Recentemente, em uma aula com uma aluna de mentoria de comunicação e oratória, conversávamos sobre como algumas pessoas costumam distribuir a culpa de seus erros ou fracassos aos outros. Então a aluna me disse, “meu pai tem uma frase muito interessante: eu erro, mas eu sei errar sozinho!”.
Curiosamente, esta frase ocupou minha mente durante alguns dias. Me fez lembrar de todas as vezes que a vergonha ou a falta de maturidade me fizeram distribuir meus erros na conta dos outros. Lembrei ainda de quando erraram comigo e uma boa conversa ou pedido de desculpas teria resolvido muita coisa, mas, em vez disso, recebi a culpa de quem errou!
Talvez na liderança, ou em seus relacionamentos, você já cometeu o mesmo erro. Leva tempo para entendermos que errar é, de fato, humano, e reconhecer nossos erros e aprender com eles é sinal de maturidade, não é mesmo?!
Tudo isso envolve a maneira como lidamos com o conceito de pertencimento e como nos relacionamos com a vergonha, inevitavelmente. Nos arriscamos pouco, para não errar. Deixamos oportunidades passar, porque quem está na zona de conforto erra menos.
A verdade é que quem lidera – seja uma equipe, um projeto ou a própria vida – precisa estar disposto a errar. A liderança exige presença, coragem e vulnerabilidade. E isso inclui aceitar que nem sempre teremos todas as respostas, nem sempre faremos tudo certo. O verdadeiro líder não é aquele que nunca erra, mas aquele que aprende rápido, assume responsabilidade e inspira confiança mesmo nas situações mais desafiadoras.
A atriz e produtora Salma Hayek disse certa vez em uma entrevista: “se você fez algo errado, não deixe que alguém pegue seu erro, e use-o contra você! Seu erro é seu, seja dono dele! Seu erro é uma ferramenta poderosa para o crescimento e para a vida. Não tenha medo de cometer erros, é melhor do que não fazer nada, não aprender nada e não evoluir!!”
Bystander Revolution: Salma Hayek | Own Your Mistakes – YouTube
Esta citação representa muito bem como temos a tendência de ficarmos armados quando cometemos erros, e a nossa comunicação tem um papel essencial nesse processo. É por meio dela que mostramos nossa humanidade, que nos reconectamos com os outros após um erro e reconstruímos pontes que poderiam ter sido rompidas. Comunicar-se bem não é apenas falar com clareza, é saber ouvir, reconhecer o impacto das próprias atitudes e ter humildade para pedir desculpas quando for preciso. Essa é, talvez, uma das formas mais poderosas de liderança: a que nasce da autenticidade.
Quando conseguimos falar sobre nossas falhas sem medo e sem máscaras mostramos aos outros que errar não é o fim, mas parte do caminho. Criamos ambientes mais leves, onde as pessoas se sentem seguras para tentar, inovar e contribuir. E é aí que o verdadeiro crescimento acontece, tanto pessoal quanto coletivo.
Portanto, meu desafio para você hoje é o seguinte: se quiser ser um bom líder, comece pela sua visão de si mesmo, olhe para dentro, reconheça seus limites, celebre seus acertos e aprenda com cada tropeço.
Depois, leve essa consciência para fora, nas suas relações e decisões. Liderar e comunicar são, afinal, duas faces da mesma moeda – e as duas exigem o mesmo ingrediente essencial: humanidade.
Até a próxima!
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