O Presente
Comunicando no Presente

Como cultivar uma comunicação boa e sustentável na prática?

calendar_month 24 de janeiro de 2026
4 min de leitura

No final de 2025 vi um post de uma nutricionista: o problema não é o que você come entre Natal e Ano novo, e sim os hábitos que você cultiva entre o Ano Novo e Natal!

Aaaai, essa frase me pegou! Doeu aí também?

Além de pensar na minha alimentação e outros hábitos, que nem sempre são sustentáveis, lembrei (obviamente) de como cuidamos – ou não – da nossa comunicação.

Durante aquela vibe “espírito natalino”, todos ficam mais amigáveis, a gentileza e a caridade ganham espaço na rotina, as prioridades mudam e a maioria de nós faz uma pausa para apreciar a vida e o ano que se finda.

Mas agora, o ano começou, e quem você está sendo entre o Ano Novo que passou e o Natal que levará mais de 11 meses para chegar?

Assim como hábitos alimentares e vários outros, a comunicação não se transforma em uma semana. Ela é construída — ou sabotada — todos os dias, em pequenas escolhas: responder ou ignorar, explicar ou pressupor, acolher ou reagir.

Pois bem, então como podemos cultivar uma comunicação boa e sustentável na prática? Imagino que nessa altura do campeonato (segunda semana de janeiro) você estabeleceu metas para seu corpo, de emagrecer ou correr uma maratona em 2026… Também imagino que possa ter algum planejamento financeiro, como poupar, investir ou viajar…

Então, separei aqui duas metas de comunicação alcancáveis e fortemente transformadoras de cultivar em sua rotina para você tentar praticar este ano, segue o fio…

A primeira delas é: presumir menos, perguntar mais!

Grande parte dos conflitos nasce não do que foi dito, mas do que foi imaginado. Aaaah como adoramos criar histórias em nossa mente! Supomos intenções, imaginamos cenários e reagimos a estes como se fossem fatos. Presumir cansa, afasta e gera ruído.

Perguntar, por outro lado, aproxima, esclarece e constrói pontes. Perguntar é um ato de maturidade comunicacional. É trocar o “eu acho que…” pelo “me ajuda a entender?”. É abrir espaço para o diálogo antes que o mal-entendido vire mágoa.

A segunda meta de comunicação é: troque a armadura por um sorriso!

Entrar em conversas sempre na defensiva, com respostas prontas e postura de ataque, pode até parecer proteção, mas na prática cria distância. Tudo bem, você criou mecanismos de defesa ao longo da sua história e eles até foram úteis. Mas, por diversas vezes, o que nos salvou no passado não é mais útil hoje. Pense nisso!

Imagine um soldado medieval usando uma armadura. Ela até proteje, mas também pesa, endurece e impede conexão. Com armadura é difícil se movimentar bem!

O sorriso — podendo ser interpretado aqui como abertura, gentileza e disponibilidade — desarma, humaniza e convida ao diálogo.

Comunicar-se com leveza não é ser ingênuo, é estar aberto. Pessoas escutam mais quem não as faz se sentirem ameaçadas.

E veja bem, no lugar do comportamento que hoje chamei de sorriso, costumo falar sobre o poder da vulnerabilidade. Já trouxe essa palavra em alguns textos anteriores. Vulnerabilidade não é fraqueza. Significa enfrentar o caos simplesmente porque é o certo a se fazer, sabendo que não é possível controlar todos os fatores.

Mas no texto de hoje, falo de sorriso porque é o que está escasso ultimamente! A gentileza, a educação que vem misturada com curiosidade, a maquiagem natural que carregamos, projetada para fazer bem e fazer o outro se sentir bem em nossa presença! Está em falta!

Enfim, são as pequenas escolhas conscientes que, ao longo do ano, constroem relações mais saudáveis, ambientes mais colaborativos e uma liderança mais humana — inclusive sobre você mesmo.

No fim das contas, não é o que você comunica nas datas especiais que define quem você é, mas o que você sustenta no ordinário. E é exatamente nesse intervalo — entre o Ano Novo e o Natal — que a sua comunicação revela quem você está se tornando.

Meu desafio para você no texto de hoje é que você encare e se comprometa com essas duas metas em sua comunicação. De coração aberto, sem precisar ter todas as respostas, revestido da curiosidade que há nas perguntas e confiando no poder da gentileza.

Feliz Ano Novo! Feliz ano sem armadura!

Quer ler mais artigos da Bruna? Clique aqui!

Sobre a autora

Bruna Tierling é professora de Filosofia, comunicadora, passada presidente da JCI Marechal e Campeã Mundial de Oratória.

@bruna.tierling

 
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