O Presente
Dom João Carlos Seneme

Eu sou a porta que conduz à Salvação

calendar_month 25 de abril de 2026
3 min de leitura

No coração do tempo pascal, a Igreja nos conduz ao 4º Domingo da Páscoa, Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Trata-se de um convite a contemplar Cristo Ressuscitado como Aquele que guia, conhece, chama e dá a vida por suas ovelhas.

A Palavra de Deus nos garante que não estamos sozinhos, nem perdidos, temos um Pastor que nos conhece pelo nome e cuida pessoalmente de cada um. Esta certeza ilumina a existência cristã. Em meio às incertezas e aos desafios, ressoa a confiança do Salmo: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”. Não se trata de uma ideia abstrata, mas de uma experiência viva, Deus caminha conosco, nos sustenta e conduz.

O Evangelho de João (Jo 1-10) aprofunda esta imagem ao apresentar Jesus como a “porta” das ovelhas. Ele é o caminho seguro, o acesso à vida plena, a passagem que nos introduz na comunhão com Deus. A sua vida, marcada pela entrega na cruz e pela vitória da ressurreição, torna-se o critério para discernir o verdadeiro do falso, o essencial do supérfluo. O bom pastor não se impõe, não engana, não manipula, ele se oferece. Já o ladrão, ao contrário, “vem para roubar, matar e destruir”.

Neste contraste, encontramos um ensinamento fundamental: o discernimento espiritual. A voz do bom pastor é reconhecida pela sua capacidade de gerar vida, paz, confiança e comunhão. As vozes estranhas, ao contrário, confundem, seduzem e afastam do essencial. Por isso, a vida cristã exige escuta atenta, silêncio interior e intimidade com o Senhor.

É neste horizonte que se insere a mensagem do Papa Leão XIV para este Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Ele nos recorda que a vocação nasce no profundo do coração como um dom gratuito de Deus, e se revela como um caminho de beleza. Cristo é o “bom pastor”, o pastor belo, aquele cuja vida encanta porque é totalmente doada. Segui-lo é a descoberta de uma vida plenamente realizada.

O Papa insiste que a vocação não é imposição, mas resposta a um amor que nos precede. Por isso, é necessário cultivar a interioridade. Em um mundo marcado por ruídos e dispersões, torna-se urgente redescobrir o silêncio, a oração, a escuta da Palavra. É neste espaço interior que a voz de Deus se torna audível e que o coração aprende a reconhecer o seu chamado.

Além disso, a vocação é um caminho de confiança. Conhecer Deus nos leva a confiar n’Ele. E confiar significa entregar-se, mesmo quando não compreendemos plenamente os caminhos. A vida vocacional amadurece na fidelidade cotidiana, na perseverança, na capacidade de atravessar provações sem perder a esperança.

O chamado de Deus floresce em ambientes de fé viva, oração constante e acompanhamento fraterno. Por isso, toda a Igreja é responsável pelas vocações. Famílias, paróquias, comunidades, educadores, todos são chamados a criar um clima onde os jovens possam escutar, discernir e responder com generosidade.

Diante disso, a pergunta que brota no coração, como na manhã de Pentecostes, permanece atual: “Que devemos fazer?” A resposta passa por uma escolha de simplicidade evangélica. Seguir o bom pastor significa ir ao essencial, aprender a cuidar da vida dos outros, sair de si mesmo e viver na lógica do dom.

Neste domingo, somos convidados a duas atitudes concretas. A primeira, renovar a confiança em Cristo, nosso Pastor, deixando-nos conduzir por Ele. A segunda, rezar pelas vocações, para que muitos corações se abram ao chamado de Deus e tenham coragem de responder com alegria.

Por Dom João Carlos Seneme. Ele é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 
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