “O ideal seria alguém do Nordeste ou de Minas Gerais. Às vezes não conseguimos encontrar a solução ideal, e meu nome pode ser uma solução para essa não solução. Sou um soldado do meu partido. Havia colocado meu nome à disposição para disputar a Presidência caso nosso partido tentasse migrar para o lado do Ciro Gomes (pré-candidato à Presidência do PDT), com quem não concordo e a grande maioria do nosso partido não concorda. Então teríamos essa posição. Com o Alckmin me sinto muito confortável. É um grande amigo, bom gestor e não tenho nenhuma dificuldade”, conclui.
Entenda
Pré-candidato ao Senado, o ex-governador Beto Richa tem sinalizado o interesse em ser candidato avulso. Desta forma, poderia buscar votos em mais de uma frente política. No entanto, ao mesmo tempo ele trabalha para o PSDB coligar na proporcional com a aliança encabeçada pelo PP. O PP, por sua vez, tem rejeitado essa coligação.
O Presente