O Presente
Fátima Baroni Tonezer

Esperar mudança também pode adoecer

calendar_month 20 de julho de 2026
3 min de leitura

Quando a esperança deixa de sustentar e passa a aprisionar

A esperança costuma ser vista como virtude. E muitas vezes é. Ela ajuda a atravessar crises, enfrentar fases difíceis e acreditar em possibilidades. Em relações afetivas, esperar melhora pode ser natural diante de conflitos passageiros. O problema surge quando a esperança deixa de ser saudável e se transforma em prisão emocional.

Há mulheres que vivem anos aguardando mudanças que nunca se consolidam. Esperam mais diálogo, mais maturidade, mais presença, mais respeito, mais compromisso. Acreditam que, com paciência suficiente, tudo se ajustará. Enquanto isso, a vida vai sendo adiada.

Não se trata de ingenuidade simples. Frequentemente existe amor, história compartilhada, tentativas reais e sinais esporádicos de melhora. Pequenos avanços alimentam a crença de que agora será diferente. Depois, o padrão antigo retorna. E o ciclo recomeça.

ESSA DINÂMICA DESGASTA PROFUNDAMENTE

A mulher passa a viver em estado de espera: espera a conversa definitiva, a mudança prometida, o momento certo, a fase menos difícil, a maturidade futura do outro. Com isso, negligencia uma pergunta essencial: o que está acontecendo agora?

A realidade presente é o dado mais importante em qualquer relação. Promessas têm valor limitado quando comportamentos se repetem no sentido oposto.

Esperar indefinidamente também adoece porque desloca o centro da vida para algo externo. O bem-estar passa a depender da transformação do outro. A paz fica condicionada a atitudes que não estão sob seu controle. Aos poucos, instala-se sensação de impotência.

Em muitos casos, a esperança funciona como defesa contra a dor do luto. Se ainda pode mudar, então ainda não preciso encarar a perda, a frustração ou a necessidade de decisão. Assim, esperar evita sofrimentos imediatos, mas prolonga sofrimentos crônicos.

A SAÍDA SENTIDA COMO FRACASSO

Há ainda o medo de desistir cedo demais. Muitas mulheres receiam serem injustas, impacientes ou incapazes de lutar pela relação. Confundem limite com desistência e permanência com amor.

Mas permanecer sem horizonte concreto não é necessariamente prova de amor. Às vezes, é prova de dificuldade em aceitar fatos.

Esperança saudável caminha junto com evidências, responsabilidade mútua e movimento consistente. Quando existe apenas discurso, pedidos de tempo e repetição de velhos padrões, talvez não seja esperança o que sustenta a relação, mas resistência ao encerramento.

ACEITAR ISSO DÓI, PORÉM LIBERTA

Algumas mudanças acontecem, sim. Outras são prometidas por anos sem jamais se tornarem realidade. Saber diferenciar uma coisa da outra é parte importante da maturidade emocional.

Esperar pode curar quando existe caminho. Sem caminho, pode adoecer silenciosamente.

Na próxima semana vamos conversar sobre a diferença entre amor e hábitos. A busca pela familiaridade que mantém o ciclo de desgaste e sofrimento.

Se este artigo tocou você, guarde e releia quando o conhecido estiver te paralisando. E compartilhe com outra mulher que também precisa saber. E siga @psicofatimabaroni para mais conteúdos sobre autoestima e relacionamentos.

Até a próxima.

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Fátima Sueli Baroni Tonezer é psicóloga, formada em Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua maior paixão é estudar a psique humana. Atende na DDL – Clínica e Treinamentos – (45) 9 9917-1755

 
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