Assim deve ser o Natal e o Ano Novo no Oeste do Paraná, exceto em alguns poucos lugares onde já choveu ou ainda pode chover de forma isolada.
Não é o Natal e o Ano Novo que os agricultores e, por tabela, os comerciantes esperavam. Seguramente não assim.
Além da perda praticamente total da safra de verão, cujas consequências já são enormes, ainda existe risco grave de colapso no fornecimento de água durante os dias mais quentes.
Há muito tempo, talvez nunca antes na história desta região, vivemos dias tão quentes e secos.
É certo que haverá seríssimas consequências tanto para os agricultores que perderam suas safras como no comércio e na geração de empregos.
O setor de produção, que já vive momentos complicados pela elevação de quase todos os preços de insumos e maquinários, também pela falta eventual destes, agora começa a enfrentar as consequências de uma quebra de safra como há pelo menos 40 anos não vimos.
A dificuldade momentânea maior parece ser dos produtores de leite, que não conseguem produzir pasto e os estoques de silagem têm prazo para terminar.
Assim, alguns produtores admitem a possibilidade de encaminhar vacas em lactação para o abate, o que, sem dúvida, compromete a produção futura.
A produção de leite é e continuará sendo importante em nossa região, até mesmo para abastecer as indústrias que aqui se instalaram.
Mas sem pasto na lavoura e sem silagem não há como produzir leite, especialmente com os insumos, como milho e soja, nos preços que estão, e certamente ainda vão aumentar por causa da estiagem.
Ainda que a chuva aconteça antes do fim do ano, para produzir alimento para as vacas demora algum tempo, seja produção de volumoso ou proteína.
A tristeza que se abate sobre os agricultores, que veem suas lavouras sendo dizimadas pela estiagem e pelo calor do sol, chegará às cidades próximas, principalmente em forma de aumento nos preços dos alimentos ou até mesmo desemprego.
Enquanto levantamos nossos olhos para o céu ensolarado na esperança de chuva, vamos torcer para que nos lares não falte energia elétrica e nem água potável.
Que possamos receber nossos familiares e passar o Natal e o Ano Novo com algum conforto, apesar do calor e da secura.
Para aqueles que têm fé em Deus não custa orar pedindo ao Criador que mude as previsões do tempo ou que, apesar das previsões, permita que a chuva venha com alguma abundância para aliviar o sofrimento dos nossos agricultores, dos seus animais e das pessoas que não têm como se defender desse calor.
Então, assim como Deus quiser e permitir, um feliz Natal para todos.
Arno Kunzler é jornalista e fundador do Jornal O Presente e da Editora Amigos