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Política

Todos os homens do prefeito – por Jairo Eduardo

calendar_month 15 de março de 2022
4 min de leitura

“Todos os homens do presidente” é um clássico do cinema ambientado nos anos 1970, capaz de angariar quatro Oscar por relatar em primazia como dois repórteres “abelhudos” desnudaram Richard Nixon a ponto de catapultá-lo da Casa Branca.

Identificar quem são todos os homens do prefeito é uma tentativa de identificar o “eleito”, o “escolhido” do principal cabo eleitoral das eleições municipais de 2024.

Embora a conversa pareça extemporânea, a disputa pela cadeira de Leonaldo Paranhos, prefeito de Cascavel, já está dada. E algumas das movimentações mais importantes são protagonizadas pelo próprio. Algumas considerações iniciais:

 

  1. a) Restam poucas dúvidas que o “abençoado” pelo Paço Municipal já larga com ótimas possibilidades, salvo que o chefe do Executivo imite Nixon e escorregue em cascas de bananas nos próximos 24 meses.
  2. b) Também é incontroverso que a eleição deste ano revela a antessala do pleito municipal, com algumas candidaturas ao Parlamento em 2022 objetivando encorpar nomes para 2024.
  3. c) A votação esmagadora de Paranhos em 2020 gerou terra arrasada na oposição (vale lembrar, ele fez 112 mil votos contra 16 mil do 2º colocado). Ou seja, todo mundo arranca do nada em 2024, oportunidade singular.
  4. d) Caso refute disputar a eleição deste ano, Paranhos terá quase meio bilhão para obras até o final do mandato. Se não ficar no cargo, vai mandar do mesmo jeito.

 

Mas quem é o ungido do prefeito tido como o mais popular da história de Cascavel? À queima-roupa, o Pitoco lançou essa pergunta ao próprio Paranhos.

Se bem entendida a resposta, o prefeito está lapidando o seguinte cenário: vai identificar e reunir um grupo de 100 homens e mulheres de diversas correntes políticas.

A partir deste “fórum qualificado”, vai tentar extrair um nome de consenso. Candidatura única? Não. Paranhos deve saber que isso é utópico em uma cidade competitiva como Cascavel.

 

Alguma pista?

Paranhos sinalizou com um nome fora da política, alguém da sociedade civil organizada, gente que não se encoraja em pôr o nome na urna pela aridez e “vale tudo” do meio.

O plano está sendo levado adiante? Tudo indica que sim. Distribuindo secretarias, cargos e afagos, Paranhos pulverizou a oposição no Legislativo.

“Ele aniquilou uma oposição que nunca existiu de fato”, avalia Miguel Dias, que não contribuiu para derrubar Nixon, mas é um dos repórteres mais argutos da cidade.

Com a Câmara domesticada, a recondução de Alécio Espínola à presidência é algo tão certo quanto a ligação umbilical dele com o vizinho do Paço Municipal.

Alécio deve anunciar antes da “Redentora” (31 de março) a decisão de não se candidatar a deputado. Faz parte da estratégia de não criar concorrentes para os parlamentares associados ao Paço Municipal. Outros também irão pular do pleito, sempre sob coordenação do prefeito.

Pacificada a Câmara e a representação parlamentar de Cascavel, Paranhos terá “o pé no pescoço da falecida oposição”, conforme definiu Miguel, o arguto.

Falta combinar com os russos? Sim. Um deles é o político mais vencedor de eleições municipais, com 12 anos de prefeito no currículo: Edgar Bueno.

Sempre jogando na retranca, Dias desses Edgar ensaiou abrir o jogo: “meu candidato a prefeito é o André Bueno. Se ele não quiser, sou 10% candidato a deputado federal este ano e 90% a prefeito em 2024.

É preciso reconhecer: sobre o ímpeto de Edgar, Paranhos (que já foi seu vice) não tem ascensão. Mas, se o prefeito for bem sucedido no projeto de unanimidade política, poderá isolar no cenário o ex e qualquer outro que não tenha combinado com os russos.

 

Em tempo: se Paranhos ainda vislumbra a vice de Ratinho Junior ou uma cadeira no Senado, terá que renunciar ao mandato daqui 22 dias.

A recente reforma administrativa que promoveu, trazendo de volta articuladores como Thiago Stefanello (chefia de Gabinete) e consolidando uma rara unanimidade na Câmara, deixa tudo dominado para ele, estando ou não no cargo. É uma pista?

Depois de 1º de abril, mais precisamente no dia 03, saberemos.

 

 

Por Jairo Eduardo, editor do Pitoco

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