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Tirando a mente do piloto automático

Educados em uma mentalidade conceitual, racional, nós, ocidentais, quando pensamos em meditação, logo imaginamos um homem sentado em posição hindu e produzindo o som do mantra “om”, algo que, em primeiro momento, parece muito excêntrico. Entretanto, a meditação não é exclusiva aos orientais.

Pela curiosidade em saber o que envolve a prática, por querer se conhecer mais ou por estar passando por crises existenciais e filosóficas e não entender de onde vem tudo isso, cada vez mais pessoas têm buscado a meditação, de acordo com o mestre em Filosofia e conferencista da Associação Cultural Gnóstica Samael Lakshmi (ACGSL), Christian Kuhn.

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Meditar provém do latim meditare e significa colocar-se no meio de algo, estar em seu centro. Na prática da meditação, a palavra é empregada no sentido de conseguir ter atenção plena em algo – e esse algo somos nós mesmos. “O primeiro passo para conquistar essa atenção plena é aprender a controlar a ansiedade com relaxamentos, exercícios simples, respiração e a não identificação com os problemas, a não identificação com a nossa mente”, explica.

Nós somos educados a crer que todas as respostas e soluções possíveis são proporcionadas pela nossa mente, porém, Kuhn expõe que quanto mais entramos em contato com a sabedoria oriental do autoconhecimento, mais nos damos conta de que a mente é a grande vilã. “Não é ela que nos dá a resposta, mas, sim, a nossa própria consciência, que consegue se expressar pela mente”, pontua.

 

Adjuvante na cura

Além de trabalhar a focalização da atenção, a meditação também pode ser uma grande auxiliadora no tratamento de doenças como ansiedade, depressão, pressão alta e estresse. “Essas doenças podem até mesmo ser curadas por meio da prática, contudo dizer isso causa um alarde para muitas pessoas que são apegadas a medicamentos ou até mesmo ao comércio que tende a nos empurrar certas coisas sem a gente refletir se realmente precisa daquilo”, diz o mestre em Filosofia.

Apesar de frisar que não podemos descartar totalmente a medicina alopática (tradicional) para o tratamento das doenças, por meio do autoconhecimento proporcionado pela meditação é possível chegar à cura de determinadas patologias consideradas em primeiro momento insolúveis. “A sensação de bem-estar por estar plenamente vivendo o instante e experimentando a paz interior, pela simples quietude da mente, faz com que a ansiedade diminua, já que não há a identificação de pensamento de preocupação com o passado ou com o futuro”, cita. “A ocupação com algo que ainda nem aconteceu ou que já aconteceu e não pode ser mudado, no caso da depressão, que surge como um apego a tristezas passadas, pela não compreensão dos problemas naturais da vida humana, podem cessar”, menciona Kuhn.

Muito mais que o relaxamento, determinadas meditações permitem que os praticantes conheçam melhor a si mesmos. O mestre em Filosofia comenta que existem práticas específicas, como meditações guiadas, que permitem a pessoa descobrir defeitos sobre ela mesma, algumas mecanicidades do comportamento próprio. “A prática também torna a pessoa mais serena, tranquila, traz paz interior pelo simples ato do não identificar com a mente. Costumamos achar que não vamos resolver as coisas se pararmos de pensar, no entanto, as verdadeiras soluções para os problemas aparecem em momentos de não pensamento”, frisa.

A melhoria das condições de saúde também é proporcionada pela meditação já que muitos dos problemas de ordem física são de ordem espiritual ou psicossomática. “Na medida em que a pessoa se dá conta de certos mecanismos inconscientes dela, ela fica mais atenta ao instante e a partir daí ela também consegue despertar sua consciência aos pequenos detalhes da vida”, completa.

Uma pessoa que medita pode até mesmo se livrar do suicídio, por exemplo, já que começa a perceber que são mecanismos inconscientes que nos fazem ter certos pensamentos e cometer atos violentos.

 

À flor da pele

O rondonense Alex Viteck já buscava o conceito de meditação há algum tempo e dentro do âmbito familiar já tinha acesso a informações acerca da prática. “Aprendi a meditar quando comecei a fazer ioga, mas antes já tinha algumas leituras do assunto e já sabia dos benefícios”, conta.

Todavia, foi após um curso realizado pela Associação Cultural Gnóstica Samael Lakshmi em Marechal Rondon que conheceu outras práticas sobre a meditação, passou a se disciplinar e envolveu-se em um grupo de meditação, de forma que sentiu ainda mais os benefícios. “Realmente muda a forma de viver. A meditação tem, sim, este poder”, enfatiza.

Kuhn explica que diferente de praticar a meditação sozinho, realizar a prática em grupo ocasiona um fenômeno que, em sânscrito, é chamado de satsang, que ocorre quando pessoas se reúnem em um lugar com um propósito espiritual e ali se forma uma vibração propícia para aquilo. “Se um grupo se reúne com o objetivo de meditar, como um hábito, em horário e dia marcados, com o passar do tempo ali se forma uma vibração específica, se torna um local harmonioso. Não é um processo de mediunidade, é uma questão vibracional que ocorre pela união das pessoas com aquele objetivo em comum”, relata.

Ele diz que para meditações em grupo, as chances de chegar à meditação profunda são 80% maiores do que iniciar a prática sozinho. “Para pessoas que tiverem interesse, estamos estruturando em Marechal Rondon a ACGSL, uma associação sem fins lucrativos, com sede internacional na Grécia e que está espalhada em diversas partes do mundo. Temos o propósito de fornecer cursos e eventos envolvendo o autoconhecimento – que em grego podemos chamar de gnosis, um conhecimento transcendental, diferente de um conhecimento meramente epistêmico”, ressalta. “Até o início do próximo ano, pretendemos inaugurar o nosso espaço aqui, porém, já realizamos cursos gratuitos sobre meditação e autoconhecimento no município”, destaca Kuhn.

Confira a matéria completa na edição impressa desta sexta-feira (27).

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