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Política

Terceira via política em Santa Helena confirma pré-candidaturas à majoritária

calendar_month 27 de agosto de 2020
7 min de leitura

A política de Santa Helena vive, no momento, um cenário incerto a seis dias da abertura do prazo para realização das convenções, que termina em 16 de setembro.

O PSD tende a confirmar o nome do prefeito Evandro Grade (Zado) à reeleição. No entanto, o grupo de situação ainda busca alguém para anunciar como pré-candidato a vice-prefeito. Pela oposição, o ex-prefeito Airton Copatti (MDB) é o pré-candidato a prefeito com a possibilidade do vereador Valdonir Weizenmann (Titi) (PSL) formar a dobradinha. O problema é que há quem aponte que ambos têm impedimentos legais.

Enquanto isso, uma terceira via se formou no município e é composta hoje por PTC, Cidadania e Podemos, a qual não descarta a adesão de outras agremiações. O novo grupo tem como pré-candidatos à majoritária dois ex-vice-prefeitos: Edimar (Nego) Santin (Cidadania) e Margon Strassburger (PTC).

Em visita ao Jornal O Presente, realizada na segunda-feira (24) ao lado do presidente do PTC, Eder Spazzini, eles falaram sobre o projeto político eleitoral e a respeito da política santa-helenense. Confira.

 

O Presente (OP): O PTC, Podemos e Cidadania trabalham com a possibilidade de ter candidatura a prefeito, vice-prefeito e a vereadores. Como estão as conversas em Santa Helena em relação à construção destas possíveis candidaturas?

Edimar Santin: Não é um grupo nem de situação e nem oposição. É uma alternativa de chegar ao Poder Executivo, baseado em duas situações que o político tem que ter e os eleitores cobram: experiência, nós dois (Nego e Margon) já fomos vice-prefeitos e eu já fui secretário diversas vezes, e ficha limpa. Essas foram as primeiras coisas que juntamos para lançar a pré-candidatura. Tanto pode ser o Margon como pode ser eu, ou vice-versa (candidato a prefeito). Aquele que estiver melhor na pesquisa será nosso candidato.

 

OP: Há um bom entendimento que quem estiver melhor na sondagem popular será o candidato a prefeito?

Edimar Santin: Ninguém é obrigado a acordar algo. No momento que fez um acordo precisa cumprir. Justamente fizemos esse acordo porque estamos nas mesmas condições de experiência. A máquina pública é grande e houve prefeitos que passaram e acabaram não voltando porque não tinham essa experiência e maturidade para gerir o município.

 

OP: O grupo tem conversado com o MDB de Airton Coppatti e o PSD do prefeito Zado para tentar um entendimento?

Edimar Santin: Fizemos reuniões das três executivas (PTC, Podemos e Cidadania) e os pré-candidatos com o grupo do prefeito e com o grupo do MDB. Conversamos com outros partidos e falta um último, que é o PL, sendo que provavelmente nesta semana devemos nos encontrar. Nos reunimos com todas as forças políticas de Santa Helena e colocamos a nossa posição.

 

OP: E não houve entendimento?

Edimar Santin: Não houve nem entendimento e nem desentendimento, pois ficou em aberto para continuarmos conversando.

 

OP: Estamos há poucos dias do início do prazo das convenções – começa na próxima segunda-feira (31). O grupo espera ter essas definições até quando?

Edimar Santin: Até o dia 05 (de setembro) tem que estar fechado para depois fazer a parte burocrática.

Margon Strassburger: Até no máximo dia 10 de setembro (o prazo das convenções encerra dia 16).

 

OP: Santa Helena tem hoje condições de contar com três candidatos a prefeito?

Margon Strassburger: Tudo pode acontecer. Pode ter essa composição tanto com um lado como de outro. Pode haver esse apoio, deste que haja um entendimento.

Edimar Santin: Mas existe a possibilidade de uma terceira via baseada na eleição passada. Havia muitos indecisos e agora o quadro revela situação semelhante. De repente são pessoas que estão esperando outra alternativa, outros nomes para votar.

 

OP: A estratégia de vocês é trabalhar em cima dos indecisos?

Edimar Santin: Sim. É pegar justamente esse eleitor que está esperando novos nomes, pessoas novas, que não querem nem o A e nem o B. Estão cansados. Observamos nas conversas que a população está cansada de ser esse ou aquele. De repente aparece outro grupo para sair desta mesmice.

 

OP: O que o grupo propõe de diferente para sair então desta mesmice, caso a pré-candidatura seja confirmada?

Edimar Santin: O Margon é empresário, eu sou produtor rural e o Eder é advogado. Temos dois problemas crônicos em Santa Helena que nenhum prefeito vem resolvendo. Um é a saúde. Trata-se de um município riquíssimo e as pessoas estão indo para fora, sendo que poderíamos ser um centro (médico) na microrregião. O outro problema é o desemprego. Os filhos de Santa Helena estão indo embora. O comércio e a indústria estão agonizando. Investiu-se bastante na agricultura e ela está estabilizada. Santa Helena hoje é o 6º município em arrecadação agropecuária das 399 cidades do Paraná. Só que a agricultura não consegue transferir para o comércio e indústria. O município tem seis distritos que são pequenas cidades do tamanho de Entre Rios do Oeste e Pato Bragado. É preciso fazer com que o comércio da cidade e dos distritos consiga sobreviver e gerar emprego nas mais diversas áreas. Os prefeitos estão preocupados em fazer asfalto, pintar o prédio público, mas isso não dá comida.

 

OP: A geração de emprego é uma preocupação antiga em Santa Helena. O que vocês avaliam que precisa ser feito para amenizar a situação?

Margon Strassburger: No meu ponto de vista, seria muito importante valorizar as pequenas empresas do município. Até então, não se teve mais incentivos às pequenas empresas. Sempre se pensou em grandes empresas, mas estas vinham para Santa Helena com o objetivo de explorar o município. Não temos mais geração de emprego porque o produto não é transformado no município. Se não é a Cooperativa Lar que transforma o produto agrícola, não contamos com outro segmento que está transformando a matéria-prima. As pequenas empresas estão estagnadas e não contam com incentivo. A transformação gera emprego e este é o maior objetivo. É preciso administrar o município não politicamente, mas para gerar emprego.

 

OP: Além do PTC, Podemos e Cidadania, existe a possibilidade de mais algum partido compor a coligação?

Edimar Santin: Conversamos com todos e só falta o PL. As portas estão abertas para todos esses partidos virem conosco. Acredito que até dia 05 de setembro tenhamos definições. Certamente teremos mais partidos, mas não podemos dizer agora porque estamos fechando.

Margon Strassburger: Desde que comunguem com o nosso projeto.

Edimar Santin: Justamente.

 

OP: O grupo pretende lançar chapa de vereadores de qual ou quais partidos?

Eder Spazzini: O PTC tem chapa definida com dez pré-candidatos a vereadores.

Edimar Santin: Nós (Cidadania) também temos, mas ainda precisamos conversar. Às vezes não é interessante um partido não lançar para não prejudicar outro?

Eder Spazzini: Será definido, mas já há uma lista de pré-candidatos e vamos acertar nas convenções quais os mais dispostos e com mais condições de vencer.

 

OP: Comenta-se em Santa Helena que o ex-prefeito Copatti (MDB) e o vereador Titi (PSL) possuem impedimentos legais para eventualmente disputar a eleição e que ambos, pré-candidatos à majoritária, podem abrir mão para que ocorra uma substituição nos dias que antecederem o pleito. Isso já aconteceu em um passado recente na política de Santa Helena. Pela experiência política que possuem, como avaliam esse cenário e o comportamento do eleitor? É possível transferir votos?

Edimar Santin: Não acredito que pode transferir votos. Saindo o Copatti é uma coisa, mas se ele colocar outro candidato é outro cenário. Muda totalmente e penso que o MDB perde alguns parceiros de outros partidos que votariam se fosse o Copatti. Não sendo ele, esses parceiros vão optar por outra alternativa. Provavelmente será nossa. Já que não estavam indo com o pré-candidato de situação, possivelmente virão conosco.

 

OP: Vocês apostam nisso?

Edimar Santin: Apostamos não, temos quase certeza.

Margon Strassburger: Está desenhado assim.

 

OP: Em termos de ideologia vocês têm mais afinidade com o Copatti ou o Zado para negociar uma coligação?

Edimar Santin: Tanto faz. Pode ser os dois.

Margon Strassburger: Ou pode ser nenhuma.

Edimar Santin: O mais provável é não ser nenhuma, porque eles estão irredutíveis.

 

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