Mesmo com a Seleção Brasileira já convocada para a Copa do Mundo, no Brasil ainda não estamos vivendo o clima de copa do mundo. Aqui, ao invés da torcida esportiva nas ruas, há outro tipo de adrenalina fluindo nas veias nacionais.
São os blocos da informação e da desinformação atuando fortemente para contar pontos nas eleições gerais cujo calendário já está estabelecido. Novas e velhas raposas políticas estão alisando o pelo para o embate eleitoral que vem aí. E este é um jogo do “vale tudo”; logo, é preciso estar preparado para as artimanhas e os embustes que podem estar embutidos nos planos de governo tanto dos candidatos ao executivo quanto ao legislativo.
O que já ouvimos são alguns pré-candidatos falando em privatização geral. No passado “privatizar” era o símbolo e a senha para transformar o ineficiente em algo produtivo, funcional e lucrativo. Várias experiências no Brasil deram tão certo que criaram essa impressão de que em privatizando tudo se torna altamente produtivo. Foi assim com a Vale do Rio Doce, com a Embraer e com a Eletrobrás entre outros. Cada caso é um caso e isso precisa ser analisado de forma muito prudente e criteriosa.
Setores estratégicos jamais deveriam ser privatizados. No Paraná várias privatizações produziram o efeito reverso, ou seja, o resultado obtido foi o oposto do que era esperado. É o caso da Copel, que já foi símbolo de eficiência e qualidade e após a privatização perdeu qualidade e eficiência, colocando em risco todo o setor produtivo, pois as quedas de energia tornaram-se normais.
A recente privatização de parte das escolas públicas, disfarçadas na expressão “parceiros da escola”, pode comprometer o futuro de uma geração inteira. Além disso, para infelicidade geral dos paranaenses, a malha viária do Estado do Paraná foi vendida para a iniciativa privada, fazendo-nos reféns deles para os próximos 30 anos, com o camundongo junior gritando aos quatro ventos que este era o maior programa de privatização do país, quando na verdade foi a maior prova da incompetência dele em administrar os bens do Estado, construídos com dinheiro do contribuinte.
Tudo foi vendido e os impostos existentes para a construção e melhoria de novas estradas foram mantidos e alguns até aumentados, da mesma forma que os tributos cobrados para a manutenção da educação.
Setores vitais para a população, como água, energia elétrica, segurança, saúde e educação, deveriam ser intocáveis. No caso dos transportes, poderia ocorrer a privatização desde que fossem extintos os tributos criados para sua construção e manutenção. Eis porque é importante separar o joio do trigo, prestar atenção ao que dizem os candidatos para tentar salvar o que ainda pode ser salvo nesta terra de Santa Cruz.
Os correios, nada vitais para o país, que já deveriam ter sido privatizados há muito tempo, estão aí engolindo bilhões e produzindo cada vez mais déficits, tudo espetado nas costas do povo que paga a conta.
Por melhor que seja a escolha dos nossos candidatos, pode ainda dar errado, mas a nossa consciência estará tranquila pois teremos cumprido nossos dever de cidadãos conscientes e honestos.
Por Elio Migliorança. Ele é empresário rural, professor aposentado e ex-prefeito de Nova Santa Rosa
@eliomiglioranza
