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Política Entrevista ao O Presente

“Vamos olhar para toda população. Queremos fazer um governo justo”, destaca Laerton Weber

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Prefeito eleito de Mercedes, Laerton Weber (DEM), em visita ao Jornal O Presente: “Como tínhamos falado na campanha, não iríamos colocar na prefeitura nenhum vereador que tivesse sido eleito e estamos cumprindo isso com a população mercedense. Escolhemos os secretários sem promessas políticas” (Foto: Ana Paula Wilmsen/OP)

Após 16 anos, o município de Mercedes passará, daqui a 11 dias, a ser administrado por outro grupo político. Laerton Weber (DEM) e Alexandre Graunke (Patriota) foram eleitos, no dia 15 de novembro, prefeito e vice-prefeito, respectivamente, para a gestão 2021/2024.

Em visita ao Jornal O Presente, o futuro gestor público falou sobre a formação da equipe de governo e enalteceu que a escolha do secretariado levou em consideração questões técnicas, e não políticas.

Weber disse quais devem ser as prioridades do seu mandato e expôs que o processo de transição com a atual equipe da prefeitura tem ocorrido de forma tranquila. Comentou, ainda, sobre os desafios em assumir a gestão em um período de pandemia. Confira.

 

O Presente (OP): Estamos a poucos dias da posse. O que a comunidade de Mercedes pode esperar do governo Laerton Weber e Alex?

Laerton Weber (LW): Sobre a posse, é o Legislativo que está organizando. Ainda não sabemos como será (por conta da pandemia), se (o número de casos) vai se agravar nesse período. É difícil falar. Temos mais alguns dias para acabar o ano e vamos ver nesse decorrer o que vai acontecer. Eu e o Alex já definimos os nomes dos secretários da nossa gestão. O Alex será, sim, como foi comentado na campanha, secretário de Saúde. Temos outros sete nomes já escolhidos. Nenhum desses sete nomes tinha promessa comigo, apenas o Alex. Está havendo por parte da população uma boa aceitação em relação aos nomes escolhidos, porque nenhum deles nunca exerceu uma secretaria, nem o vice.

 

OP: Quais foram os nomes escolhidos?

LW: Tivemos várias reuniões com nosso grupo político e esses nomes foram escolhidos por serem técnicos em cada área. O Alex é farmacêutico no município e vai ser nosso secretário da Saúde, por ser formado na área, ter um conhecimento muito grande e nada mais justo. Na Educação, temos a Juciane Brum, professora há 26 anos e é um nome muito qualificado para exercer essa função. No Esporte, foi escolhido o Henrique Endler (Hique), um jovem que sempre está na atividade esportiva do nosso município. Na Agricultura, temos o Jairo Mohr, sendo agricultor. Na Viação e Obras, contaremos com Jacson Lucian, por estar sempre à frente de grandes obras. Na Indústria e Comércio, o Roberto Kinast (Beto Kinas), sendo um comerciante e já foi atuante anos atrás na administração em nosso município. Na Secretaria de Administração, Finanças e Planejamento, Edson Knaul, por ser comerciante e formado administrador. Na Assistência Social, a Indiara Feix foi escolhida por ser formada na área e ter gabarito para conduzir essa pasta. Também tenho ao meu lado, como meu braço direito, o Jairton Rech, popular Ambrósio, que vai me ajudar a conduzir o município em todo o nosso planejamento administrativo. Como tínhamos falado na campanha, não iríamos colocar nenhum vereador que tivesse sido eleito e estamos cumprindo isso com a população. Todos os nossos cinco vereadores eleitos vão exercer a sua função no Legislativo. Hoje escolhemos esses oito secretários para compor a nossa administração, nomes técnicos para ter um desenvolvimento muito gratificante.

 

OP: O grupo de situação terá cinco vereadores que serão a base na Câmara. Qual é a expectativa quanto ao Poder Legislativo? Espera ter uma relação harmoniosa?

LW: Realmente teremos a maioria, mas queremos trabalhar com os nove, porque eles foram eleitos para trabalhar pelo município. Então, é indiferente. Dia 15 de novembro acabou a eleição. Tanto eu quanto o Alex temos esse olhar: a votação acabou e as urnas os colocaram para trabalhar em prol do município. Em nossa gestão queremos contar com os vereadores adversários. Vamos acatar as sugestões parlamentares, pensando na população. Não é porque são adversários que vão deixar de contribuir. Queremos olhar pela população.

 

OP: O senhor será o prefeito mais jovem de Mercedes?

LW: Sim, e eu nasci no município. Se olhar para todos os outros prefeitos, além de ser um jovem prefeito, nunca estive no Legislativo, nem fui presidente de associação nenhuma, mas a família em si sempre esteve envolvida com a vida pública, trabalhando em prol da população mercedense.

 

OP: A sua trajetória sempre esteve ligada à agricultura?

LW: Sim. Eu praticamente estou mudando o ciclo da minha vida. Sou um agricultor bem sensível ao futuro dos meus filhos, porque querendo ou não a agricultura hoje é uma empresa para mim. Questionaram muito na campanha que administrar uma propriedade não é como administrar o Poder Público. A população tem um olhar para nós  porque sabe o que estamos administrando. Isso se mostrou nas urnas. Fomos apedrejados em toda nossa campanha. Fugimos da mídia. Eles queriam saber o que falávamos para nos atacar. Entrou o desespero neles, porque tanto eu quanto o Alex fomos bem aceitos desde o começo. Para mim, é muito gratificante, sim, de arrancada já ser prefeito do município. A responsabilidade é maior, porque a população é de praticamente seis mil habitantes. Queremos fazer um governo justo. A gente tem um olhar para toda a população, porque o dia 15 (de novembro) acabou.

 

Prefeito eleito de Mercedes, Laerton Weber (DEM): “Estou praticamente mudando o ciclo da minha vida. Sou agricultor, nunca estive no Legislativo, nem fui presidente de associação nenhuma. Agora, serei o prefeito mais jovem que o município já teve. Sei dos desafios, mas estou com muita disposição para desenvolver um excelente trabalho em prol de toda a comunidade” (Foto: Ana Paula Wilmsen/OP)

 

OP: Assumir uma prefeitura é um desafio bastante grande. Além de administrar um município, o que não é uma tarefa fácil, tem que ter muitos cuidados para não infringir leis. O senhor se sente preparado para esse desafio?

LW: Sim. Logicamente será algo muito diferente do que já fiz até aqui, mas estamos com muita vontade, com muita disposição para desenvolver um excelente trabalho em prol de toda a comunidade. Até por isso vou colocar pessoas técnicas em cada área. Hoje não temos um chefe de gabinete, mas é um cargo que pretendo retomar. Não quero ser aquele prefeito que só vive no gabinete. Na nossa campanha muitos questionavam que vínhamos de uma gestão que 16 anos atrás tinha um outro olhar e que seria o mesmo grupo. Disseram que iríamos pegar os mesmos “macacos velhos” de anos atrás. Não. Mostramos à população que é um olhar jovem, com pessoas qualificadas em cada área, sem promessas políticas.

 

OP: Qual será o carro-chefe do seu governo? Pretende dar uma atenção especial a um setor específico?

LW: Tanto eu quanto o Alex vimos a necessidade da população mercedense. O nosso interior questiona muito as estradas. O interior alavancou muito a nossa campanha. As pesquisas que fizemos mostravam que se dependesse do interior ganharíamos com um número até maior. As pessoas que moram no interior mencionaram, ao longo da campanha, muito sobre as estradas, porque hoje está tendo asfalto. Se for olhar os municípios ao nosso redor estão muito mais asfaltados do que Mercedes. Então, daremos prioridade à estrada, ao asfalto no nosso interior. Na campanha, o povo do interior comentou muito que foi esquecido nos últimos quatro anos da administração, que houve trabalhos só para a cidade. Ela (prefeita) priorizou a cidade e acabou deixando de lado o interior. A prova está nas urnas, estava três por um no interior. Lógico, não dá para dizer que não fez nada, porque fez. Na cidade nossa meta é casa popular, porque passaram oito anos da gestão atual e não veio nenhuma. Isso é um anseio muito grande da população, que pedia muito, porque o aluguel é um dinheiro que vai embora. Mesmo que mostre que o município tem menos pobreza, mas a pobreza está igual.

 

OP: Como está sendo a transição? Está bem encaminhada?

LW: Está sendo bem tranquila. Estão se expressando bem, mostrando como está cada secretaria. Isso para nós é muito gratificante, porque toda informação é bem-vinda e estão deixando tudo muito claro. Está havendo um bom relacionamento com cada pasta.

 

OP: A partir dessas reuniões o senhor consegue imaginar que a saúde financeira do município está bem? Vai pegar a casa em ordem, digamos assim?

LW: Pelo que a gente vê estão gastando até o último centavo. É obra para tudo que é lado. Então, pelo que sei e vejo, vão deixar o caixa meio zerado. Mas isso veremos só no dia 1º, quando estivermos lá.

 

OP: Em relação à eleição da mesa diretiva da Câmara, o senhor está se envolvendo na escolha da presidência?

LW: Temos um bom envolvimento com os candidatos que se elegeram e já temos um olhar para quem pode ser presidente.

 

OP: O grupo já tem um nome pré-definido? Acredita que vai ser consenso?

LW: Não tem nada definido ainda.

 

OP: O senhor e o Alex vão se envolver diretamente?

LW: Sim, vamos nos envolver. Dos que ficaram do nosso lado só um está no segundo mandato e o resto é tudo novo. A experiência conta muito.

 

OP: O ano de 2020 foi de desafios, marcado pela pandemia de Covid-19, que trouxe dificuldades, crises financeiras e situações complexas no setor de saúde. Qual é a expectativa para 2021?

LW: De momento nem sabemos quanta verba vem. A arrecadação caiu e vamos sentir esse reflexo no ano que vem. Vamos ter que trabalhar com menos recursos, isso já é fato. Teremos um desafio grande pela frente. Achávamos que a pandemia iria acabar, mas está no auge.

 

O Presente

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