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Política

Zeca Dirceu fala sobre bipolaridade política, a “cantada” da eleitora de Bolsonaro e o pai preso em Curitiba

calendar_month 27 de agosto de 2019
5 min de leitura

A exemplo de outras estrelas do PT, Zeca Dirceu é amado e odiado quase na mesma proporção. Porém, o rapaz de olho verdes e longos cabelos louros encaracolados é quase uma unanimidade no universo feminino.

“O mix de Thor, Deus do Trovão, com lenhador bronco fez com que Zeca ganhasse até fã-clube no Instagram”, relata recente reportagem do jornal “Extra”, do Rio de Janeiro.

Solteirão, 41 anos, Zeca é visto acompanhado de belas mulheres – incluindo uma ex-miss Cascavel – e obtém “cantadas” até de fervorosas eleitoras do conservadorismo bolsonariano, como aconteceu recentemente em mensagem que viralizou no Twitter.

Mas como beleza não se põe na mesa, Zeca sentiu na pele o anti-petismo paranaense na eleição de 2018. Sua votação caiu de 155 mil sufrágios em 2014 para pouco mais de 70 mil, ano passado.

A caminho de Assunção, onde irá parlar com deputados paraguaios sobre a crise que quase custou a cabeça do presidente da República, Zeca Dirceu esteve em Cascavel.

Em visita à redação do Pitoco, o deputado foi questionado sobre a dificuldade de seu partido em admitir erros. E também falou da frase dirigida ao ministro Paulo Guedes e que o alçou para muito além das fãs de Cruzeiro do Oeste, cidade que governou em dois mandatos. Confira.

 

Pitoco: Dia desses, em uma rede social, eleitora declarada e militante de Jair Bolsonaro escreveu: “O Zeca é um petista que eu pegaria”… Como recebe essa “declaração de amor”? É possível estabelecer um convívio civilizado entre petistas e bolsonaristas?

Zeca Dirceu (ZD): Acho ótimo que alguém ainda cultive o bom humor e o respeito. A política está contaminada pelo ódio. Isso é ruim, as coisas já são difíceis de conduzir quando se tem algum equilíbrio, bom senso e serenidade, imagina então com esse ambiente que foi criado…

 

Pitoco: Criado por quem?

ZD: Muitos têm participação nisso. Do nosso lado também há gente que alimenta essa questão, mas o maior responsável é o Bolsonaro, antes, durante e depois da campanha eleitoral. A ele, mais que ninguém, interessa criar um clima de serenidade, pois está no poder e precisa de estabilidade para governar.

 

Pitoco: Somente os atribuídos predicados físicos do Zeca Dirceu são capazes de superar a bipolaridade que dividiu a nação?

ZD: (risos). Sou da linha do diálogo. Recebo em meu gabinete perfis que vão da extrema esquerda à extrema direita. Sou deputado de todos os paranaenses. Talvez a eleitora do Bolsonaro que se referiu carinhosamente a minha pessoa conheça meu perfil moderado. Não se deve tratar quem tem cargo público como inimigo. Você não está tratando com aquela figura que acabou de duelar na eleição, e sim tratando dos interesses dos eleitores que ele representa a partir do mandato que obteve. Então, talvez, a fala dela não tenha sido movida somente pelos meus olhos verdes e cabelos louros.

 

Pitoco: Você foi para as páginas recentemente, quando disse ao ministro da Economia que ele é tigrão com os mais pobres e tchutchuca com os ricos. Esperava tanta repercussão?

ZD: A repercussão não parou ainda, impressionante, não tem fim. Onde vou alguém relembra isso. Esses dias eu estava em Altamira, no Pará, um vereador levantou e citou a frase. Mas é importante ressaltar: não falei em tom de desrespeito ao ministro, por isso não me arrependo. Não questionei a masculinidade dele. Apenas disse o que penso: o governo é muito duro com quem vive de seu trabalho e muito suave com sonegadores, rentistas, especuladores em geral. E sabemos que o Guedes manda mais que o Bolsonaro.

 

Pitoco: Você está de partida para Assunção. Qual sua missão no Paraguai?

ZD: Faço parte do Parlasul, o Parlamento do Mercosul. Estamos investigando essa picaretagem da energia. Vou ouvir os deputados paraguaios, recolher informações. Estaremos em Montevideo, domingo e segunda-feira. Itaipu está na pauta. O pessoal do PSL estava prestes a cometer uma grande fraude contra o povo paraguaio, através de uma empresa ligada ao partido, que pretendia vender energia no Brasil. É um esquema de corrupção, tanto assim que o presidente paraguaio está em vias de um impeachment.

 

Pitoco: Como você administra, do ponto de vista pessoal e emocional, isso de ter o pai preso novamente?

ZD: Administro com dor e sofrimento, por ele, por mim, minha família, esposa dele. Todos sofrem juntos, é muito difícil. Mas a gente cuida muito bem dele. Cuida bem da saúde dele. Meu pai está com a cabeça boa, escrevendo outro volume do livro, estudando e trabalhando para redimir pena. José Dirceu já deu a volta por cima várias vezes, tem condições de voltar novamente.

 

Pitoco: Vê perspectivas de libertá-lo?

ZD: Mais do que nunca, sim. O vazamento de informações dos procuradores mostra quanto a Lava Jato se constitui em uma operação política eleitoral escancarada. Já não é mais uma convicção só de meu pai. São condenações sem provas, para destruir o PT. Zé Dirceu, identificado como grande articulador e organizador do PT nas disputas eleitorais, obviamente seria um alvo prioritário em uma ação desta natureza.

 

Pitoco: O PT não fez um “mea culpa” na campanha eleitoral. E insistiu em bordões na linha “Lula Livre”. O PT não erra nunca?

ZD: O PSDB errou, o PSL erra, o PT errou. Todos erramos. Eu cometi muitos erros. Lula e Dilma erraram. O Bolsonaro é campeão em erros. O que precisamos dimensionar é: em que medida esses erros impactaram a vida das pessoas? Mas tem que falar dos acertos também. Os acertos do PT foram infinitamente maiores e mexeram com a vida das pessoas para melhor. Foi um período de dez anos de muita renda, emprego. Todos ganharam.

 

Pitoco: Como explicar então a derrota na disputa presidencial?

ZD: Vamos lá: com erros e acertos, fizemos uma grande votação e tornamos o Haddad uma liderança nacional. Ninguém elegeu mais gente que o PT. Foram 189 mandatos. E vamos repetir o desempenho em 2020. Quem torcia ou apostou no fim do PT irá se surpreender a cada eleição.

Por Pitoco

 
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