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Elio Migliorança

Descaso com o futuro

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Uma das rodovias mais importante do Brasil, sem dúvida, é a BR-163, numa extensão rodoviária de 4.476 quilômetros, ligando as cidades de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, a Santarém, no Pará. Sabemos que os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são o que são hoje graças aos migrantes do Sul do Brasil que desbravaram e colonizaram aquela imensidão do território brasileiro.

Pelas ligações que temos com os mato-grossenses, aquela rodovia é conhecida e utilizada por milhares de sulistas, e também já choramos muitas mortes causadas por tragédias na estrada pedagiada.

Duas empresas exploraram durante décadas o pedágio na rodovia: a Rota do Oeste, no Mato Grosso, e a CCR MSVia, no Mato Grosso do Sul.

Nos últimos meses, temos acompanhado as negociações para a devolução ao Estado dos trabalhos de manutenção da referida BR e também a devolução do “pepino” que foram as obras não executadas, mesmo que o pedágio tenha sido cobrado…. e bem. No caso do Mato Grosso, a concessionária Rota do Oeste, dos 453 quilômetros de duplicação previstos no contrato, só foram executados 120 quilômetros. As obras de infraestrutura estão paradas desde 2016, causando enormes prejuízos para todos os que utilizam aquela rodovia. Agora, foi negociada a devolução da concessão para o Estado do Mato Grosso, o que foi aceito e recentemente concretizado.

Estranho nisso tudo é que ninguém foi punido ou no mínimo cobrado pelo serviço contratado e não executado, e nem responsabilizado pelas milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas se os serviços tivessem sido realizados.

Tudo o que foi mencionado acima tem a ver com o que está acontecendo no Estado do Paraná. No dia 3 de maio, o governador Ratinho Junior assinou, em Brasília, um acordo para a implantação das primeiras praças de pedágio, que em breve vão atingir todos os antigos trechos pedagiados. Nós recordamos do quanto fomos explorados e prejudicados pelas antigas concessionárias dos pedágios no Paraná e também do volume de obras que constavam nos contratos e não foram realizadas.

A impunidade correu solta, já que os donos das concessionárias sequer foram molestados pela patifaria, e nem se tem conhecimento de alguém que tenha sido preso por não cumprir os contratos. Ora, os pedágios aumentam o custo de tudo o que vendemos e o que consumimos, ou seja, pune igualmente a todos, já que somos nós que pagamos a tarifa.

No final dos antigos contratos, ficou muito claro o favorecimento de alguns políticos nos esquemas de financiamento das campanhas, bancadas pelas concessionárias, e não se tem conhecimento de ninguém que tenha perdido o mandato por conta disso.

O que fazem conosco neste momento é um enorme descaso com o futuro, nosso e dos nossos filhos, já que as decisões que ora serão tomadas vão impactar a economia paranaense para os próximos 30 anos. Descaso e falta de respeito com o futuro é o que ocorre quando as novas concessões não são debatidas com a população e ao invés de focar no lucro das empresas, se dê atenção aos benefícios para todos.

O pedágio seria uma cobrança justa, se todos os demais impostos cobrados para pavimentação e conservação de rodovias fossem extintos. Como ambos continuam sendo cobrados, nada mais justo que nossa opinião seja ouvida e levada em conta nas negociações.

Por Elio Migliorança. Ele é empresário rural, professor aposentado e ex-prefeito de Nova Santa Rosa

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