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Dom João Carlos Seneme

Senhor, também queremos ver Jesus

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Estamos no 5º Domingo da Quaresma, cada vez mais perto da celebração do grande evento do Mistério de Cristo: sua paixão, morte e ressurreição. O texto do evangelho deste domingo (17) nos oferece uma cena muito significativa que nos ajuda a entender o tema da “hora de Jesus”, momento em que ele entrega a sua vida para salvar a humanidade estabelecendo uma aliança definitiva com o Pai (cf. Jo 12,20-33). É o momento da sua glorificação que se dará através da sua paixão e morte. O grão de trigo, para dar fruto, deve cair na terra e se dissolver para poder germinar. Essa é a missão de Jesus e de seus discípulos.

A cena do Evangelho mostra a presença de alguns gregos pagãos que querem ver Jesus. Eles representam o mundo pagão e todos aqueles que não são judeus. Não é uma simples curiosidade, há aqui um profundo desejo de conhecer o mistério daquele homem de Deus. Eles desejam crer. É o primeiro passo para a fé. É uma indicação para abertura da fé aos pagãos e a toda humanidade. Os gregos não se dirigem diretamente a Jesus, aproximam-se de Filipe. Caberá à comunidade de Jesus a missão de anunciar a boa-nova do Reino a todos os povos e eliminar todas as barreiras que separam os povos.

O episódio também serve para indicar que é chegada a “hora” de Jesus, a hora de sua paixão-glorificação. É a partir deste momento que a obra de Jesus e o seu evangelho se abrirão para todos os povos.

Jesus explica o conteúdo e o significado da “hora”. A imagem do grão de trigo ajuda a compreender o caminho da glorificação de Jesus. Para produzir fruto o grão de trigo tem que desaparecer na terra. É o único modo de produzir fruto. A metáfora revela como o grão de trigo, Jesus também deve morrer para que todos tenham a possibilidade de entrar em comunhão com o Pai. Não se pode produzir vida sem dar a própria vida.

A vida é fruto do amor e não brota se o amor não é pleno, se não chega ao dom total. Amar é se dar sem poupar; até desaparecer. Jesus dá a vida por suas ovelhas. Esta é a prova definitiva do amor do Pai: o Filho aceita morrer nas mãos dos homens, o Pai acolhe sua oração: “Pai, glorifica o teu nome”… Agora, ao olhar para a cruz não vemos um instrumento de ódio e dor, mas o instrumento do triunfo do amor. Jesus veio para dar testemunho da verdade, chegou a “hora”, a missão está cumprida.

A paixão de Jesus é apresentada como uma “elevação”, que inclui fundamentalmente a elevação à cruz e à glória. Como consequência da “elevação”, ele atrai a si toda a humanidade, obviamente aqueles que se deixam atrair pelo Pai. A morte de Jesus universaliza a sua obra, que depois de sua morte, se tornará eterna para ser válida em todos os lugares, em todos os tempos, para todas as pessoas que se deixam atrair pelo Pai através de Jesus.

A missão de Jesus continua em cada um de nós, membros de sua Igreja. Queremos ver Jesus também deve ser o nosso desejo fundamental porque é no segredo da cruz que germina o sentido da vida.

Por Dom João Carlos Seneme. Ele é bispo da Diocese de Toledo

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